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Guia de Gramado RS - Serra Gaúcha - Brasil

Gramado RS - Serra Gaúcha

Texto publicado em 19/02/2006* - 22:05, domingo.por oficinadashortensias
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 6 anos e 3 meses!
...Prá tudo se acabar na quarta-feira!
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Típica máscara carnavalesca
Há dez mil anos os camponeses, contentes com a colheita, festejavam seus deuses em cerimônias rituais coloridas e movimentadas: mascaravam-se imitando animais, numa tentativa de aproximação com a natureza, que tão amiga lhes fora. O enfeite dos corpos e a alegria das almas atravessam tempo e culturas, insinuando-se nas tradições de todas as sociedades, qualquer que fosse seu grau de desenvolvimento: festejos ruidosos e turbulentos comemoravam todos os eventos que os justificassem, como um carnaval. Eram pagãs essas festas. Foram toleradas pela Igreja durante a Idade Média, depois de ordenadas e regulamentadas. Mas os limites impostos adulteravam a natureza das festas. Tudo que sobreviveu ao disciplinamento foram as máscaras. Os bailes de máscaras tornaram-se uma tradição em meados do século XIII, mas restringiam-se às camadas sociais de elite. A grande massa da população fazia sua festa de rua sem nenhuma sofisticação, com seus comes e bebes e suas danças improvisadas.

Só no Renascimento as máscaras se popularizaram e as fantasias tomaram feições de costume generalizado. Depois da metade do século XIX, o carnaval se generalizou de tal forma na Europa, que até Londres, a mais puritana das cidades, o festejou sem constrangimentos. Primitivamente, o Carnaval ia de 25 de dezembro, Natal, até o dia de Reis. A Igreja quando o regulamentou, marcou a data dos festejos para sete domingos antes da Páscoa. E foi num destes domingos que o Carnaval chegou ao Brasil, vindo de Portugal. Mas a folia já chegou ao Brasil estigmatizada. Os hábitos carnavalescos portugueses, barulhentos e violentos, transplantaram-se para a colônia. Principalmente o do entrudo, ou seja, as batalhas.

As comemorações que aconteciam nas ruas nem sempre eram lúdicas, por vezes se tornavam perigosas. Os que queriam brincar, e também os que não queriam, eram bombardeados com farinha, ovos podres, esguichos de água. Esse carnaval agressivo, introduzido aqui por volta de 1604, era chamado de entrudo. O entrudo português era o mais selvagem de quantos houvessem na Europa. Por isso foi proibido na colônia, após os primeiros anos de alastramento. De proibição em proibição, o entrudo foi decaindo até o desaparecimento, no começo do século XX, mas sua diluição obedecera a todo um processo sendo substituídos os projéteis perigosos das batalhas, por objetos que não causavam danos físicos, tais como flores, água e farinha, água com limão de cheiro que em 1906 foi substituído pelo lança-perfume mais refinado e galante, cujo uso e abuso se consagraram em pouco tempo. Descendentes legítimos do entrudo são ainda hoje as serpentinas e os confetes, originários da Espanha.

Outros recursos e brincadeiras se foram criando com o tempo, pela evolução do próprio carnaval e dos foliões espirituosos e engenhosos. E a tradição da fantasia foi acentuando-se cada vez mais, no decorrer dos tempos. Carnaval sem fantasia perde muito da sua essência. Disfarce é sinônimo de desinibição em festas como essa. Pierrô, colombina, arlequim, príncipe, chinês, turco, pirata, general ou os freqüentes e diversos diabos eram fantasias das mais refinadas, que foram introduzidas na colônia pela corte de Portugal, por ocasião de sua vinda. Após a 1ª Guerra Mundial e a subseqüente crise financeira atingiram o carnaval brasileiro: as fantasias se simplificaram, ficaram mais modestas. Entretanto, ganharam em originalidade, tornando-se mais típicas, mais regionais.
No final do séc. XIX já começam a aparecer os primeiros blocos de carnaval, os cordões e a introdução do automóvel originando os famosos “corsos”. No começo os cordões eram uma mistura de reis rainhas, bichos, índios, palhaços e diabos em alegre confraria, os pés irrequietos marcando o compasso no chão. Em geral possuíam um conjunto de instrumentos musicais, principalmente os de percussão, reminiscência das fontes africanas: tambor, tamborim, reco-reco e cuíca. O cordão era muito importante no carnaval e era importante para um cordão, ser o melhor do carnaval. Estabeleceu-se assim uma mentalidade competitiva entre eles, que foi producente: de ano a ano surgiam cordões mais caprichados e luxuosos.A porta-estandarte, que levava a flâmula do grupo durante os desfiles, também esforçava-se para participar do clima de rivalidade: procurava superar as demais naquilo que pudesse.

Em 1911, surgiram os “ranchos”. Que vieram substituir definitivamente os cordões. A diferença entre os dois grupos é que no desfile do rancho, tudo gira em torno de uma história, de um enredo. Aos instrumentos de percussão, juntaram-se os de corda: violão e cavaquinho e os de sopro: flauta, pistão e clarinete. Como os ranchos preparassem músicas próprias, elas passaram a ser chamadas “marcha do rancho”. Uma comissão julgadora escolhia os melhores ranchos todos os anos concedendo prêmios, valendo-se de requisitos básicos que ano a ano foram introduzidos como obrigatórios para o julgamento.

“Abre alas” foi a primeira música composta especialmente para o carnaval. Chiquinha Gonzaga, que pertencia ao cordão Rosa de Ouro foi a autora. O samba, tímido no começo do século, em 1917 se impunha e uma verdadeira revolução se instalou na música popular com a criação do gênero carnavalesco. Extravasou os limites do carnaval e passou a ter vigência o ano inteiro. Formaram-se as rodas de samba onde os mais hábeis passistas exibiam sua arte. Aos da “roda”, juntaram-se os componentes dos blocos e dos ranchos. Estavam formadas as “escolas de samba”. No começo não havia uma organização, um sistema administrativo como acontece hoje nas escolas de samba. Cada um se fantasiava como conseguia, sem obedecer a um plano pré-estabelecido ou sem respeitar um enredo básico. Talvez por isso, a Escola de samba da Portela tinha o nome de Vai Como Pode. Mas desde aquela época, cada um desempenhava uma função dentro do grupo: uns tocavam, outros dançavam. Hoje, as escolas de samba são sociedades civis, com registro e tudo. Para a elaboração das fantasias dentro de um mesmo esquema, é escolhido um enredo que serve também para a composição da letra do “samba de enredo” de cada escola. Unidos da Portela, Império Serrano, Salgueiro, Portela, Estação Primeira da Mangueira, entre outras muitas e vibrantes escolas de samba do Rio de Janeiro. Centenas de homens e mulheres, os figurantes, se dedicam inteiramente a cada uma delas: é sua vocação, sua vontade, sua alegria.

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