No horizonte, acordo como se tivessem derramado um balde de água em mim, o Dia dos Namorados. Isso é para me atormentar? Atordoar? Ei! Para que serve mesmo esse dia? O comércio não faz decoração especial para o Dia dos Solteiros. Ou o Dia dos Divorciados. Em tempo: tem dia disso?
Em defesa aos direitos de quem odeia dias especiais. Enquanto os dias especiais não nos afetam, todo mundo ama. Um feriadinho, uma esticadinha até a praia, até a serra... Mas solteiro além de não ter namorado, não tem dia, não ganha presente, nem brindes, nem porcaria nenhuma e ainda fica sozinho.
Certamente quem inventou essa do Dia dos Namorados estava não somente apaixonado, mas provavelmente tomado por uma flecha do Cupido bem no meio da testa. É preciso mesmo lembrar a todas as mulheres (e são a maioria no Brasil) que por ventura se encontram solteiras, que nesse dia estarão sozinhas? Se contarmos as que são amantes casuais ou fixas, estas, então, chegam a me dar um nervoso! Já não tem pra todo mundo e ainda, mesmo compartilhando, não tem nenhuma espécie de revezamento que contemple essas mulheres corajosas e abnegadas que fazem parte do Plano B.
Nessas horas, queria mesmo assumir o meu lado de monge budista e sublimar toda essa história. Mas não dá.
Tenho uma amiga que tem um ursinho foférrimo que canta uma música apaixonada ao mesmo tempo em que suas orelhinhas tremem no compasso. Presente do Ex. O que é que ela faz com esse presente grego agora no Dia dos Namorados? Dá até peninha de ver o ursinho escondidinho dentro do armário. Se não é pra durar pra sempre, então não dêem presentes que ficam difíceis da gente se desfazer!
Uma outra amiga, só pra não sair no prejuízo, vai leiloar todos os mimos que estão órfãos na Internet. Ela me disse que já tem alguns meninos interessados. Será que os mimos terão outra vez o mesmo destino? Mas nem sempre é fácil assim se desfazer. Não com a mesma facilidade em que se desfaz uma relação. E sou forçada a concordar que hoje não passam de meras projeções mal feitas de um ideal que não é nada provável.
Nos últimos tempos entrou na moda a customização. Como se fosse fácil customizar um ideal, uma expectativa! Assim como eu, muitas meninas não vão aceitar qualquer coisa arranjada ou servir de alternativa solidária para alguém.
Mas tudo bem, já estou providenciando opções para essa data tão apaixonante. A primeira delas é criar um perfil fake de um namorado fabuloso só pra deixar meus Ex se mordendo de inveja, enquanto estão com as suas eleitas tão sem sal.
Vou criar um blog falando das boas coisas das quais nos livramos no Dia dos Namorados: Não precisamos comprar um presente do qual ele não vai nem usar e ainda nos darmos conta de que o presente que ganhamos é infinitamente mais barato do que aquele que a gente comprou em seis vezes. Não precisamos fazer carinha de boazinha quando estamos nos contorcendo de cólica, nem ficar fazendo pose de irresistível quando o que mais desejamos é aquele pijamão de florzinha acompanhado das pantufas de quando éramos meio adolescentes (hoje somos meio adultas). E muito menos dar desculpas para estarmos com as nossas amigas até altas horas curtindo a paisagem afrodisíaca da cidade. Enfim, nem é tão ruim ficar sozinha no Dia dos Namorados.
Aliás, não estou solteira porque sou tinhosa, mas, decididamente porque sou exigente. Não vou viajar na classe econômica se é possível viajar na classe executiva. É uma questão de direitos adquiridos. |  | |