Precisamos passar da "Era da Informação" para a "Era do Eu" como gestor da mente humana

Economiaenegocios Artigos 16 Abril / 2018 Segunda-feira por Padre Ari

O homem e a mulher receberam do Criador três talentos para administrar o cosmo, ou seja, a inteligência, a vontade e a liberdade. (Gn 1,27). O humano, aliás, que também pertence a natureza foi agraciado com algo mais que o restante das criaturas. Daí a responsabilidade legada pelo Criador em administrar e completar a Criação.

No entanto, para exercer esta responsabilidade o homem é o único dentre toda a natureza que recebeu a inteligência racional, vontade e liberdade. Por outro lado, percebe-se a complexidade que é administrar a criação, pois a mesma exige preparo, equilíbrio, através de valores, virtudes e princípios que ao longo da história de cada pessoa vai ajudando a construir o caráter e a personalidade, não apenas como algo funcional, e sim, via consciência psicológica com a consciência moral que dá o conteúdo a mesma. Entretanto é bom frisar que os animais também possuem percepção sensorial, inteligência, embora prática e sempre ligada aos instintos de sobrevivência. Entretanto sem a capacidade de elaborar raciocínios lógicos como os humanos.
“...a mente humana não tem defeito de fabricação {no entanto} ela é tão complexa que é dificílima de ser gerenciada”. (CURY, Augusto – O médico da humanidade e a cura da corrupção – Ed. Planeta – 2016).
A beleza e o significativo avanço da tecnologia é fruto da inteligência humana. Entretanto todo o desenvolvimento tecnológico levou a humanidade a se distanciar de si mesmo, dos outros e da Transcendência, aliás, consciente ou inconsciente. Esse quadro precisa, no contexto da cultura contemporânea ser repensado e refeito, pois o homem é natureza, e, no entanto, se distanciou motivado pelo entusiasmo da tecnologia, e isso desencadeou uma corrida para o “ter”, para a ganância e a soberba fundamentado no espírito de autossuficiência. A consequência foi o emergir a desigualdade social, orgulho, competição desleal, discriminação e exclusão.
É preciso recomeçar a história da humanidade com novos paradigmas, sem deixar de cultivar o desenvolvimento de mentalidade, e isso, deve partir das escolas e universidades que não tiveram o foco para uma formação holística seguindo uma educação unidimensional, ou seja, destaque aos estudos tecnológicos para suprir as demandas do mercado e do feroz capital financeiro, aliás, que não deixa de ser um “câncer social” dentro da Conjuntura política socioeconômica.
O psiquiatra pesquisador e escritor nos alerta: “...as melhores universidades estão na Idade da pedra em relação ao gerenciamento da mente humana”. E segue: “Seria vital mudar o grande paradigma da educação para viabilizar a espécie humana”.

Não é suficiente formar técnicos habilidosos para o mercado, e sim, pessoas que saibam administrar o todo do próprio ser humano como as novas tecnologias que facilitam nossas vidas e nos proporcionam mais conforto. No entanto, essa realidade deve ser para todos, sem discriminação e exclusão de ninguém. É inadmissível que em pleno século XXI se acentue a desigualdade social, a fome e a miséria.
Portanto urge passar a limpo a cultura contemporânea que chegou a um vazio de sentido, pois se distanciou da natureza como fez o homem de si mesmo, dos outros e da Transcendência.
A ética da compaixão é algo urgente no contexto em que hoje se vive, pois “...nos ensina como deve ser nossa relação para com a natureza e a Mãe Terra: primeiro, respeitá-las em sua alteridade; depois, amá-las, fazendo nossos os seus padecimentos e cuidar delas”. (BOFF, Leonardo – Ética e Espiritualidade – Como cuidar da Casa Comum – Vozes – 2017).

O contexto cultural hodierno mostra-se completamente perdido. O caminho do sentido que motiva a satisfação de viver foi desfeito pelo próprio ser humano quando fragmentou toda a realidade induzido pela ideologia da “Dialética do Iluminismo”. É hora de repensar e refazer a história. Como?
Saber “...a gestão da aeronave mental passa por ensinar os alunos desde a mais tenra infância a proteger a emoção, a filtrar estímulos estressantes, a se colocar no lugar dos outros, a pensar antes de reagir, a desenvolver os papéis do Eu, a conhecer os copilotos inconscientes, as armadilhas mentais {...} pois sem essa educação socioemocional, a espécie humana, tanto se durar cem anos quanto cem milhões de anos, continuará a ter as páginas de sua história manchadas por assassinatos, suicídios, guerras, discriminações e exclusão social”. (CURY, 2016)
Diante disso que perspectivas ainda se tem na cultura hodierna, tanto no Brasil quanto em nível mundial quando “...debaixo do verniz de pessoas éticas há muitas úlceras repugnantes!
É cada vez mais claro que: “...a melhor maneira de reescrever o passado é reconstruir o presente. Devemos voltar ao passado apenas para recicla-lo, reorganizá-lo, mas não para nos fixarmos nele. Mas muitos têm um Eu saudosista, que se fixa nos fatos que já ocorreram, seja para se autopunir pela culpa, seja para se culpar e esgotam a energia pela culpa, seja para reclamar o que perdeu. Reclamar e se culpar esgotam a energia do Eu, fragilizam-no como engenheiro do presente. Nada mais triste do que ser refém da história e nada mais prazeroso quanto ser um construtor de um novo tempo”. (CURY, 2016).

Sempre é bom parar e refletir para agir com novos paradigmas que sejam mais humanos e mais civilizados. Pense!

Categorias:   Notícias | Artigos | Economia e Negócios | Estilo | Cultura | Esportes