Economia de mercado urge de nova compreensão: Ela é apenas um meio e o objetivo final são os "Objetivos Sociais"

Economiaenegocios Artigos 14 Março / 2017 Terça-feira por Padre Ari

Nenhum dos sistemas usados até então, não respondem ao anseio de vermos um tecido social humanizado, justo e fraterno. Todas as ideologias defendidas ao longo do percurso de séculos, mormente os últimos, não conseguiram proporcionar uma mudança substancial na formação de uma sociedade onde o homem vivesse a igualdade social.
Frisa-se que toda a ideologia na forma de dinamizar a realidade, carrega sobre si uma conceituação que não deixa de ser um contexto de parcialidade do todo, dando vazão a sérias distorções daquilo que é essencial ao tratar-se do objetivo último da ação econômica.
Pergunta-se então! Quais os anseios da sociedade?
“Ter uma vida saudável, com boa habitação, segurança, acesso à educação e à cultura, e, com diversas formas de lazer”. (DOWBOR, Ladislau – A reprodução social Vol. II – Política econômica e social: Os desafios do Brasil – Vozes).
E segue: “...é exatamente o que queremos da vida, e não nos massacrarmos na competição para ter uma geladeira mais elegante, um som mais potente, um carro mais rápido (...) se o crescimento propriamente econômico não nos assegura uma vida mais agradável, e ainda gera a polarização entre ricos e pobres, a destruição ambiental é de uma inversão perversa e de uma profunda desorientação quanto aos objetivos da humanidade”.

Fica explícito que o tecido social através de pensar a própria realidade em curso faz-nos ver que uma nova reorientação é que nos colocará de volta nos rumos civilizados do desenvolvimento.
Portanto trata-se de um “...novo paradigma do desenvolvimento que coloca as pessoas no centro do desenvolvimento, e considera o crescimento econômico como meio e não como fim”. (ibidem).
Esse é o desafio que se tem pela frente “...postular a política nos termos de eticidade e da moralidade pública, pois é onde o sentido da vida e de mundo se conjugam para dar origem e destino a uma nova racionalidade institucional no interior da governabilidade do Estado e para a exterioridade das ações comunicativas”. (MARQUEZ-FERNANDEZ, Álvaro – A ética na vida da pólis – Universidad del Atlántico/ Editora Harmonia – 2014).
São pressupostos a serem levados em consideração, até porque, o conceito de cidadania tem grande relevância no fazer acontecer as transformações para que surja um novo tecido social com base em oportunidade para todos. Por outro lado, infere-se deste paradigma uma hermenêutica de que “...a convicção da exigência da autonomia para a economia, não deve aceitar “influências” de caráter moral, que impeliu o homem a abusar dos instrumentos econômicos até mesmo de forma destrutiva”. (BENTO XVI – Carta Encíclica “Cáritas in Veritate, 34).



A SUPERAÇÃO DO BINÔMIO CAPITALISMO X COMUNISMO E OS TOTALITARISMOS

A situação em que se encontra o mundo pós-globalizado retrata com nitidez que todas as ideologias até então exaltadas como resposta aos problemas sociais, local e mundial não se encontra na falta de recursos, com exceção, embora exija uma mudança de sistema que esteja mais comprometido com o objetivo último da economia, que sempre é o bem comum para toda humanidade, ou seja, que nenhum Estado-Nação seja excluída de participar do progresso e do desenvolvimento.
Portanto, dentro dessa lógica exclui a acumulação de bens e maior qualidade de vida a todas as pessoas.
Na prática significa ter presente que a dignidade do ser humano, “imagem e semelhança de Deus” é prioridade no gerir a “Coisa Pública”, como também diz respeito a um desenvolvimento inclusivo.
Nisso fica claro que o sistema comunista fracassou, pois sempre acabou num capitalismo de Estado, com opressão, falta de liberdade de expressão, sem diálogo e cruel na forma de punir quem não comunga com tal ideologia. A história é testemunha de tudo isso. Por outro lado, o capitalismo existente é obrigado a olhar para si mesmo, pois a sistemática não é muito diferente, apenas mais sutil, visto as injustiças gritantes entre ricos e pobres. Como explicar e compreender que 437 famílias detêm em nível mundial as maiores fortunas do que é produzido, e isso, através de vários mecanismos, como a especulação financeira que não produz nem bens e nem serviços? Vejamos o que diz a “Carta Social do Mundo de Copenhague de 1994”. “Acreditamos coletivamente que o nosso mundo não pode sobreviver com um quarto de ricos e três quartos de pobres, meio democrático e meio autoritário, com “oásis” de desenvolvimento humano cercados de desertos de privação humana”. (apud – in DOWBOR, Ladislau).
E segue o resumo da carta: “Comprometemo-nos a empreender todas as ações necessárias, nacional e globalmente, para reverter às tendências presentes de crescentes disparidades dentro e entre as nações”. Voltando o olhar para a realidade do Brasil se pode deduzir três razões que bloqueia a fluência de uma nova ordem sistêmica e moderna de “Gestão Pública”, equilibrada e justa, pois o problema não é o dinheiro, mas gestões com sistemas falidos e obsoletos, ou seja, a falta de lisura e transparência. 1. Uma má destinação dentro dos setores, tais como educação e saúde resultando em subsídios para os tipos de programa que alcançam certa classe. 2. A má destinação entre os setores, tais como educação e saúde, resultando em subsídios públicos relativamente altos para setores como Previdência Social e Habitação, que servem principalmente à classe média e os ricos, em comparação com setores como o da nutrição, que servem principalmente os pobres. 3. Falha dos programas em alcançarem os grupos mais pobres e carentes (ibidem).
Em outras palavras significa que há recursos sim, mas mal direcionados, mal geridos e mal utilizados, fora as escandalosas fraudes que impreterivelmente conduzem a uma corrupção vergonhosa. E não se trata de milhões, mas quem sabe de trilhões. É a partir desses pressupostos que se confirma que na realidade não há falta de dinheiro, e sim de lógica institucional, de formas de gestão sem controle. Disso infere-se que são necessárias novas políticas cujo sistema possa ter a necessária força de impulsionar maior crescimento sustentável e justo para todos, pois o que se percebe é que o grosso dos benefícios favorece as classes médias e os ricos.
Portanto, a mudança no gerir a “Coisa Pública” deve estar no centro das preocupações, ou seja, governo X sociedade participativa, onde o próprio tecido social através dos diversos segmentos que compõem o Estado-Nação tenha voz ativa nas decisões da “Gestão Pública”.
É bom pensar!

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