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| Texto publicado em 18/04/2007* - 08:39, quarta-feira. | por Gabriela Rezzabraba | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 5 anos! |  Prezado Santo Antônio Olá! Sei que estou em silêncio há algum tempo. É que andei meio desanimada, sabe? Bem DESANIMADA, para ser sincera. Mas também, com os acontecimentos da Páscoa – que ainda nem lhe contei, como poderia ser diferente?
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 Bem, tudo começou na quinta-feira, véspera do feriadão. A cidade começava a transbordar e apesar do mar de gente, do Chocofest e do Gramado Aleluia, eu estaria de folga. Sim, pasme! Como sempre, a Laíra iria abocanhar a cobertura de todos os eventos.
Passava da metade da tarde, quando fui avisada de que nossa repórter havia sucumbido a um desses vírus dinâmicos e estava hospitalizada. E que, em função disto, todas as coberturas seriam feitas por mim. EUZINHA! Inclusive, das festas sociais mais VIPS e íntimas para a social. Finalmente!
Finalmente eu faria coberturas de eventos e festas VIPs! E pela primeira vez, em anos, senti uma excitação enorme com a possibilidade de circular como re-pór-ter nos eventos e de participar do que de mais quente rolaria na cidade. Comecei, então, a saborear cada momentinho que ainda estava por vir.
Tão encantada eu estava neste meu mundo, que não percebi o “toc-toc” nervoso do salto da recepcionista indo e vindo da sala do diretor. Nem mesmo as batidas nervosas nas teclas do telefone. E muito menos os decibéis a mais nas vozes ao meu redor... Acabei sendo desperta do meu transe pela voz grave do editor chefe esbravejando meu nome.
E foi então, Santo Antônio, que meus sonhos despencaram ladeira abaixo!
Rolaram como pedras em deslizamento na RS 115. Tão logo sentei em frente ao chefe, vi meus planos começarem a ruir. Enquanto ele falava, fui sentindo o doce sabor que até então eu degustava dar lugar a algo insosso e sem graça.
E só então percebi que nuvens carregadas haviam encoberto o sol e tomado de assalto o céu azul anil da quinta-feira. E tão cinza quanto o tempo na rua, ficou meu humor!
O que aconteceu? Bem... Digamos que acabei tendo minha oportunidade de sair da redação e ser repórter, sim! Mas não em eventos e festas vips. Nananinanana. Fui enviada para a roça!
Sim, isso mesmo! Acabei sendo enviada para várias localidades do interior de Gramado, Nova Petrópolis e Caxias, para acompanhar uma série de celebrações-manifestações que grupos de pequenos produtores rurais fariam nas colônias destas três cidades durante o feriadão de Páscoa! Pode? Pode!
Em resumo, quando finalmente tenho uma oportunidade de sair da redação, vou para o meio do nada. Quando surge minha primeira cobertura, vou para a roça, em meio ao pó e ao barro, acompanhar manifestações de colonos. E assim, durante todo o feriadão da Páscoa, me vi sacolejando em estradas vicinais, comendo pão de milho com salame ou bolinho de batata e tomando suco de uva, cerveja ou graspa!!
Enquanto isso, na cidade, embalada a muita champanha e fazendo as coberturas dos eventos e festas vips, estava a Clara Persch, óbvio - que foi chamada às pressas para quebrar o galho!
Sim, porque com toda aquela pose e estilo que tem, ela jamais seria enviada para o meio do nada, dos buracos e do pó das estradas do interior, né?
E foi isso tudo, Santo Antônio, que me fez desanimar nestes dias. Até que ontem, assistindo o filme “Maid in Manhattan”, tive um insight poderoso: tudo isso aí só reforça a minha tese de que EU NÃO PERTENÇO A ESTE LUGAR! E que PRE-CI-SO da bolsa de estudos para ir rumo ao meu destino! Cada vez me convenço mais disso.
Por isso, Santo Antoninho, olha com carinho para o meu pedido, ok?
Eternamente grata,
Gabi. |  | |
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