Conceitos obsoletos e anacrônicos presentes na sociedade Pós-Moderna

A Conjuntura Política Socioeconômica e religiosa passa por um momento curioso dentro da recente história da humanidade, ou seja, a persistência de binômios linguísticos que retratam um tecido social que joga constantemente antigos e superados binômios, a saber: conservador X progressista; direita X esquerda; comunista X capitalista; socialismo X totalitarismo e tantos outros paradigmas que não mais devia ocupar espaço numa sociedade globalizada. Dentro desses imaginários os mesmos trazem no seu bojo preconceitos históricos, como tem alimentado o que denomino de: a “Era dos Extremos”.

Diante do avanço da tecnologia e do desenvolvimento em todos os setores do conhecimento humano, percebe-se cada vez mais um retrocesso na compreensão do significado que se esperaria de uma civilização real onde os valores, princípios, as virtudes cardeais e teologais seja o fundamento de uma nova realidade no contexto da política socioeconômica e religiosa da atualidade. Vive-se numa cultura dos extremos, pois falta sensatez, idoneidade e capacidade para refletir a situação de extremos que se vivencia na atualidade e em todas as dimensões societárias.
Há em muitos aspectos na atual cultura e no imaginário do tecido social paulatinamente um processo de desintegração da pós-modernidade, até porque, com o globalismo inserido nos Estados Nações há uma tendência para os nacionalismos, aliás, que não deixa de ser uma contradição ante a globalização da tecnologia, do desenvolvimento, da economia e da política. Por trás disso e com muita sutileza emergem sob o ponto de vista da política uma autocracia que neste momento da história perfila em muitas nações, através de regimes férreos e moralistas e se apresentam como os “salvadores” da Pátria. No entanto, fica patente que a elite na subjacência da conjuntura tenciona sutilmente resguardar seus privilégios com a clara intenção do ter e do poder.
Em contrapartida os conflitos dos binômios acima citados já provaram na história recente que são brigas fora do contexto da atualidade. Por quê?
Conservador e progressista; comunismo e capitalismo e outros, não possuem mais razão de ser. Afinal no tocante da economia de nosso tempo, fica claro que toda a nação que quiser fazer com que o Estado possua em seu poder os meios de produção está definitivamente falida, e, a história tem nos mostrado a experiência de muitas nações que adotaram tal sistema, mas fracassaram, pois não é função do Estado interferir na economia retendo os meios de produção, mas vigiar a distância e acompanhando o fluir do mercado seguindo as leis que são próprias da ciência econômica.
Em contrapartida, através da tese de Ludwig Van Mises e Murray Brotbard, pertencentes à Escola de Economia Austríaca, os mesmos defendem uma economia de livre mercado, sim, mas com uma preocupação antropológica cujo fim a ser alcançado é a “justiça social”. Nisso a Escola Econômica Austríaca aponta uma alternativa importante diante do fracasso dos sistemas vigentes na América Latina e nos Estados Unidos da América, pois a economia deve sempre estar a serviço da sociedade e, não em torno de si mesma com enfoque último na especulação do dinheiro.
Essa visão vai à contramão da Escola de Chicago e outras escolas que não contemplam o tecido social e, sim, o “eficientismo econômico”, que frisa o pragmatismo e o utilitarismo da economia. Diante desse imaginário as acusações de comunismo e capitalismo, das sociais democracias e totalitarismos são conceitos que envolvem brigas muito mais ideológicas, e/ou por falta de assunto mais edificante. É algo concreto e que estão preocupados com o bem comum. É estranho quando alguém defende os indefesos, as minorias étnicas, pobres, excluídos e a desigualdade social, considerado comunistas e/ou com outros tradicionais jargões, aliás, todos que são obsoletos e superados. Necessita-se de algo novo para um mundo novo e inclusivo.


TENDÊNCIAS DA CULTURA CONTEMPORÂNEA REDUCIONISTAS PARA ENCOBRIR IDEOLOGIAS PERVERSAS E DESUMANAS ATRAVÉS DE BINÔMIOS ANACRÔNICOS.


A esta altura é interessante conhecer Hilaire Belloc (1870- 1953), grande escritor do seu tempo e considerado por muitos, mas que parece ter sido esquecido e negligenciado das grandes projeções midiáticas e acadêmicas. Ele estava intimamente relacionado ao grande escritor G.K.Chesterton. Eles defendiam uma terceira via da economia conhecida como “distributivismo”, como uma alternativa ao capitalismo e ao socialismo. Dentre os fundamentos do Distributivismo estão os ensinamentos dos Papa Leão XIII e Pio XI. É interessante perceber o livro “I Estado Servil” de Belloc , como o livro de Friedrich von Hayek intitulado “O caminho da servidão”.
É importante dar-se conta que ao se falar em conservadorismo o mesmo não se reduz a meras considerações econômicas, como se conservar significasse relacionar aos mercados econômicos livres. Foi Karl Marx quem “...reduziu toda a glória do homem ao “homo economicus”. Pois para ele {...} tudo sobre a natureza humana, da moral à arte, da filosofia à religião, e todos os aspectos da nossa vida política, poderia ser reduzido ao modo econômico de produção de cada sociedade {...} esta é uma visão atrofiada da nossa humanidade, e não há nenhuma razão para aceitar este princípio marxista”(WIKER, Benjamin – 10 livros que todo conservador deve ler – Mais quatro imperdíveis e um impostor – Ed. Vide Editorial, 2016 p.161).
E segue: “...Para um conservador, isso significa que os aspectos econômicos e políticos de nossa vida são subordinados ao racional, ao moral e ao religioso”. (continua).