Usurpar recursos públicos para interesses pessoais e oligárquicos é crime hediondo contra a sociedade

Economiaenegocios Artigos 17 Julho / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

Através da adequada aplicação dos recursos advindos dos impostos, taxas e outras tributações, a gestão pública tem a obrigação de proporcionar uma saúde de qualidade, uma educação para a cidadania, bem como preparar as novas gerações em todos os seus aspectos, como a formação do caráter, da personalidade e também para habilitá-los ao mercado de trabalho e do desenvolvimento de novas tecnologias, seja no setor agrícola, do comércio e de empreendimentos diversos.
Embora, por outro lado, tudo deva convergir para o bem comum do tecido social. O que se tem visto nos últimos tempos é uma verdadeira “farra do boi”. Fica explícito o abismo de escândalos não apenas de estadistas do serviço público, mas também gestores das diversas organizações, sempre ressalvando e fazendo jus às exceções. A apropriação do dinheiro público, aliás, que não lhes pertence jamais pode ser paradigma para saciar desejos obscuros, principalmente no exercício de poder e domínio sobre a própria sociedade. Recentemente ficou patente essa apropriação indevida dos recursos pela gestão pública, para garantir o poder, não no sentido do serviço, mas sim, com a intenção de obstruir a justiça no julgamento de posturas suspeitas e que no final acabaram por demonstrar a comprovada veracidade.
A verdade é que as diversas ideologias partidárias, que no fundo são todas da mesma linha, utilizando-se do Estado de Direito, através da distribuição de altas somas, se perpetuam no poder e dão continuidade à corrupção, ao roubo a “céu aberto”. Tudo isso com recursos do contribuinte. Esse retrato contemplado nos acontecimentos próximos passados mostra a crueldade do capitalismo com seus mecanismos e tentáculos, que a qualquer preço, tenta sempre se impor. É bom frisar que a chamada ‘esquerda’ é capitalista e cruel tanto quanto a chamada ‘direita’. Os mecanismos de tortura de ambas as ideologias com aqueles que não comungam com tais posturas são idênticos ou piores. O desespero dos amantes do poder pelo poder é insaciável, e, portanto para os mesmos tudo se torna legítimo conforme a “lei”, que é elaborada por eles mesmos e em benefício próprio.
Pergunta-se: Com que autoridade alguém usurpa do “dinheiro público” para alimentar a ideologia do “ter”? Vê-se que o país está fragmentado com fundamento na “Dialética do Iluminismo”, aliás, realidade que ambas as ideologias desejam e, assim se vive uma fases mais tristes da história da nação.
Daí se podem compreender situações limites como:

1. A violência generalizada.
2. A saúde dos cidadãos em franca decadência com a justificativa que não há recursos, no entanto os recursos são desviados inescrupulosamente para o bolso de alguns maus gestores.
3. A educação com critérios unicamente para responder às demandas do mercado e não com a preocupação de formar o todo do ser humano. Fica em segundo plano ou até se prescinde de uma formação para o civismo, do caráter e da personalidade, pois o enfoque está no indivíduo e não contempla a individualidade. Tal realidade conduz “ipso fato” para a redução do humano a uma mercadoria como outras. Frisa-se o alto índice de suicídios entre os jovens na faixa dos 15 aos 30 anos por não ter uma expectativa que lhes forneça sentido. A “Dialética do Iluminismo” adotada por as ideologias acima citadas conduz impreterivelmente ao vazio existencial e niilista.
4. Percebe-se sempre mais um abismo entre a política e a sociedade, em outras palavras: Não há espaço para um olhar de conjunto da sociedade, seus anseios e necessidades. “A história da humanidade encontra-se no momento atual apanhada por um sistema econômico financeiro gerado basicamente pelo capitalismo neoliberal, este conseguiu impor sua ditadura praticamente em todo o mundo, condicionando decisivamente o futuro da comunidade humana”. (PAGOLA, José Antonio – Jesus e o dinheiro – Vozes – 2014). E segue: “É alimentado pelo desejo insaciável de riqueza, sistema este que perverteu a economia, pois o que ela busca não é a produção de bens e serviços necessários à comunidade humana, mas a acumulação de riqueza em mãos de minorias mais poderosas da terra”.
O Brasil vive hoje um contexto não de uma democracia real, e sim, de centralismo cujo “rolo compressor” empurrado por velhos estadistas e/ou pseudos políticos, salvo sempre exceções, viciados no poder que se debatem a qualquer preço para manter-se no poder. Por outro lado, paulatinamente emerge uma nova geração de juízes, promotores, desembargadores, também sempre ressalvando as exceções, que tentam fazer a diferença, embora muitos ameaçados e que procuram costurar um novo caminho para um novo Brasil e uma nova humanidade, embora às vezes a um alto preço, pois estão na mira de “cifrões” na casa não apenas de milhões, quem sabe de bilhões ou trilhões. Tudo isso alimentado por pseudos políticos que perderam o bom senso e o limite tolerável.

Qual é a lógica do sistema vigente em nível de mundo e local?

1. Afasta a economia do bem comum e da sociedade

2. Não suporta nenhum controle ou regulação que trate de limitar sua voracidade.

3. Promove a competitividade implacável anulando as possibilidades de uma cooperação cada vez mais necessária.

4. Torna impossível lançar as bases políticas e éticas de qualquer projeto de governança mundial e local.


QUE PERSPECTIVAS EM TERMOS DE FUTURO AINDA NOS RESTAM?

Nos diversos ambientes há uma sensação de desânimo, pois partindo desse pressuposto mundial e local, e de maneira especial no Brasil se podem identificar duas crises são geradas por este imaginário:

1. Dois terços da humanidade se afundam na miséria, na destruição e na fome em países cada vez mais excluídos do poder econômico, científico e tecnológico.

2. O sistema de produção e consumo ilimitado não é sustentável numa terra pequena e de recursos limitados: A crescente degradação do equilíbrio ecológico que está nos conduzindo para um futuro cada vez mais incerto da biosfera e do destino humano. (PAGOLA, 2014).

Lançando o olhar para o Brasil que há pouco sofreu alterações das leis, que sempre mais favorecem o desmantelamento da ecologia humana e ambiental que é a “Nossa Casa Comum”. O governo central com a máquina estatal usa e abusa de medidas provisórias, de interferência em outros poderes para defender seus interesses e das grandes fortunas.
Em troca de apoio para manter-se no comando, extrapola e usa do dinheiro público para barganhar e se manter no poder. A aposentadoria de um político hoje no país é de causar espanto e vergonha. Do outro lado, cidadãos que se aposentaram trabalhando uma vida toda, precisam se conformar com algo insignificante e muitas vezes não dá sobreviver.
A terceira idade depois de anos dedicados à construção da nação é excluída como “sobra” e não tem mais valor.
O idoso é discriminado e muitas vezes abandonado à própria sorte. Quando doentes e curvados pela idade e doença, embora tenha aumentado a expectativa de vida na sociedade, sempre necessitam de remédios.
No entanto, se torna vítima da indústria farmacêutica com sua insaciável ganância pelo dinheiro, tornando inacessível às pessoas mais humildes e pobres. A realidade dos Hospitais públicos hoje é o sucateamento absurdo dos mesmos tornando a saúde um caos.
Por outro lado, constata-se que tal realidade vem se arrastando de longa data. Nas últimas décadas tem-se intensificado o descaso para com os cidadãos mais pobres. Infere-se desse pressuposto que o Brasil vem sofrendo um processo de desmonte da “Coisa Pública” de forma sistemática, sempre em favor do capital financeiro e dos interesses de empresas transnacionais.
Até quando?
É bom refletir!

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