A erosão das democracias e os sinais de alerta

Em tempos conturbados da história sempre incide e significa a prática de mudanças e transformações, mas, ao mesmo tempo exige prudência e senso crítico ante as mesmas. Essa dinâmica na temporalidade, sem dúvida, desafia e aguça um estado de atenção como nos pede a postura de estarmos atentos aos sinais que sutilmente perpassa o imaginário do Construto Político Socioeconômico.

Por outro lado se percebe nesse início de século, aliás, e que chama a atenção de pessoas de bom senso um enfoque sobre a efervescência continuada no seio do tecido social. São inúmeros os conflitos permeados por ideologias diversas e contraditórias que se movimentam em diversos ambientes da sociedade, tanto em nível local quanto mundial.
Por outro lado, nem sempre nessa transversalidade e confusão de ideologias e concepções de mundo é nítido qual o caminho que seguirá esses diversos paradigmas e concepções de mundo vigentes. Conhecendo a história da humanidade, sabe-se que esse processo é cíclico, pois, de tempos em tempos vêm à tona muitos elementos estranhos embutidos em todas as culturas que, se por um lado, são positivos e acrescentam algo para o bem da humanidade, por outro, sempre aparece no seio destas concepções de mundo o joio. Ora isso deve levar os lideres a estarem atentos a essas forças que sutilmente atual na subjacência deste processo. Tal realidade acontece com quem gesta a “Coisa Pública”, como também outros setores da sociedade, ou seja, no empresariado, nas religiões e nos diversos setores que compõem o tecido social de uma nação.
Em contrapartida tal realidade, sempre que há verdadeiros e autênticos líderes, aliás, e que estejam preocupados com o bem estar da sociedade seja local ou mundial, vai exigir dos mesmos uma consciência crítica para promover o devido discernimento daquilo que edifica ou não uma nação e daquilo que pode levar tudo a uma situação de barbárie. Dando continuidade ao artigo da semana próxima passada, sem dúvida essa realidade requer uma visão crítica e apurada ao jogo político em questão. Por quê?
Embora dentro de um processo democrático todos tenha o direito de opinar e expressar sua opinião, no entanto, há sempre limites a serem observados e preservados em vista do bem comum. A democracia é um sistema que tem abertura ao pluralismo, mas, e, sobretudo procura conduzir o tecido social a uma concepção paradigmática saudável, pois jamais se pode negligenciar que a mesma fique a deriva de simples opiniões aleatórias, afinal a mesma necessita de diretrizes básicas, que no final haverá de defender e preservar o bem comum de todos os cidadãos e não somente de alguns privilegiados. Portanto tal imaginário sempre há de exigir líderes autênticos nos diversos Partidos Políticos constituídos vigilância e acompanhamento constante, para que assim não haja brechas a um apagão da luz democrática e abrindo espaço para uma “sombra” que, infelizmente, sempre ronda uma oportunidade para regimes antidemocráticos cujos interesses além de sombrios, escusos, astutos e cruéis são nocivos a qualquer país que queira viver a prosperidade e o dom da paz. É preciso aprender com experiências dolorosas e assassinas de um passado não tão distante.
Em contrapartida experiências do passado podem nos fornecer para o contexto civil e organizações diversas, também estadistas idôneos e bem intencionados. Todos os Partidos Políticos devem ter uma consciência com base em valores e princípios. Afinal é condição para fazer o discernimento daquilo que vai edificar a nação, e, do que pode conduzir à barbárie, ceifando vidas inocentes em favor de ideologias perversas e inescrupulosas como já houve num passado recente.

A virtude da prudência e do bom senso em relação ao andamento dos paradigmas adotados pela sociedade, jamais deverá negligenciar paralelamente aos Partidos Políticos constituídos, pois junto ao sistema democrático, quer queiramos ou não, sempre ronda a “sombra” de regimes antidemocráticos que sutilmente agem com interesses dúbios, astutos, sombrios e nocivos se quisermos um sistema para a perpetuação de uma nação soberana, livre e saudável.
Sempre é sábio e prudente conhecer a história retrospectiva da humanidade, pois a mesma traz em seu bojo muitos exemplos a serem seguidos, embora, e por outro lado, há experiências trágicas por ingenuidade ou por uma “pisada em falso” e/ou por um erro de cálculo com consequências desastrosas. Nesse sentido torna-se importante a educação para a “politização” das novas gerações, aliás, que não se trata de optar por nenhuma ideologia e/ou sistema, até porque nenhum sistema é ideal. Mas torna-se importante preparar as novas gerações a terem um senso crítico frente aos interesses de nação livre e soberana. Esse processo é construído através da filosofia ao introduzir as crianças e jovens à arte de pensar como também a sociologia que é arte de analisar a realidade e conduzi-la através do pensar crítico. Isso fornece uma ferramenta adequada para o discernimento dos momentos da história. Partidos Políticos sérios constituídos, sempre é interessante e oportuno frisar que nenhum é ideal, pois há acertos e erros, embora alguns sistemas políticos jamais deveriam existir.
No artigo publicado próximo passado já havia dito que, salvo raras exceções, a ascensão ao poder na cultura contemporânea e que conduz a “erosão das democracias”, o processo é paulatino e ironicamente pela via eleitoral, entretanto, por isso é preciso sempre conhecer quem são os candidatos que se apresentam para gerir a “Coisa Pública”, seu perfil e sua vida pregressa, embora e nem sempre ainda seja o suficiente, pois às vezes tais candidatos escondem suas verdadeiras intenções. Aceitam os princípios democráticos para ascender ao poder. Esta realidade aparece tanto na “direita extrema” como na “esquerda extrema”, daí a necessidade de identificar quem são eles, como já abordei acima.
É sábio da parte dos Partidos Políticos constituídos estarem conscientes desta realidade para jamais compactuar com pessoas com tendências extremas, afinal, na prática é dar um “tiro no próprio pé”. Sempre a prioridade é salvar e defender o “sistema democrático” e, isso é o papel dos Partidos Políticos.
Outro aspecto a ser levado a sério são as observações que o sociólogo Juan José Linz, que nasceu em Weimer na Alemanha e criado em meio à guerra civil na Espanha tem trabalhado. É um Cientista político, sociólogo com destaque em Ciência Política na Universidade de Yale, conhecido por suas teorias sobre sistemas de governo autoritários e totalitários. Entre tantos livros que publicou chama a atenção: “Autoritarismo e Democracia”. Neste livro de 1978, desenvolveu algo interessante e com solidez quando diz: “...o papel dos políticos, {é importante} ao mostrar que o comportamento {dos mesmos} pode reforçar a democracia ou colocá-la em risco”. A partir desse pressuposto ele chega à conclusão quando propõe quatro principais indicadores na identificação de políticos antidemocráticos com um perfil comportamental autoritário.
Com base neste trabalho elaborado por ele, alerta como os políticos de partidos constituídos devem se preocupar:
1. {Quando} rejeitam, em palavras ou ações, as regras democráticas do jogo.
2. {Quando} negam a legitimidade de oponentes
3. {Quando} toleram e encorajam a violência
4. {Quando} dão indicações de disposição de restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia. (fonte: apud Juan Linz – in Como as Democracias Morrem – LEVITZKY, Steven – ZIBLATT, Daniel - Zahar – 2018 – p.32).
Os sociólogos acima citados concluem em seus comentários, tomando como base Juan Linz ao afirmar: “...um político que se enquadre mesmo em apenas um desses critérios é motivo de preocupação”.

Em outras palavras pode-se dizer que na subjacência desses paradigmas aparecem as figuras que nos são conhecidas, ou seja, os “populistas” que se proclamam como os portadores da “voz do povo”. Convido a ler a primeira parte desse artigo publicado na semana próxima passada, com os exemplos de estadistas que assim procederam. Nancy Bermeo, cientista política afirma: Os Partidos Políticos constituídos no que se refere à democracia {devem} ter a “...{capacidade e a coragem} de se distanciar dos extremistas nas bases de suas fileiras {...} afinal todos os Partidos Políticos que defendem a democracia devem “isolar sistematicamente” e não legitimá-los.
Em tempos extraordinários, “...as lideranças partidárias {devem ser} corajosas em relação a extremistas como sérios competidores eleitorais {e}forjar uma frente única para derrotá-los {e} comprometer-se com a ordem política democrática”. (ibidem p.35). E segue:
“...Frentes democráticas unidas podem impedir que extremistas conquistem o poder, o que pode significar salvar a democracia”.

É bom sempre estar atentos e abertos à realidade que nos rodeia!