Para dizer que não esqueci

Economiaenegocios Artigos 06 Novembro / 2017 Segunda-feira por Décio Baptista Pizzato

Dentro do feriadão de Finados veio a notícia que a usina hidrelétrica de Itaipu, a maior do País, abriu suas comportas para escoar o excedente de água em seus reservatórios. A decisão foi tomada pela empresa Itaipu Binacional em razão das chuvas abundantes que caíram na região da Foz do Iguaçu e também nos Estados do Sul.

Ao final de outubro a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter o segundo patamar da bandeira vermelha nas contas de luz para o mês de novembro, elevando o valor da cobrança na conta de luz de um adicional de R$ 5,00 para cada 100 quilowatts - hora consumidos.

No Brasil, a doença que é uma das principais causas de mortes entre os homens e mulheres é o câncer. Depois de o mês de outubro ser marcado pela campanha de mobilização para prevenção do câncer de mama, conhecida como Outubro Rosa, em novembro é a vez dos homens, leva a denominação de Novembro Azul

A agencia governamental criou para todos os brasileiros, pessoas físicas e jurídicas o Novembro Vermelho, por sangrar o bolso dos consumidores.

A Eletrobrás detém 50% do capital da Itaipu Binacional, os outros 50% pertencem ao vizinho país, Paraguai. Este por não ter consumo suficiente vende seu excesso para Brasil, sendo esta sua maior renda.

A Eletrobrás - Centrais Elétricas Brasileiras S.A é responsável por 37% do total da capacidade de geração do país, tem capacidade instalada de 42.080 megawatts e 164 usinas – 36 hidrelétricas e 128 térmicas, sendo duas termonucleares. Possui mais de 58 mil quilômetros de linhas de transmissão, o que corresponde a 57% do total nacional.
A Eletrobrás é holding de um sistema de empresas possuidora de 6 empresas de geração de energia e transmissão mais 6 de distribuição. Possui participação societária em 32 empresas mais uma empresa de pesquisa em energia e uma empresa de participações, a Eletrobrás Eletropar.

Para dizer que não esqueci, faz- se a pergunta porque a Aneel quer manter o preço da energia nas alturas? A explicação mais plausível seria querer tornar mais atrativa a venda da Eletrobrás. Assim como o governo seguindo esta linha quer ficar apenas com 40% do capital.

Mesmo tentando manter a atratividade da pulverização das ações da Eletrobrás, não sido atraente para investidores.
A empresa durante décadas foi feudo absoluto do político conhecido como Toninho Malvadeza. Com sua morte o domínio do grupo passou para as mãos do Capitão - Mor titular da Capitânia Hereditária do Maranhão. Como a caixa preta da estatal ainda não foi aberta, como no caso da Petrobrás, é possível que os investidores tenham muito receio do que ela contém.

Para dizer que não esqueci e continuando dentro do setor de energia, o que dizer dos aumentos quase que diários nos combustíveis e no gás? São seis ou sete aumentos para um recuo, com a explicação de que é para manter a paridade com o mercado internacional. Só o gás subiu 54% em 2017, dentro de um IPCA oficial estimado para o ano em 3,08%.

A explicação só pode ser de tentar recuperar, via preços e arrecadação, a Petrobrás que estava a beira da bancarrota pelos bilhões de reais que lhe foram saqueados nos últimos 14 anos pelo sistema de corrupção institucionalizada que foi implantado no país.

Desde os tempos do descobrimento a corrupção sempre teve terreno fértil no Brasil para brotar, lembram-se o que escreveu Caminha, "... em se plantando tudo dá"?

Só que desde 2003 a corrupção se tornou uma política de governo, onde a seriedade e a honestidade foram e ainda são uma exceção.

Não ficou apenas em 20 bilhões , saqueados na Petrobrás, segundo estimativa do Ministério Público.

Vamos mais adiante, para que não caia no esquecimento.

Pouco mais de uma década atrás o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, onde o social deveria ser escrito em letras bem minúsculas, recebeu aportes financeiros de R$ 550 bilhões de reais. Este volume não veio na forma de dinheiro em espécie, o que geraria uma hiper inflação, mas pela emissão pelo Tesouro Nacional de títulos da Dívida Pública, que ajudou esta atingir o patamar de R$ 3,430 trilhões, em setembro passado.

Com esta centenas de bilhões de reais em títulos que foram colocados no mercado, o banco emprestava a juros subsidiados de 7% ao ano e pagava ao Tesouro 4% a diferença era o seu lucro. A diferença do valor de face dos títulos era paga pelo Tesouro.

Nesta segunda - feira, 6 de novembro, o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central aponta para a Taxa Selic se situar em 2017 em 7,0%. Alguns até falam em 6,5%.

Para dizer que não esqueci, a 81ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 02/02/2003 fixou a Taxa Selic em 26,30%. Na 108ª de 18/05/2005 a taxa fixada foi de 19,75%. Já na 192ª reunião de 29/07/2015 a Taxa Selic fixada foi de 14,15%.

Quando Tesouro emite os seus títulos da dívida, a remuneração pode ser pós fixada ou pré fixada, que tem sido a mais atraente. Não saberia dizer se os títulos de taxas mais altas ainda estão circulando ou se já foram resgatados. Mas, com certeza os com a taxa de 14,15%, mais do que o dobro da projeção para este ano, ainda estão circulando.

Desses não saberia dizer quantos bilhões de reais em títulos ainda estão nas mãos do BNDES. Mesmo que tenha devolvido R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional, não o fez em espécie. Ainda existem muitas dezenas de bilhões na tesouraria da instituição e o mercado está ávidos por esses títulos. Talvez seja a razão porque a instituição luta com unhas e dentes pela não devolução dos valores recebidos.

Assim fica a pergunta que está na mente de todos, aonde foi parar toda esta dinheirama?

Apenas para dizer que não esqueci.

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