Sruliki, tudo bem?
Com “gezunt” (saúde) tudo vai bem... A gente consegue ultrapassar todas as “tzuress” ( problemas)...
Me explica uma coisa: Normalmente tu fazes, na tua casa, “seder” de Pessach (Páscoa judaica)?
Claro! Reúno toda minha família, que é grande, e ainda amigos de minha família e realizamos o já tradicional “seder” de Pessach. Não tão ortodoxo como manda o figurino, mas a gente lembra a maioria dos detalhes da passagem dos judeus no Egito e a saída deles levados por “Moishe Rabeinu” (Moisés). Tudo certinho! Se lê a “Hagadá” ( livro onde se acompanha as cerimônias residenciais da Páscoa judaica) e se canta o “Ma nishtaná”. Fica muito bonito. As crianças brincam. E todos colocam as “fofocas” em dia...
Não precisava uma resposta tão longa. Eu só perguntei se tu fazes “seder” de Pessach. Outra pergunta: Continuas indo todas as sextas feiras no “shill” ( sinagoga)?
Claro! É uma herança do meu pai. Vou sempre! Todas as sextas feiras. É um programa sagrado para mim. Com chuva, com sol, com frio – estou sempre esperando o shabat no “shill”. Vou até te dizer uma coisa: normalmente, sento na mesma cadeira. É muito bom. Me sinto muito bem... Sempre tem bastante gente. Converso com amigos e amigas. Depois da cerimônia a gente come um “leikar” (bolo) de mel – é um “onek leikar” (bolo de mel). Muito bom para a saúde... Depois vou para a minha casa jantar com a família e, normalmente, tem alguns convidados. É sempre uma alegria esperar o shabat. Fica sendo um jantar muito gostos e alegre. Na próxima semana vou te convidar, juntamente com tua família. Aceitas?
Tá bom! Desde já te agradeço, mas de novo, não precisava te alongar tanto na resposta. Só precisava saber se vais ao “shill” nas sextas feiras. Mas está bem! Gostei da resposta... Mais uma pergunta: no “seder” de Pessach é costume todos os integrantes tomarem alguns cálices de vinho. Não é verdade?
Claro! Cada vez que a gente lê uma parte da Hagadá, precisamos, todos, tomar “um pouquinho” de vinho. Não muito! Mas sabes muito bem que o vinho de Pessach tem um sabor inigualável, e aí a gente toma um “grande pouquinho”... Sabes como é... “um grande pouquinho”...
Certo! Mais uma pergunta: No shabat a gente faz um “kidush” com vinho, conduzidos pelo rabino, e após a gente vai para as casa jantar. Normalmente estas jantas são acompanhadas de vinho, até para se fazer o “kidush” (bênção do vinho). Não é verdade?
Claro! Também é sempre um vinho maravilhoso. Vinho do “shabat” (sábado). A gente toma alguns cálices deste vinho.
Muito bem! Fiz todos estes questionamentos a você, pois o considero um exímio conhecedor do “idishkeit”. Muito mais do que eu...
Muito obrigado por você reconhecer estes meus “dotes culturais”. Iankl, você é realmente meu amigo. Um dos melhores amigos que eu tenho... Eu gosto de falar, de estudar e de explicar. Normalmente minhas respostas são muito econômicas. Não gosto muito de dizer... Sou tímido!
Imagina se você não fosse... Mas deixa eu continuar. Se nestes lugares que falamos: jantares de Pessach, que normalmente são dois, e em todas as sextas feiras – no shabat – que são 52, pois existem 52 semanas, e em todos eles nós ingerimos vinho, como será a saída dos convidados?
Como assim?
Como os convidados poderão passar nas barreiras dos bafômetros, agora existentes em função dessa nova legislação – a Lei da Tolerância Zero ou também chamada de Lei Seca?
Chi! Vamos ter que falar com urgência ao Rabino Iehuda. Pois ele ao sair do “shill” também estará com “bafo” do vinho do “kidush”. E os outros convidados de toda a comunidade que realizam jantares de shabat? Acredito que ele vai ter que falar com alguma autoridade, dizendo que essa nossa tradição nos acompanha por “alguns séculos”... Não é de agora... Será que teremos que mudar as tradições? Talvez até usar um crachá com os dizeres – “saímos de festas tradicionais da religião judaica”...
Muito bem lembrado! Vamos ter que conversar no “shill”. Tudo isso deve ser conversado, como nos velhos tempos, lá no “shill”. Os Rabinos deverão conversar sobre o assunto. É um assunto sério! Muito sério! Todos eles deverão dialogar e encontra uma solução. Não importam se são ortodoxos, reformistas... Deverão dialogar. Não sei em qual “shill”... Acredito que eles deverão realizar um Congresso... Talvez até seja necessário um Congresso Ecumênico, pois as outras religiões também ingerem vinho – e dos bons – nas suas atividades...
Sruliki, para de pensar nesse assunto e vamos continuar a tomar nosso cafezinho.
Isso mesmo! Vamos a continuar a conversar sobre nossos “guesheft” (negócios). Isso ainda a “gente” não paga impostos... Aquele assunto a gente fala mais tarde. Tomando este “cavale” (cafezinho) a gente não precisa se preocupar com o bafômetro. Podemos até tomar mais do um...
E pensando bem, Pessach é só no ano que vem, e hoje ainda é terça feira. Para o próximo shabat ainda faltam alguns dias...
Vamos continuar a conversar a respeito de nossos assuntos. Nossos diálogos são sempre proveitosos e sérios. Até parece que a gente “muda o mundo”...
Quem sabe!
É verdade!
Garçom! Garçom! Por favor mais dois cafezinhos... E bem caprichados!