Entrelivros II

Lançamentos

HOMO DEUS –Uma breve história do amanhã, de YUVAL NOAH HARARI.
O escritor nasceu em 1976 em Israel. É autor de “Sapiens, uma breve história da humanidade”, best seller publicado em mais de 35 países. Neste novo livro, volta a combinar ciência, história e filosofia para entender quem somos e descobrir para onde vamos. Sempre com um olhar no passado e nas nossas origens. Harari investiga o futuro da humanidade em busca de uma resposta tão difícil quanto essencial: qual será nosso destino na Terra?.

O CONTO DA AIA, de Margaret Atwood. Uma das maiores escritoras de língua inglesa, a canadense Margaret Atwood foi consagrada com alguns dos mais importantes prêmios internacionais. Em uma narrativa surpreendente, ela revela os cantos escuros por trás de todo poder estabelecido, em um mundo onde tendências políticas atuais são levadas às suas conclusões lógicas. Uma poderosa reflexão sobre liberdade, direitos civis, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente.

Comentários.
As palavras voam, a escrita permanece. (“Verba Volant, Scripta Manent”).
Dominar o fogo, inventar a roda, fabricar a pólvora, sintetizar a penicilina, modernizar a imprensa e expandir as comunicações foram passos decisivos que impulsionaram a humanidade rumo à civilização. Entretanto, a conquista mais espetacular foi a língua, e seu veículo, a palavra, e seu suporte, a escrita.

Na Idade Média os monges exerciam o monopólio do conhecimento. Os mosteiros eram os lugares que tinham as poucas e incipientes bibliotecas da época. Tudo era manuscrito e eles se revezavam em conservar, copiar e ilustrar os textos da antiguidade clássica greco-romana. Os livros eram guardados a sete chaves. A disseminação do conhecimento era olhada com reservas pelos poderosos. No “index” dos livros proibidos constava a “Poética”, de Aristóteles, que tratava da comédia e incentivava ao riso. O riso era condenado pela Igreja porque aliviava o medo e sem medo não havia como impor a lei e o temor de Deus aos aldeões.
Esse ambiente histórico foi retratado magistralmente por Umberto Eco em seu romance “O Nome da Rosa”. O nome da rosa era um dístico da época e significava “o infinito poder das palavras”. Eco, falecido recentemente, previu vida longa para a palavra impressa, apesar dos suportes digitais. Disse ele: “O livro é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação, é fácil de carregar, é inquebrável, mecanicamente reproduzível, é decorativo, um triunfo do design e pode ser lido à luz de velas. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos”.

As irmãs Brontë.
Três escritoras, um caso raro na história da literatura mundial, professoras dos filhos dos abastados da época, lutando pela emancipação feminina, contra os preconceitos e contra a penúria. Morreram muito jovens, pela casa dos trinta anos. Escreveram poesias e romances. Charlotte(1816-1855) escreveu “Jane Eyre”, clássico várias vezes filmado, e “Villete”, que giram em torno das atribulações de jovens governantas. Emily(1818-1848) é a autora do clássico “O Morro dos Ventos Uivantes”, tembém filmado e libreto de uma ópera, e Anne(1820-1849) que escreveu os romances “Agnes Grey” e “O Inquilino de Wildfeel Hall”.

Os rinocerontes.
O assunto da peça teatral “Os Rinocerontes”, de Eugene Ionesco, um dos precursores do teatro do absurdo, é uma estranha moléstia que ataca a população de uma cidade. Aos poucos todos os habitantes vão se transformando em rinocerontes. Alguns resistem porém todos terminam por se rinocerontizar. Ao final as pessoas formam uma imensa manada. A obra é uma farsa, mas no fundo a história é trágica. Alude a todas as modalidades de totalitarismo, a todas as tentativas de massificação, da redução da pessoa à condição de mero parafuso numa gigantesca máquina estatal.

Um pensamento.
O mundo nunca é o mesmo. Novo é cada momento da vida. A função da literatura é captar o que nos escapa. A literatura nasceu com a espécie humana. Literatura são as histórias que agrupavam os habitantes de cavernas. A literatura desbrava agora e sempre. A literatura desaparecerá no silêncio do último homem. (Donaldo Schuler).

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