As pessoas entravam e saiam da igreja São Pedro sem o menor respeito pela platéia interessada em ouvir e para com os instrumentistas e as duas magníficas vozes femininas que, juntos, interpretaram, entre outras peças, a pequena obra prima “Stabat Mater”, de Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736), música para o hino religioso que descreve a vigília de Maria junto à cruz, após a crucificação de Jesus, de intensa inspiração lírica.
Algumas, recém adentradas na igreja, já saíam, após ouvirem o tipo de música que estava sendo executada, perturbando a audição das outras. Certamente apreciadoras dos “tum-tum” a todo o volume que ouvimos por aí e que atordoam o bom gosto.
Concertos de música erudita ao vivo são raros em nosso interior e quando ocorrem são oportunidades valiosas de se conhecer a música de mestres como Pergolesi que, apesar de ter vivido apenas 26 anos, deixou-nos obras do mais alto valor estético e musical.
Letras e livros
Uma pesquisa realizada por um importante verificador de consumo
on line (Nielsen/Net Ratings) revelou que o produto mais vendido pela Internet é o livro impresso, superando qualquer outro item de consumo.
O Brasil está entre os cinco maiores compradores de livros batendo, inclusive, a Argentina, que possui mais livrarias, gente alfabetizada e uma taxa menor de evasão escolar no Ensino Médio. Mas tem um porém: os dados especificam que a maioria dos livros adquiridos são os didáticos de baixa qualidade, bestsellers e de auto-ajuda. Os ministros que usaram os cartões corporativos para comprarem com nosso dinheiro toda a sorte de bugigangas não compraram nenhum livro, unzinho sequer. Daí o nosso analfabetismo funcional.
“Almas Mortas”, de Nikolai Vassílievitch Gógol (1809-1852), Ed Perspectiva, 432 págs., R$65,00, tradução de Tatiana Belinky - A obra é uma sucessão de cenas diversas ligadas pelas viagens do protagonista em busca da compra das “almas” dos servos mortos, entre um recenseamento e outro. Extremamente viva e, com a exposição dos engenhosos casos de corrupção e de práticas ardilosas, bastante atual. Almas Mortas é um retrato fiel da Rússia da época, quando ainda reinava o regime de servidão.
Pensar não dói
“O Brasil é mesmo um país extraordinário. Esse mosquito (o da dengue) veio parar aqui, num instante entrou na política, já se fez na vida, se acostumou na lama ligeirinho e aprendeu logo a atuar no escuro. Aegypti nada, rapaz. Brasyli.” (João Ubaldo Ribeiro, escritor).