Conheci a Rita ainda nem deve fazer um ano. Há pouco completei um ano de
GramadoSite.com e a conheci quando já estava por aqui. Mas a Rita foi uma daquelas pessoas com quem logo me identifiquei. Ela vinha aqui na Redação me falar de suas aulas, dos trabalhos premiados e das exposições que preparava. Eu fazia as matérias e publicava no site. Não sei bem em que momento as conversas começaram a enveredar para outros recantos e, ainda que não tenhamos nos tornado
grandes amigas, daquelas de se encontrar para tomar chimarrão ao entardecer de domingo, percebe-se que nutrimos uma admiração mútua pela
pessoa que descobrimos por trás da
artista e da
jornalista.
Sempre escutei na faculdade que não é bom se tornar muito amigo das fontes... fico a pensar se devo colocar um filtro a mais no meu
feeling. É que esta profissão que escolhi me permite conhecer muita gente, permite que eu converse com muita gente. É evidente que em algumas conversas a gente sente logo de cara que o cidadão está apenas interessado em se aproximar de você para conseguir um pouquinho de prestígio na mídia. Por outro lado, há pessoas que se revelam verdadeiramente interessantes para conceder mais do que cinco minutos de fama. Tenho meia dúzia dessas pessoas que aprendi a admirar que eu poderia listar neste momento. Uma delas é a Rita.
Há um tempo atrás, ela esteve aqui me convidando para visitar seu ateliê e conferir em primeira mão suas
memórias iconográficas de Gramado. Não consegui ir... quando tive uma brecha na agenda, ela já tinha embalado as telas para a exposição, que está valendo até o dia 31 de maio, com curadoria de
Kira Burro, outra
grande presença. Fiz a matéria inicial com base nas fotos que a Rita gentilmente me enviou e, principalmente, no que conheço de seu trabalho e de sua pessoa.
Hoje à tarde, dei um pulinho no Antigo Atelier, nos fundos do
Hotel Pousada Le Château, para ver as 18 telas expostas. Recortes de jornal e fotografias de sua trajetória artística ajudam a situar as “memórias” de Rita no tempo e no espaço. O máximo! Vim de lá pensando no que estaria
por trás daqueles característicos pontinhos coloridos que aparecem em vários planos nas telas de Rita, sempre repletas de elementos que até parecem desconexos à primeira vista. Absorvendo a obra, no entanto, nota-se que há uma conexão subliminar entre cada figura, cada ponto, cada linha. Entre o pincel e a alma da artista, entre a tela e a sensação de quem vê.
Senti-me retratada na tela “Santinha”, uma das tantas em que Rita coloca em primeiro plano sua forte religiosidade, perceptível mesmo em telas em que, aparentemente, ela não teria espaço, como as da Miss Brasil, Festival de Música e de Turismo, entre outros. Conheci o
caminho da Santinha, um dia depois do dia de Santa Teresinha – e meu aniversário –, na companhia de Rita e sua mãe, dona Lourdes. No meu quarto, um quadro de minha santa padroeira, pintado
ao estilo Rita Gil, não me deixa esquecer aquele dia de rico encontro. Foi uma tarde ímpar, uma de minhas memórias favoritas!
Vendo as memórias de Rita, restaurei algumas das minhas e vi o quão poderosa pode mesmo ser a arte, pois ao colocar um pouco de si no que faz, o artista provoca também o outro a encontrar-se. Cada um registra suas memórias como pode – ou sabe. Recomendo conferir algumas memórias por aí. É bom para revisitar as suas, por vezes esquecidas.