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Texto publicado em 28/10/2009* - 08:31, quarta-feira.por Marília Daros
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos e 6 meses!
As três vidas da madeira
Este será o MUSEU CASA DO MAJOR JOSÉ NICOLETTI FILHO. O grande momento da transformação. O local que a comunidade elegeu como um espaço histórico de referência cultural.

As três vidas da madeira
Futuro MUSEU CASA DO MAJOR JOSÉ NICOLETTI FILHO em Gramado, onde a história da comunidade se confunde com a história do líder.
A madeira possui três vidas bem distintas, em seu convívio com o ser humano.

Sua primeira vida é seu hábitat, ou seja, a mão de obra que a própria natureza executou com perfeição e que vem em forma de uma árvore. Frondosa, útil e bela.

A sua segunda vida é subseqüente e menos bela do que a árvore original. A interferência humana se registra de uma forma agressiva ou não. E a madeira passa a ser parte total ou parcial da arquitetura de uma comunidade, através da criatividade ou não, do ser humano que habita esta mesma comunidade.

A terceira vida da madeira é, talvez, a mais significativa de todas. Se ela foi uma grande árvore ou não; se ela foi eticamente tratada até aqui, também não será o mais importante. Esta vida é fantástica porque a madeira passa a ser a forma de preservação da memória coletiva, através da interferência humana de extração, transporte, preparação, construção, ocupação e registros sócio-culturais de sua trajetória.

Então a madeira passa a ser, não somente a árvore que lhe deu o lenho; nem o serrador, que lhe deu o formato; nem o arquiteto e o engenheiro que lhe deram a forma arquitetônica; nem tampouco, a nobreza ou a pobreza de sua vida com as pessoas. O que vai valer é o valor em si que seus ocupantes, seu habitantes lhe deram, a ponto de preservá-la. E mais. O valor que a comunidade lhe deu como um espaço histórico de referência cultural.

Estou pensando sim, e escrevendo, sobre a CASA DO MAJOR NICOLETTI.

Não sabemos exatamente as árvores e sua quantidade, quando de sua construção. Não sabemos os motivos essenciais da escolha destas tábuas quase centenárias. Não sabemos também os motivos que levaram o Major a escolher esta forma arquitetônica que conhecemos e que já foi modificada. Sabemos sim, do seu tempo de construção, seus construtores, e, melhor ainda, seus ocupantes, a vida que ela abrigou, a história que ela contempla.

Era preciso que existissem atenções municipais que pudessem garantir a forma correta de preservação histórica que A CASA DO MAJOR NICOLETTI merecia e que a família guardou tão bem.
Como PATRIMÔNIO HISTÓRICO TOMBADO pelo poder público com a parceria da família NICOLETTI, agora, todas as vidas das árvores que a construíram e que abrigaram a história da família e da comunidade gramadense, poderão ser socializadas e, quando conhecidas, respeitadas.

Agora vamos enxergar de verdade as vidas que existem na madeira desta casa e de tantas outras, que como ela, merecem a mesma atenção histórica.

E a derrota da história não irá mais acontecer...

NOSSA HISTÓRIA precisa destes COMPROMETIMENTOS e COMPARTILHAMENTOS.
De uma mudança de comportamentos. De atitudes simples mas que façam a diferença.

Este será o MUSEU CASA DO MAJOR JOSÉ NICOLETTI FILHO. O grande momento da transformação. Como diria meu pai, “isto é histórico” e vamos aplaudir a nova história que começa a acontecer agora, ou seja, a valoração de Gramado e de seus suportes materiais e imateriais, para conviverem em harmonia turística com o futuro.
Me sinto feliz em estar contribuindo para que nossas antigas árvores e nossas antigas raízes sejam ouvidas, vistas e mais amadas.

( com informações cultura )

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