Entrelivros

Lançamentos

“O Ano Nu” – Boris Pilniak; “Inveja” – Iuri Oliécha; “Diário de Kóstia Riábtsev” – Nikolai Ognióv; “Nós” – Ievguêni Zamiátin e “Viagem Sentimental” – Viktor Chklósvski.
Publicações da Editora34, na Coleção Leste, com traduções diretas do russo. Todas as narrativas procuram captar, no calor da hora, a atmosfera caótica dos primeiros anos da revolução russa. Publicadas na década de 1920, as cinco obras dialogam diretamente com a revolução de 1917 e dão prova da diversidade de caminhos estéticos e da extraordinária força inventiva do período.

“Contrastes e Confrontos” – Euclides da Cunha.
A primeira edição do livro reuniu, em 1917, os artigos publicados em jornais. Esses textos compõem um retrato dos primeiros anos da República, no qual Euclides expõe sua visão a respeito de figuras históricas e de questões sociais que acompanham o país até hoje. As crônicas valem como registro da História e trazem à luz as posições de um dos maiores escritores brasileiros, autor de “Os Sertões”.

“Terra dos Homens” - Antoine de Saint-Exupéry. O relato do escritor vai do Saara aos Andes, episódios da vida como piloto, entre os anos de 1926 e 1935, narrados com riqueza de detalhes, principalmente na época em que prestava serviços à Aéropostale.Quase sem água e sem alimentos por 14 dias, o autor e seu mecânico são os principais personagens desta história. Terra dos Homens lida com os laços de amizade, a resignação diante da morte, a camaradagem e a solidariedade presentes no ser humano quando em busca de um sentido para a vida.


Comentários

As primeiras traduções para o português das obras dos grandes escritores russos do século XIX (Púchkin, Tolstói, Dostoievsky, Tchekhov, Gógol, Turgueniev) baseavam-se sobre traduções inglesas e francesas. Essas traduções não eram literais já que cortavam ou reescreviam trechos das obras, adaptando-as aos gostos da época. Coube a Boris Schnaiderman, imigrante nascido na Ucrânia que veio para o Brasil em 1925, o início de traduções para o português diretamente do russo. Ele foi o personagem fundamental na difusão da literatura russa no Brasil. Fundador do curso de letras russas da USP (Universidade de São Paulo) e primeiro tradutor de “Os Irmãos Karamázov”, de Dostoievsky. Formou uma escola de tradutores do russo para o português, onde se destacam os nomes de Paulo Bezerra, Rubens Figueiredo e muitos outros.

Dante Alighieri (1265-1321).
O grande poeta (A Divina Comédia) foi vítima das grandes lutas políticas da sua época (Guelfos Brancos x Guelfos Negros). Expulso de Florença, sofreu amargo ostracismo até o fim da sua vida. Em certa ocasião informado por um amigo e admirador , de que a facção política que dominava a cidade poderia anistiá-lo e permitir seu retorno, desde que pagasse determinada quantia e admitisse sua culpa em humilhação pública, respondeu (Epístola XVI) repudiando a oferta com muita dignidade, que melhor seria continuar no exílio se não pudesse voltar de cabeça erguida e sem ofensas às suas fama e honra. Para ele, onde quer que estivesse, isto não seria empecilho de continuar a ver o sol e as estrelas e nem o pão lhe faltaria. Não entregaria dinheiro aos que o condenaram injustamente e que agora queriam passar por beneméritos. Preferiu o exílio definitivo e faleceu sem nunca ter voltado à sua pátria. Seus restos repousam em Ravena, cidade que o acolheu em seu infortúnio.

Biblioteca

Sou um comprador de livros compulsivo. Quis formar uma grande biblioteca. Li muitos, outros fui deixando para depois. Hoje me olham furtivamente da estante, indagando quando terei tempo finalmente para lê-los antes que as traças os destruam e a morte nos separe. “Olhe, eu sou o Balzac das ilusões perdidas, eu sou o Proust em busca do tempo perdido e eu o Dostoievski dos crimes e castigos”. Esses apelos me deixaram mais humilde. Ainda compro livros, procuro lê-los, e retomo a leitura daqueles que deixei para trás. Borges em sua cegueira visionária imaginou uma biblioteca tão vasta quanto o universo, com um número indefinido de galerias hexagonais repletas de estantes se sobrepondo até ao infinito. Lá estariam todos os livros de todos os tempos. Para ele “ao fim de tudo só ela permaneceria, iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta”.

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