- Novamente tonto?
- Não me incomoda. Vai dormir. Cuida das crianças. Esta é a tua tarefa. É o que eu te peço. Eu cuido da bebida!
-- Mais uma vez? Sempre a mesma coisa...
Assim acontecem todos os finais de mês com Antenor. Dia do recebimento do salário. Vai para o “buteco”.
Bebe, bebe... Gasta!
Gasta e bebe, Bebe! Bebe até quase cair...
Chega em casa alcoolizado.
Durante o mês a família fica passando dificuldades. Não sobra dinheiro para nada...
Num dia de um certo mês surge um “anjo” e fala a Antenor:
- Porque a bebida? Porque o desgaste com a família chegando alcoolizado em casa? Infelicidade?
- Sim, não agüento mais ficar devendo a todos. Bebo para “fingir” que estou bem. Quero sair deste martírio. Não sei como. Ajuda-me?
- Sim. Mas vai depender muito de ti. Queres realmente esta ajuda?
- Sim. Não agüento mais...
O tempo passou.
Alguns meses sem bebida.
Alguns meses sem caída.
Alguns meses com sorrisos.
Alguns meses com sorrisos em casa.
Olga elogia Antenor.
Os filhos elogiam Antenor.
Tudo se torna mais fácil e melhor na vida de nosso personagem.
- Antenor?
- Quem está falando comigo? Não vejo ninguém. Só ouço uma voz. Quem está aí?
- Sou eu.
- Eu quem?
- O teu protetor. Estou para dizer a vocês uma só palavra: parabéns. Foi a tua força de vontade que fez voltar a tua felicidade. Diga a outros o teu exemplo. Diga a outros que as nossas forças não são para os embates físicos. Diga a outros que as nossas forças é que decidem tudo, ou quase tudo.
- Quase tudo! Foi você, com sua voz amiga, que me animou para as minhas decisões. Também devo dizer a você (que não conheço e não posso ver) uma só palavra: obrigado. Agora vou para casa. Necessito passar no mercado para levar os mantimentos para a janta de minha família. Eles estão me esperando. Obrigado. Não tenho saudade daquele tempo. Só tenho vontade de viver o dia de hoje e todos os dias do amanhã. Hoje e todos os outros dias junto de minha família.
Como está sendo bom! |  | |