O mecanismo da política com seus paradoxos ainda é paradigma para gerir a sociedade

Economiaenegocios Artigos 12 Junho / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

No entanto, para muitos, observando o contexto atual do construto político socioeconômico, há uma tendência de se conformar com o imaginário estrutural e destorcido que se passa nos bastidores dos poderes, aliás, administradores que deveriam ser os protagonistas da promoção da igualdade social e da retidão no gerir a “Coisa Pública”.
Observando minuciosamente o quadro que se vive atualmente, nosso imaginário hoje é decepcionante. Por quê?

Os gestores públicos, que na prática deveriam ser nossos representantes com legitimidade e idoneidade, infelizmente têm nos mostrado condutas deploráveis e cínicas, agindo sem escrúpulo e muito menos com problemas de consciência, pois se afastaram do objetivo para o qual foram legitimamente eleitos.
A perda do sentido da vida e do fim último do tecido social faz com que as pessoas que administram a “Coisa Pública” não tenham mais consciência crítica sobre si mesmo e muito menos para com o próximo.
A premissa que a partir do pleito eleitoral deveria nortear na prática, infelizmente, é uma busca egoísta de um lugar ao sol, através de salários exorbitantes, aposentadorias absurdas, transações suspeitas para benefício próprio, embora salvo exceções, a corrupção e os desmandos na administração pública seja na atualidade uma tragédia.
É nítido e escandaloso o comportamento de parte significativa da classe política, independente de partido desvios de condutas no que tange a justiça, a idoneidade e a transparência.
Há um abismo explícito de cisão entre a sociedade e os gestores do poder público.
Tudo gira em torno de interesses pessoais, grupos oligárquicos cujos objetivos não estão ligados a produzir para o crescimento do país, e sim, voltados para interesses pessoais e das diversas grandes organizações nacionais ou transnacionais.
A regra básica funcional é simples e de fácil compreensão: enaltecer a economia de mercado e o capital financeiro.
Esta é a simbologia que se resume nos “cifrões” como fim último da sociedade. A gestão pública sem o devido ajuste se resume numa trilogia abismal e escandalosa, ou seja, sociedade, capital financeiro e políticos a serviço dos interesses de corporações transnacionais, nacionais, estatais e locais.

O aspecto humano é prescindido, pois não responde a voracidade dos “cifrões” desejados, a ponto que o próprio ser humano passa também a ser uma mercadoria descartável. “...Uma reforma financeira que tivesse em conta a ética exigiria uma vigorosa mudança de atitudes por parte dos dirigentes políticos; a quem exorto a enfrentar este desafio com determinação e clarividência, sem esquecer naturalmente a especificidade de cada contexto. O dinheiro deve servir e não governar”. (FRANCISCO, (papa) – Exortação Apostólica do Sumo Pontífice – “Evangelii Gaudium” – A alegria do Evangelho – Sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual – Ed. Paulus/Loyola – 5ªed. – 20015).
Daí infere-se a necessidade de uma consciência com base em valores de justiça e solidariedade, desapego e bem comum do tecido social que exigem do homem público no exercício de administrador, que este trabalho não seja uma profissão, mas um serviço para o bem comum para todo o tecido social. O abismo para tal realidade parece estar longe de ser uma realidade, embora não devamos desanimar, e sim, buscar e exigir seriedade, consciência e determinação ao exercitar a cidadania de cada membro do tecido social.
A “Coisa Pública”, já na sua raiz etimológica define a política como algo que pertence a todos e não apenas a uma elite privilegiada e abastada que se beneficia constantemente do desenvolvimento e progresso.


A IDOLATRIA DO DINHEIRO É UM IMAGINÁRIO INCRUSTADO NO IMAGINÁRIO DA SOCIEDADE DE CONSUMO

A humanidade quando abandona o Espírito de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, tende a criar ídolos perniciosos que são nocivos, não somente a harmonia entre o Criador e as criaturas, mas de modo especial, do ser humano, pois toda e qualquer organização é prejudicada, porque não colocam o Absoluto e a Transcendência como verdade última.
Daí é que a sociedade se afunda no medo, na insegurança, no desespero e na infelicidade. Não são de admirar ao vermos nos meios de comunicação social e na alta tecnologia da comunicação, internet, redes sociais e outros meios somente desgraças, tristeza, e um alto índice de suicídios, especialmente, entre as novas gerações que não veem mais um futuro em que possam encontrar um sentido para sua existência. A cultura mecanicista, aliás, que segue a lógica da dialética do iluminismo e do racionalismo torna-se dura, feroz, fria e desumana.
E cada vez mais esvazia o tecido social tentando preencher este niilismo com uma “transcendência imanente”. “Uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as nossas sociedades”. (EG, 55).
E segue: A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer de que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da primazia do ser humano (...) criamos novos ídolos; “a adoração do antigo bezerro de ouro”. (Ex 32, 1-35)””.
Sem margem de dúvida é bom frisar que a Exortação Apostólica – Evangelho da alegria, com muita propriedade nos faz ver que a sociedade hodierna se petrificou em ideologias perversas que prescindem do verdadeiro sentido do ser humano no tempo e no espaço.
E esse imaginário “...encontrou uma nova e cruel versão do fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano; a crise mundial, que investe em finanças e a economia, põe a descoberto os seus próprios desiquilíbrios e, sobretudo, a grave carência de uma orientação antropológica que reduz o ser humano apenas a uma das suas necessidade: o consumo”.
Ficou retratado muito bem há poucos dias como a deslealdade, a mentira, fez história, assim como criou um imaginário político socioeconômico na cultura, mormente do Brasil, ao querer esconder a realidade dos fatos, devidamente comprovados de disfunção na administração pública da nação, dirigentes que não estão versados no bem comum da nação, e sim, alimentando a ganância do poder para dominar sobre todos os cidadãos. É a cultura do “vale tudo”, aliás, sem escrúpulo e problemas de consciência.
A sociedade quer e precisa de mudanças paradigmáticas para que a justiça e a igualdade social seja uma realidade para as pessoas em nossas comunidades, não interessando qual o cargo ou responsabilidade que possa ter nas mãos.
Temos responsabilidades diferentes, embora todos irmãos uns dos outros com oportunidades iguais para cada um dos cidadãos, pois é direito de todos.
É bom pensar!

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