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Texto publicado em 28/02/2010* - 11:57, domingo.por Isadora Pitanga
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos e 2 meses!
Eu Converso Sozinha
Eu não sou maluca. Mas converso sozinha. Comigo, meus amigos imaginários, as vozes da minha cabeça, com duendes e anões de jardim, com passarinhos e com as árvores. Nas horas de muita solidão, com as coisas do meu quarto, com a esponja de lavar a louça e com a toalha do banho.

Eu Converso Sozinha
Converso seguido com os cachorros que andam pela rua sem dono e com o banco da praça. Encostada na janela do ônibus, com quem senta do meu lado.

Minha maior dificuldade são com as pessoas que eu conheço. Aquelas que vejo todo dia e que me veem todo dia. Com essas, tomo cuidado, porque gostam de dizer coisas duras ou coisas que parecem estranhas, porque me parece que não me conhecem muito bem.

Minha escova de dente é mais compreensiva do que muita gente que eu conheço. E consideravelmente mais útil também. Meu problema reside no fato de que não gosto da superficialidade das coisas. Não gosto de fingir que estou bem quando a minha vontade é sair gritando e correndo. Parar na frente da sorveteria e me encher de sorvete no meio do inverno e andar de casaco de inverno no verão dentro do shopping.

Arrumo o meu quarto quando quero resolver uma questão importante. Chamo minhas roupas preferidas pra me ajudarem com suas opniões. Peço os conselhos do meu estojo de maquiagem que sempre tem ótimas perspectivas. E, na frente do espelho, me encontro comigo mesma, com o que eu ainda vou ser e com o que eu já fui.

As respostas que me veem à mente eu as contraponho num passeio pelo parque na companhia da minha sombra que sempre me faz me sentir melhor. La está sempre bem, nunca a vejo chorar ou se martirizar. Um bom exemplo a seguir, sempre magrinha e altiva.

De repente o Sol fica mais quente, chamando a minha atenção. Eu sempre estou acompanhada, afinal. Por isso, não é justo que eu permaneça indiferente ao que me dizem em silêncio as coisas ao meu redor. E seguindo pelo caminho vou contando os meus pensamentos pra grama que cresce alta lado a lado por onde vou andando a passos nem muito curtos nem muito longos, apenas o suficiente para chegar aonde vou.

Espero a sinaleira fechar ouvindo sobre quem passou e quem ainda nem levantou da cama, embora o sol já esteja alto no céu. Para as árvores vou dando o meu bom dia e na grade do prédio os meus conselhos de “tome cuidado” para os bichinhos que correspondem ao meu olhar. Tenho alguns livros me esperando lá em cima, vou subir, depois, mais tarde, eu volto.

( com informações cultura )

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