Os sufi (não se enganem, o certo é esse mesmo; no singular) são uma das centenas de castas da Índia. São um povo pobre, temente a Deus e que se especializaram em contar histórias que transmitissem aos mais jovens os ensinamentos filosóficos de seus ancestrais.
Esta é mais uma de suas lendas:
Conta-se que em um dos templos nas montanhas, há muito tempo, vivia um grande mestre. Sua fé era considerada inabalável. Seus poderes não podiam ser entendidos de outra forma, que não a própria manifestação divina.
Um jovem, ainda inexperiente demais, quis juntar-se aos monges desse templo, movido pelo desejo de conhecer o Grande Mestre e estudar com ele. Após muita discussão por causa da idade do rapaz, o Mestre o aceitou e passou a ensiná-lo pessoalmente, despertando a inveja dos demais monges.
Num dia de inverno, onde a bruma das montanhas cobria a visão, os monges invejosos se reuniram em torno de uma das fogueiras e decidiram que o jovem discípulo devia morrer. Correram até ele e lhe disseram: “Se tu realmente tens fé e confias nos ensinamentos do mestre, tu saltarás do penhasco adiante e não morrerás, porque tua fé há de salvá-lo”.
O jovem sequer considerou o pedido dos companheiros. Saiu correndo e jogou-se penhasco abaixo. Os monges todos correram, esperando ver seu corpo dilacerado nas pedras lá embaixo, mas, para sua surpresa, o jovem pairava no ar...
O Grande Mestre sorriu.
A segunda armadilha deu-se na travessia de um rio. Os monges aproximaram-se do jovem e disseram: “Se tu realmente tens fé e confias nos sagrados ensinamentos do mestre, tu sairás do barco agora e caminhará sobre as águas, sustentado pela sua fé”.
Mais uma vez, o jovem impetuoso não titubeou. Saiu do barco e pôs-se a andar sobre as águas, para o espanto dos colegas monges.
Vendo aquilo, e lembrando do que acontecera antes, o Grande Mestre pensou: “Se ele pode andar sobre as águas sendo apenas um discípulo, eu certamente poderei fazer o mesmo”. saindo do barco, o Mestre afundou como uma pedra e morreu afogado.
Moral da história: A sua fé independe do seu Mestre.
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A propósito: Ganhar da Argentina numa competição oficial, jogando mal e com um gol de empate no último minuto renova minha fé na ilogicidade da caixa de surpresas do futebol (além de proporcionar o prazer de cair de rir deles). |  | |