Doutrina Social da Igreja e Evangelização hoje: Exige discernimento, preparo, oração e coragem

Economiaenegocios Artigos 06 Novembro / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

Infelizmente em alguns casos, são setores eclesiais que diante de ideologias transversais provocam incertezas e inseguranças em muitos agentes de pastorais.

Por outro lado, vem à tona que tipo de formação vem sendo ministrado para que tal realidade faça com que as lideranças inibam o avanço para novas metodologias para proclamar o anúncio do Reino num contexto adverso e confuso que se vive no hoje da história. Será que os que devem preparar os evangelizadores não deixam lacunas que impedem o confronto com o diferente? A complexidade da cultura vigente urge cristãos bem preparados não apenas em termos de metodologia, mas principalmente por uma espiritualidade profunda e autêntica.
“O anúncio às culturas implica também um anúncio às culturas profissionais, científicas e acadêmicas. É o encontro entre a fé, a razão e as ciências, que visa a desenvolver um novo discurso sobre a credibilidade, uma apologética original que ajude a criar as predisposições para que o evangelho seja escutado por todos. Quando algumas categorias da razão e das ciências são acolhidas no anúncio da mensagem, elas se tornam um instrumento da evangelização”. (FRANCISCO, papa – Evangelii Gaudium – A alegria do Evangelho – Paulus/Loyola – nº 132)
Um dos elementos a ser frisado é a própria Igreja que vive hoje num ambiente pouco harmônico internamente. Se por um lado, há tentativas de novas leituras com visão paradigmáticas que avançam no sentido de responder aos questionamentos dos novos tempos, sem perder ou omitir a essência da fé cristã, por outro, há grupos que se petrificam em atitudes auto defensivas e fechando-se sobre si mesmos voltados para um narcisismo perigoso e saudosista. É um paradigma que não defende a ortodoxia da fé e muito menos de abrir-se para uma evangelização da sociedade como um todo, mas revela uma postura de paralisia, defesa e estagnação. Por quê?
Fica explícita tal conduta na elaboração excessiva de normas, regras, leis que engessam a própria fé e que impedem a evangelização numa cultura complexa, plural e permeada por inúmeras ideologias contraditórias entre si. Como aceitar uma fé voltada para si própria e fechada a um mundo que necessita de libertação?
Outro elemento que preocupa no processo de uma nova evangelização é rejeitar uma nova leitura para os novos tempos. É um desafio para os agentes de pastoral, pois exige preparo nas diversas ciências, afinal as mesmas auxiliam para discernir o joio do trigo, ou seja, saber distinguir o que é secundário e mutável daquilo que é a essência da fé cristã. Daí emerge uma preocupação quanto ao tipo de formação que é fornecida tanto aos agentes de pastoral leigos, quanto aos ministérios ordenados.

“As sociedades precisam ter primeiramente presente que seu sistema educativo apresenta péssimos rendimentos: um mundo em transformação não se satisfaz com a submissão às regras estáveis e racionais. Num mundo complexo reduzir a formação a uma aprendizagem resulta no empobrecimento e na destruição das inteligências”. (TORAINE, ALAIN – Após a crise – A decomposição da vida social e surgimento de autores não sociais – Vozes – 2011 – P.99)
Sem margem de dúvida, isso tem algo a ver não somente com as questões políticas socioeconômicas, mas de modo especial, também no que tange à dimensão da evangelização. Não há como fragmentar o anúncio do Reino de Deus das realidades políticas e socioeconômicas. É um contrassenso.
É bom frisar que a Doutrina Social da Igreja nasceu para reivindicar o “Estatuto da cidadania” da religião cristã. (BENTO XVI – Caritas in Veritate, nº 56). E segue:
“A razão tem sempre necessidade de ser purificada pela fé e isto vale também para a razão política, que não de ser crer onipotente. A religião, por sua vez, precisa sempre ser purificada pela razão, para mostrar seu autêntico rosto humano. A ruptura desse diálogo implica um custo muito gravoso para o desenvolvimento da humanidade”.
A nova evangelização requer dos discípulos-missionários coragem, muita oração e determinação para quebrar paradigmas engessados de uma cultura da provisoriedade e do descartável.
“A cultura atual tende a propor estilos de ser e viver contrários à natureza e dignidade do ser humano. O impacto dominante dos ídolos do poder, da riqueza e do prazer efêmero, se transformaram acima do valor da pessoa, em norma máxima de funcionamento e em critério decisivo na organização social”. (Documento de Aparecida)
Daí infere-se qual é nossa missão no hoje da história. Não se trata de conservar a fé na sua genuína ortodoxia, e, sim, ser a Igreja em saída para o anúncio do Evangelho.
É bom pensar!

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