A freada de arrumação

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse são personagens descritos na Terceira Visão profética do apóstolo João no livro bíblico do Apocalipse, ou Revelação (João, 6, Os quatro primeiros selos).
Ao serem rompidos os selos do livro que estava nas mãos do Cordeiro, saíram quatro cavaleiros, seriam Peste, Guerra, Fome e Morte.

O Cavaleiro do Cavalo Branco usaria uma coroa e teria um arco em mãos. O Apocalipse é evasivo sobre esse cavaleiro. Para alguns, simbolizaria a Peste. O Cavaleiro do Cavalo Vermelho possui uma grande espada. Simboliza a Guerra. O Cavaleiro do Cavalo Preto possui uma balança numa das mãos. Uma vez que a balança seria o símbolo dos alimentos racionados e dos preços altos, ele representaria a Fome. O Cavaleiro do Cavalo Descorado ou Baio. Representa a Morte, a quem foi dada autoridade sobre grande parte da Terra.

No século XX tivemos duas grandes pandemias. A mais grave de todas foi a Gripe Espanhola, em 1918, que, em estimativas oficiais, matou cerca de 20 milhões de pessoas, extra-oficialmente, acredita-se que tenha sido o dobro desse número. Nessa grande epidemia mundial, cerca de 50% da população foi atingida, sendo que 25% tiveram infecção clínica. Esta pandemia vitimou mais pessoas do que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que fez 14,5 milhões de mortos ao ser encerrada.

Em 1957 surge outra pandemia por um vírus descoberto na China, alcançou Hong Kong e alastrou-se rapidamente para Cingapura, Taiwan e Japão. Em cerca de seis meses espalhou-se por todo o mundo. Esta epidemia afetou cerca de 40% a 50% das pessoas do globo. Contabilizou-se um total de um milhão de mortos. Foi chamada de Gripe Asiática. Nessas duas ocasiões não se mensuraram os cálculos dos prejuízos provocados
Neste século XXI surge esta nova pandemia chamada de Corona Vírus (Covid -19). O mundo se preparou para que mortes em escala mundial fossem reduzidas. Mas, não estava preparado para esse desastre econômico mundial. Que o menor dos efeitos foi inicialmente o fechamento da cidade de Wuhan na China, em que cerca de 12 milhões de pessoas não poderiam sair e ninguém entrar nesse isolamento.

Ao se propagar pelo mundo, a Itália e Irã foram os mais afetados. O norte da Itália com 16 milhões de pessoas sofrerão efeitos do isolamento.

Mas, o que tudo isso tem a ver com a economia?

A China parou a sua produção destinada ao mundo, à vizinha Coréia do Sul não recebe peças e componentes para suas indústrias, sejam automobilísticas como a de equipamentos eletrônicos. E assim continuou pelo mundo em um efeito dominó.

O mundo se acostumou que era a China que tudo fabricava. Tudo o que ela produzia era consumido, seja um cabide, automóveis ou outros equipamentos mais sofisticados. Automóveis montados no Brasil, Coréia, Estados Unidos ou Europa, bem como televisores, celulares, e outros equipamentos eletrônicos, tinham no mínimo 40% de componentes chineses.

Tudo mais barato e entregue nos prazos. A China era a fábrica do mundo.

Ficava-se maravilhado pela rapidez na construção de rodovias, pontes estradas de ferro e edifícios. A China era eficiente em tudo e sempre com melhores preços.

O mundo se acostumou em ser dependente da China. Só que este país parou de fabricar e exportar em uma freada brusca.

Por essa o mundo não esperava.

Os países serão obrigados a aumentar seus gastos com saúde, ao mesmo tempo em que as receitas, sejam governamentais ou empresariais cairão de forma acentuada. Também acontecerá no Brasil e nos seus Estados. Para evitar concentrações de pessoas proibiu-se eventos esportivos, artísticos e aulas.Viajar pelo mundo a passeio ou a negócios nem pensar, assim como foram restritas as entradas em aeroportos e portos..

Mesmo dentro desta situação avassaladora surgiu um efeito colateral positivo. Com a propagação do Covid -19, as fábricas chinesas pararam, os veículos não circularam e as pessoas ficaram em casa. As emissões de CO2 diminuíram em quase 25% em comparação com no mesmo período do ano anterior, o que representa uma redução de 6% nas emissões globais no mesmo período.

Estamos no olho do furacão da pandemia do Corona Vírus, somente mais adiante vão começar aparecer cálculos dos prejuízos que essa causou. Prejuízos para a maioria e ganhos para poucos.

Daqui, posso dizer, sem susto, que serão maiores que a crise Asiática de 1997 e da Moratória da Rússia de 1998. A primeira estourou com a flutuação da moeda tailandesa, o Bath, que se alastrou por todos os países pertencentes à Ásia, então denominados os Tigres Asiáticos. Denominação alusiva ao crescimento econômico, que então se verificava.

A da Rússia, em virtude da queda dos preços do petróleo, que chegaram até 12 dólares o barril. Motivo porque agora que a Rússia não quer que a Arábia Saudita baixe os preços de sua produção de petróleo.

Os prejuízos serão para a maioria e os ganhos para poucos.

Os países vão ter que aprender não ser mais dependente da Fábrica do Mundo, se não quiserem entrar em colapso. Foi preciso que um dos Quatro cavaleiros do Apocalipse, o do Cavalo Branco, viesse por um pouco de ordem neste planeta.

Enfim, no popular, quando o ônibus está cheio, o motorista freia, todos balançam, alguns caem, mas acaba tudo se arrumando.
É a freada de arrumação.

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