No sospecho de nadie pero desconfío de todos

Um dos mais brilhantes jornalistas deste país, José Roberto Guzzo, aborda em artigo que leva o título "Como cumprir o que pede a OMS?, publicado no jornal o Estado de São Paulo, no dia 10 deste mês, em que aborda o que tenho escrito nos últimos artigos.

São trechos do mesmo e marcantes, como segue:

"Para ser um bom cidadão e um bom patriota, hoje em dia, você precisa obedecer às instruções da Organização Mundial da Saúde em tudo o que diga respeito ao coronavirus. É o que mandam fazer o Supremo Tribunal Federal, o Senado, a Câmara dos Deputados, os artistas da TV Globo e o juiz de São João do Meriti: enquanto a OMS não disser que a epidemia está eliminada, mantenha o máximo possível de “distanciamento social”, não siga nenhuma recomendação médica que não seja aprovada pelos chefes da organização e, principalmente, não discuta."

"No começo da epidemia, no final de 2019 na China, a OMS viveu uma intensa fase de “gripezinha que vai passar daqui a pouco”. Disse que o vírus não podia ser transmitido do animal para o homem. Condenou as recomendações de não se viajar para a China. A um certo momento, foi politicamente correto combater o distanciamento. “Abrace um chinês”, recomendava-se nessa época. Depois, à medida em que os mortos começavam a se empilhar, trocaram o sinal e passaram a ser os campeões mundiais da “quarentena radical por tempo indeterminado até a descoberta de uma vacina”. No Brasil, é essa a fase da OMS que está em vigor."

"Desde então, a OMS já disse que se deveria testar a cloroquina como possível tratamento para a covid-19. Tempos depois, determinou que todos os testes fossem suspensos."

" Quando um diretor diz uma coisa e outro diretor diz o oposto, parece haver uma prova provada de que um dos dois está errado."


Vamos recapitular, o papel da OMS nesta pandemia e o que escrevi.

Em quatro de fevereiro deste ano o Governo brasileiro declarou Estado de Emergência em saúde pública para prevenir a chegada do então assim chamado novo coronavírus chinês.
A Declaração foi publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) e definiu que o centro de operações de emergência seria estrutura federal responsável por articular políticas de prevenção à nova doença.

No dia 3 de março passado o colunista Jamil Chade assim colocou no Site do UOL, " A Organização Mundial da Saúde (OMS) insiste que não existe motivo para que o coronavirus seja declarado uma pandemia, principalmente na América Latina onde os casos são limitados".

Mas, em 11 de março foi o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que informou que a propagação do coronavírus não era Epidemia mas sim uma Pandemia. Essa demora na divulgação sobre algo que já estava acontecendo desde o final de 2019 causa estranheza até os dias atuais.

Em 23 de fevereiro, uma sexta - feira começaram as festas de Carnaval no país. Todos os prefeitos e governadores dos Estados, onde a folia é mais representativa e grande atração nacional e internacional, jamais pensaram em cancelar o evento. Hoje os Estados que tem o maior número de casos de contaminação e óbitos, são os que ignoraram a declaração federal. Podemos citar São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

Em 15 de abril, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a autonomia dos Estados e Municípios no combate a pandemia, retirando os poderes do governo federal.

Entretanto, governadores e prefeitos colocam a culpa da contaminação e das mortes na conta do governo Federal.

E, quando o ministério da Saúde quis fazer uma revisão no cálculo dos que realmente haviam morrido pelo Covid - 19, a gritaria foi geral, retumbado pela grande imprensa e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes foi acionado.

Não ficou só aqui no país, a OMS pediu "transparência" nas informações. Logo ela!

Quem deveria coordenar as ações de combate a pandemia seria o Ministério da Saúde, mas suas atribuições como já foi dito foram retiradas pelo STF que determinou que só os Estados e Município é que poderiam atuar. Esses seguem as determinações da OMS, que ora diz uma coisa para logo a seguir dizer o contrário.

Talvez, como os seus membros são de diferentes países, ficou uma Babel sem uma única linguagem. Dito como inovador aqui no Brasil é usar modelos de colocação de cores por regiões, copiados da França. C'est vrai!
No país o Legislativo e o Judiciário se uniram para retirar os poderes do Executivo, mas o STF foi mais além, investiga, julga, prende e censura quem critica a corte e ainda mais, legisla também, usurpa também o aliado Legislativo.

Os prefeitos e governadores vendo a arrecadação cair assustadoramente e terem arrasado as economias dos Municípios e dos Estado, ora flexibilizam o confinamento imposto, ora ameaçam rancorosamente com fechamento total. Todos esperam por determinações da OMS.

Esta fica em dizer bobagens, dando autorizações para a seguir dizer o contrário, tendo como justificativa é que foram mal entendidos. É o padrão das explicações da OMS.

Tenho dito e repetido, o que sabem é que nada sabem.

Todos acima citados são culpados, uns muito mais, outros menos, mas ainda posam de salvadores da população. Assim acreditam.

Entretanto, quem realmente está "combatendo o coronavírus" é a Polícia Federal, que com o resultado de suas investigações está realizando buscas, apreensões e prisões, pelo desvio do dinheiro que seria destinado a diminuir os efeitos da Pandemia.

Nesta balburdia todos falam, sem conteúdo e certeza e isso é feito pelos dirigentes municipais e estaduais, parlamentares e até pelos membros da alta corte.

Parecem seguir as falas do grande cômico mexicano, Cantinflas (nome artístico de Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes ). A sua comicidade estava nas explicações. Não dizia coisa com coisa, mas parecia ser autoridade no que falava.

Sobre o acima, termino com uma das geniais frases de Cantinflas :

"No sospecho de nadie pero desconfío de todos."










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