Que título perigoso! Mas são estes que me fazem sorrir depois de ter de suportar a pressão que me causaram. E o que mais me causa embevecimento é perceber que se sacamos da adaga e vamos atrás desta madre eterna de fornidas carnes, só achamos o seu sudário que deveria ser santo - aqui há uma ambiguidade: me refiro sim ao nazareno, como também utilizo de sarcasmo para o caráter absoluto/onipotente da Verdade.
O ser humano necessita de analgésicos para que suporte a imprevisibilidade do caos e a finitude da vida, "basicamente". Por isto que nos nutrimos de teorias absolutas, tanto científicas como religiosas. É um niilismo para evitar outro. Explico.
Sabendo que a vida é finita, consequentemente enveredamos para o niilismo destrutivo, o suicído. Então, nos cercamos de religiões e da ciência para suportarmos o sofrimento da finitude. Mas há algo de má consciência aí. O fato de sermos responsabilizados pelo sofrimento do que é inerente a nós mesmos. Trata-se da verdade criada de que somos e devemos ser castrados. Melhor: que não somos capazes de criar as nossas verdades específicas. Temos que manter fidelidade a algo metafísico sob pena de uma possível punição! E é este o ponto fraco das teorias religiosas transcendentes (que pleonasmo infame!)!
Seguindo, eu vejo o problema da verdade muito mais como um valor desnecessário que algo digno de atenção depois deste diagnóstico. Prefiro falar em conceitos. Mas antes uma palavrinha breve sobre a causa de porque a ciência está ao lado da religião e não no seu oposto. Ela é a superação da religião pois substituiu a metafísica desta pela redução da vida a mecanismos mensuráveis: ela também busca a Verdade!
Diferentemente da verdade, a utopia eterna, e não sei se em oposição, está o conceito, este corte profundo no plano de imanência (o pensamento) que permeia o caos. Este é o mais nobre significado de filosofia. A criação! É esta que vai superar inevitavelmente o seu autor e se colocar de forma precisa, sem desejo de universalidade!
A arte pode ser colocada aqui parelela ao conceito, pois vai ser a porta-voz intrínseca do sentimento. Vai ser o véu que, este sim, almeja a ornamentação do caos da vida: o apolíneo diante do dionisíaco.
E a nossa energia é inesgotável (não incansável, diga-se) para esta tarefa genuinamente nobre: CRIAR cada um a SUA ARTE e o SEUS CONCEITOS! |  | |