Vivemos todos (ou quase) num verdadeiro Big Brother. Sim,quando temos orkut colocamos fotos da nossa vida, falamos de nosso perfil pessoal e profissional e das nossas expectativas. Estamos vulneráveis e disponíveis para todo o mundo, encontramos velhos amigos e outros que vão se somando. Todos conhecem quem são nossos amigos, onde passamos as últimas férias, nossos projetos para o futuro, literalmente saímos do casulo.
Claro que não temos um jornalista por perto anunciando provas de liderança e quem é o eliminado da semana. Nem convivemos ao lado de pessoas saradas, mas com pouca massa cinzenta, tampouco numa casa onde impera o ócio e a vadiagem. Não chegaremos ao ponto de sermos capa de revista, tampouco atores de televisão, mas também estamos expostos, em menor escala. Escolhemos as melhores fotos, os melhores ângulos, selecionamos o que querem que saibam de nós.
Talvez tenhamos necessidade que nos vejam. Que saibam que existimos e o dia do nosso aniversário. É interessante saber que no mundo virtual tudo é possível até mesmo trocar de personalidade e passar pelo anonimato, os famosos fakes, o que particularmente não concordo. No fundo, a vida é um Big Brother, pois somos sempre observados, nossas atitudes- ações e omissões- determinam o traçado do nosso destino.
Assim como no programa nós mesmos somos eliminamos. A disputa da vida é maior do que um milhão e meio de reais. A vida não tem preço e é vivida a cada dia. A fama não nos seduz tanto quanto viver em paz em família e ao lado de bom amigos. Entretanto, somos julgados e nem sempre absolvidos pelos nossos atos, tais como os participantes do programa, mas sem sermos heróis ou vilões nacionais.
Melhor é o anonimato orkuteano. É verdade que provavelmente nunca ganharemos um milhão de reais, mas sempre apostaremos na megasena. Nunca seremos convidados para sermos atores de televisão, mas, às vezes, dá para comer uma pizza, discutir em público com alguém ou até mesmo andar mal arrumado, que não seremos objeto de notas de jornal ou de revista.
No fundo, nosso Big Brother é bem melhor, com os altos e baixos próprios da vida, sem jornalistas por perto, nem torcidas organizadas que são pagas, sem luzes, palcos ou olofotes que não duram mais do que alguns meses. Afinal, no final das contas, todos caem no anonimato, mas nem tanto se tivermos orkut, e-mails, blogs, pois o mundo virtual nos coloca na vitrine. |  | |