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Observei também que este bom de bola era repreendido pelo árbitro da partida, tal a volúpia com que se empenhava nas contendas. Seu nome é Baralho. Os torcedores ordenavam: - vai pra frente Baralho, o técnico pedia: - volta Baralho. O árbitro repreendia: joga teu jogo e me deixa apitar, Baralho. Nos dois times ouvia-se sempre a mesma expressão. O que me dava a impressão que além de tudo ele era polivalente. Suava feito um louco, estava em todas as posições e incansavelmente participava da partida. Quando ele errava um passe ou uma jogada, alguém gritava: - Assim não dá, Baralho!. Quando a jogada era de bom nível, o mesmo torcedor exclamava: - Boa Baralho!. Ao fim da partida, os torcedores dos dois times comentavam: - Este jogo foi do Baralho! O que demonstrava ser o Baralho insuperável no gramado. No último jogo, o atacante, fez, chutando de primeira, um belíssimo gol, aproveitando um lançamento da linha de fundo feito pelo melhor em campo. O atacante saiu correndo em direção a quem havia cruzado, gritando seu nome: - BARALHO e se agarrou ao mesmo, abraçando-o, rolando pelo gramado, e tive até a impressão que chegou a beijá-lo na cabeça em agradecimento pelo passe. Semana passada, fui confundido com o craque. Estava eu parado em um sinal de trânsito, obedecendo ao semáforo, quando o sinal ficou verde, eu custei a arrancar e imediatamente o guarda gritou, olhando para mim: - Anda, Baralho. Tive vontade de voltar e explicar que não era eu, mas não tive coragem. Orgulhoso fiquei, afinal havia sido tomado por alguém de muito respeito e reverenciado em todos os estádios brasileiros. E não consigo até hoje entender porque o meu interlocutor me disse para procurar o Baralho, já que eu havia tão somente respondido ao que me fora perguntado.
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