Os ditadores precisam do culto à celebridade, mas uma sociedade saudável precisa de mentes livres

Economiaenegocios Artigos 21 Maio / 2018 Segunda-feira por Padre Ari

É bom lembrar que se aspiramos ter uma representatividade idônea e transparente no gestar da “Coisa Pública”, é preciso prescindir das emoções, de partidos, simpatias para com os candidatos, ou seja, verificando sua história de vida, a honestidade, o caráter, lisura no agir e transparência em sua conduta.
Em pleno século XXI, com todo o avanço tecnológico nas mais diversas áreas do conhecimento é notório que a responsabilidade de alguém que se apresenta como candidato para gerir a “Coisa Pública”, toda a sociedade deve conhecê-lo e ter a certeza do perfil do mesmo. Afinal de um Estadista se requer uma conduta de lisura e transparência. Isso, sem dúvida é condição “sine qua non” para a edificação e condução de uma nação séria, desenvolvida e justa.

Por outro lado, o critério básico para uma nação próspera não é a suficiência dos recursos naturais e financeiros para o crescimento e progresso, mas a valoração dos elementos que são fundamentais tanto no respeito à dignidade humana como para o meio ambiente, pois tudo é natureza, também o ser humano. O pecado que mais se percebe na atualidade é justamente a visão unidimensional que perpassa a conjuntura política socioeconômica, e, que nas últimas décadas foi se implantando no imaginário da sociedade.
Urge retomar no imaginário do tecido social a consciência de que não se pode admitir uma fragmentação entre economia e sociedade. Essa visão tem levado ao imaginário da cultura contemporânea a dar prioridade ao dinheiro, ao acumulo de bens materiais, e, na maior parte das vezes de forma ilícita e corrupta em benefício de poucos. Sem aprender a lidar corretamente com o dinheiro, especialmente o “dinheiro público” desviando para interesses próprios em prejuízo à nação, jamais conseguiremos um desenvolvimento saudável.

“O dinheiro nunca deve se tornar autônomo {...} ele {deve} servir à vida humana {...} o valor do dinheiro é mensurável, o dinheiro tem um valor, mas não é um valor {...} a diferença entre valores em si e o valor do dinheiro está em que significa ser, o outro ter”. (GRÜN, Anselm – ZEITZ, Jochen – Deus, Dinheiro e Consciência – Vozes – 2012).

A complexidade em que está inserida a atual cultura mostra o quanto a mesma está doente e decadente. Urge, portanto, nesse ano eleitoral ao escolher os novos gestores da nação, critérios definidos para com o perfil dos candidatos, pois a nação mais do que nunca precisa de pessoas idôneas, altruístas e preocupadas para que o bem comum seja uma realidade. O país precisa se livrar de Estadistas desonestos, egoístas e inescrupulosos.
O momento histórico, em nível mundial, mas, mormente em nosso país deve-se ficar atento em tempos de mudança dos gestores públicos para não se repetir experiências tristes e vergonhosas de corrupção e desvios de somas significativas aos cofres públicos, aliás, que poderiam resolver problemas como da saúde, da educação, da melhoria de estradas, da pobreza e miséria de muitos que acabaram sendo excluídos da sociedade, marginalizados e sobras. O caráter e a personalidade de alguém que aspira cargos públicos sejam em nível da nação, de empresas ou de qualquer outra organização, também religiosa é fundamental para tempos diferentes e inclusivos. Infere-se daí, sempre levar em conta o perfil e a idoneidade dos candidatos.
Deduz-se daqui a importância de uma construção no decorrer da educação das crianças e jovens, uma grade curricular que contemple as diversas etapas da educação, ou seja, não apenas frisando a formação técnica, mas a formação de um Eu saudável e equilibrado que provém sempre dos valores, virtudes e princípios que formam o todo da pessoa. “O Eu é o centro da personalidade”. As lideranças do futuro em todas as organizações, e, no caso específico da “Coisa Pública”, os candidatos devem preencher os requisitos básicos de um Eu maduro. Se não for, esse(a) é alguém que jamais deve assumir qualquer cargo de responsabilidade em que esteja em jogo o todo de uma sociedade.

Portanto: Convido o leitor a lançar um olhar sobre os candidatos que aí se apresentam para gerir a “Coisa Pública”. Analise seu perfil, sua vida pessoal, familiar, social antes de elegê-lo, pois a partir daí é que se tem uma pequena noção do futuro do país, de uma empresa, das diversas organizações, também as religiosas. Ele precisa saber “...desenvolver sua história social através das funções psicossociais mais complexas, como solidariedade, altruísmo, generosidade, cidadania, interação social, trabalho em equipe, debate de ideias e pensar como espécie”. (CURY, Augusto – A Fascinante Construção do EU – Como desenvolver uma mente saudável em uma sociedade estressante – Academia – 2011). E segue:
“Se uma pessoa tiver um Eu saudável e inteligente com as funções vitais bem desenvolvidas, terá substancial consciência de si e da complexidade do psiquismo e jamais se inferiorizará ou se colocará acima dos outros”.

Essas certamente são linhas mestras para alguém se apresentar como candidato para um novo Brasil e um novo tempo. Quem deseja administrar uma nação da dimensão do Brasil precisa de um Eu maduro “...que não se sentirá diminuído {ante as críticas e observações a sua gestão} nem terá impulsos de super valorizá-lo”.
A humanidade, mormente nosso país só terá mudanças profundas e significativas para um mundo melhor e justo, quando tivermos a devida consciência que em momentos como este, ou seja, ano eleitoral e dentro de uma autêntica democracia, saibamos fazer as escolhas conscientes e criteriosas dos candidatos. Isso em outras palavras quer dizer, candidatos que tenham um passado limpo, idôneo, caráter e personalidade bem estruturada, sedimentada em valores e princípios ético-morais.
“Um Eu saudável e inteligente pauta sua agenda social pela flexibilidade, pela capacidade de expor seus pensamentos e nunca impô-los. Tem a consciência de que todo radicalismo é fruto de imaturidade e insegurança. Sabe, por exemplo, que quem defende radicalmente suas ideias ou sua religião depõe contra a aquilo que crê, não está convencido do que crê, pois se estivesse não precisaria de pressão. Sabe também que quem defende radicalmente o ateísmo é emocionalmente imaturo”. (CURY, 2011).
Um Brasil novo, responsável, criativo é possível, mas todo o cidadão deve ser ciente de que é o povo que com consciência crítica e apurada, fará a diferença para uma nova nação.
É bom pensar!

Categorias:   Notícias | Artigos | Economia e Negócios | Estilo | Cultura | Esportes