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E o açude secou...! - por Aline Almeida
Era um final de semana em Quixeramobim, desses bem quentes de rachar a moleira, como se diz no sertão cearense.

Eu
autor: Eu
Texto publicado em 15/09/2008* - 10:04, segunda-feira.
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O amigo de um amigo meu teve a idéia de passear naquelas bandas. Tinha ouvido falar muito bem do município nordestino. Hospedou-se em uma pousada e passeou pelo local bem diferente de sua região natal, onde as árvores de copas largas e verdejantes sombreiam as tardes e a brisa após a chuva acalenta a soneca vespertina.

Achou ao invés disso, muita vegetação rasteira, uma seca "da moléstia" como já havia lido a respeito; mas gostou do povo do lugar... vidinha mansa. Considerou bem desenvolvido o município, no coração do Ceará, terra de Antonio Conselheiro, lugares pitorescos, açudes, barragens, enfim... muito interessante!
O que ele não sabia é que em pleno século XXI, no lugar do machismo esperado, havia um homem que, quem diria, apanhava da mulher...! Esse cidadão que ele conheceu na noite seguinte a sua chegada em um bar da região, habituara-se a ter suas canelas queimadas pela vara de marmelo de sua patroa, cada vez que saia da linha. Procurou engatar um papo com o sujeito - boa praça, ele pensou - e foi logo comentando:
-Quer dizer então que o amigo vacila e apanha da mulher? Qual é macho? Tu não é cabra da peste?
O outro retrucou:
- Sabe como é... eu gosto daquela malvada, mas não estou mais aguentando essa vida. Se ao menos ela mudasse, bem que eu gostaria, mas como?
-Pois eu tenho uma idéia bacana que não falhará!
E combinaram um plano que trataram de colocar em ação. A noite caiu e os dois se dirigiram a casa do fulano, o qual tratou de dizer a desalmada, que havia conhecido a pessoa certa para lhes vender a casinha que queriam comprar. Era um corretor de imóveis do norte do Pará. A mulher interesseira como ela só, caiu na conversa de que teriam de alojá-lo para um pernoite. Já era madrugada alta quando ouviram roncos vindos do quarto do casal. Sim, a fulana que se julgava a tal roncava, talvez sonhando com a casa própria. Foram pé ante pé, tirar a vara de marmelo que ficava ao lado da cama e a substituiram por uma vara de pescar, uma isca e um bilhete.

Ao acordar pela manhã, a surpresa foi grande ao descobrir que os dois haviam fugido e deixado um recadinho que dizia o seguinte:
-Faça bom proveito, se o açude permitir e o peixe morrer pela boca...!
   
  

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