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Mundo da "gente"
Sou filho igual a muitos.

Igual é um termo muito amplo. Não somos iguais e sim semelhantes...

Passei dos 20 anos.

Mais precisamente 28, ou seja mais perto dos trinta do que dos vinte antes referido. Não é verdade? Será que ter vinte anos de idade é melhor do que trinta? Uma boa pergunta... Ainda pensarei muito neste assunto.


David Iasnogrodski
por David Iasnogrodski
Texto publicado em 05/06/2008* - 00:00, quinta-feira.
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 5 meses!
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Conforto e requinte próximo ao centro.
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Um pedaço da Itália, no CENTRO.
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Num belo dia de verão, quando tinha 26 anos, tive o seguinte diálogo com meus pais, junto do almoço:

- Vou sair. Vou pegar minha mochila e vou embora. Aqui está muito difícil. Prefiro viver sozinho, mas num outro país...

- Puxa, meu filho, vais nos deixar? - Indaga meu pai.

- Sim. Resolvi. E vou...

- Pensaste bem? - Indaga minha mãe.

- Sim. Resolvi. Está bem pensado. E é amanhã...

- Amanhã. Pela manhã. Já tenho até a passagem. Se vocês acharem interessante, e eu gostaria que achassem, poderiam me acompanhar até o aeroporto.

- Certo. Estaremos lá. - Diz meu pai.


E assim aconteceu.

Fui viver a vida.

Num país longínquo.

Fui “encarar” o mundo...

O tempo passou.

As dificuldades apareceram, mas driblei-as...

Fui trabalhar num lugar onde não gostava muito, mas...

Logo saí e recebi uma oportunidade de um trabalho noturno. Sim, trabalho noturno...

Enfrentei, pois era diferente para mim, mas consegui vencer as “agruras”. Tinha que dormir durante o dia. Foi difícil. Muito difícil, mas consegui enfrentar mais essa dificuldade. Mas o que não é dificultoso não tem graça... Não é verdade? Ou pensam o contrário?

O tempo foi passando...


Ganhei e poupei algum dinheiro.

Até que...

- Pai, aqui é o Marcelo.

- Oi filho, tá bem?
- Sim. Tenho muita saudade, mas tenho uma grande novidade a falar.

- O que? Fala logo...

- Gostariam de me visitar?
- Claro que sim. Mas como? Aqui continua muito difícil. As coisas continuam, realmente, muito difíceis. Não mudaram desde que você partiu. Não temos o dinheiro suficiente para realizar “tal proeza”. A proeza de visitar você.

- Estou perguntando, novamente, se gostariam de me visitar.

- Claro, volto a dizer. Claro... Mas a realidade é aquela...

- Bem, então está na “mão”... Consegui, com meu trabalho poupar e estou convidando um de vocês para passar alguns dias comigo. Infelizmente, no momento só posso convidar um de vocês... Tudo por minha conta: passagem e estada.

- O quê? Estás brincando?
- Não estou brincando. Estou falando sério. Bem sério... É um convite de um filho a seus pais. Pena que não posso trazer vocês dois. Seria o máximo...

- Quando?
- Quando vocês acharem melhor... Vocês vão se escolher. Talvez até no “par ou impar”, quem sabe?
Todos riram e choraram...

O tempo novamente passou.

Entre o pai e a mãe, ela foi a escolhida. Não sei como...

Marcada a data, chegou a passagem e Fernanda embarcou.

Lépida e faceira, mas um pouco nervosa. Nunca tinha andado de avião e nem saído do seu país, mesmo de ônibus...

Foi uma festa na chegada.

Esperei junto com meus amigos no Aeroporto. Queria apresentar a todos minha mãe... Foi uma festa. Alegria e choros, mas isso faz parte de todas as festas...

Passou vários dias comigo. Conhecemos tudo, ou quase tudo...

Foi um “programaço”... assim me expressei junto a todos os meus conhecidos.

Alegria geral...

Até que:
Chegou o dia dos “finalmente”... O dia da despedida.

Aí foi só tristeza!
Mas tudo é assim...

- Obrigado meu filho!
- É a minha obrigação. É o pouco que posso ofertar ao muito que vocês me proporcionaram...

- Até breve!
- Sim, até breve...

...............

Fernanda voltou.

Mais uma festa no aeroporto.

Agora o da casa dela... Aeroporto da cidade dela. Aeroporto do país dela!
Muitas fotos. Ela mostrou muitas fotos do filho. Da casa. Dos amigos. Dos passeios. Muitas fotos...

Muito alegre.

Viu o filho.

Agora a realidade. Longe novamente, mas agradecida pelo presente ofertado pelo dileto filho. Que presente!
Muitas fotos...

É a vida...

Palavra com quatro letras.

É a vida!
Nascemos para o mundo...

Não nascemos para nós!
Nascemos para o mundo...

Mundo globalizado.

Mundo longínquo!
Mundo da “gente”!
E que “gente”... E essa “gente” somos nós.

É o nosso mundo...

   
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