O homem é um ser social, pois vive em sociedade e, num sentido amplo, a sociedade é a reunião de seres que vivem em grupo. Um conjunto de pessoas que vivem em determinada faixa de tempo e de espaço, seguindo normas comuns, e que são unidas pelo sentimento de consciência do grupo.
Por que existem essas regras, leis e normas?
Quem as elabora ?
Elas são necessárias porque a sociedade humana precisa acontecer dentro de uma certa “ordem”. Como o homem não a recebe pronta, ele tem que inventá-la, construí-la e reconstruí-la. Dar a ela uma forma satisfatória atendendo às necessidades e aspirações de seu tempo, que mudam, ao longo da história. E depois de reconhecida como justa e verdadeira para sua época, são colocadas para serem praticadas.
Assim com consciência moral, o homem vai reagir a estas “regras”, com sua capacidade individual de ver o certo e o errado, o bem e o mal, numa convicção de fôro íntimo.
As normas jurídicas, por sua vez, devem ser cumpridas, mesmo quando não estamos convencidos de que sejam justas.
Então, precisamos ser éticos.
E o campo da ética é constituído por comportamentos e pelo juízo desses comportamentos.
O ser humano é contraditório, lutando constantemente entre o que “deve ser” e o que “é de fato”, na busca de uma sociedade ideal, mais humana, na qual igualdade e liberdade prevaleçam como valores supremos.
Por ética é que precisamos buscar construir uma sociedade “possível”, o mais próximo da sociedade “ideal”.
Embora a consciência moral seja individual, é apenas em grupo, em sociedade, numa organização, na relação com outros homens, que se pode ser ético ou não. Precisamos ser racionais, comprometidos com a prática da ética, tendo ações conscientes do individual e do coletivo, ou seja, de “bem comum”.
Precisamos também lembrar que os valores se modificam no tempo e sofrem influência das relações de poder existentes na sociedade. Valores de uma época histórica, de uma visão de mundo determinada pela política, pela economia e pela cultura das sociedades onde se dão.
É na “coisa pública”, ou seja, de “bem comum”, que vamos exercer a nossa cidadania, decidir sobre o “destino comum”.
É na Ética Pública, na “ética da política” que vamos buscar a qualidade de vida para a comunidade em que atuamos.
E este é o convite que estou fazendo a todos vocês:
Que tenham “juízo crítico da realidade”, ou seja, sejam capazes de avaliar a situação, consultar as normas estabelecidas pela sociedade atual, interiorizar algumas como suas, rejeitar outras, enfim, de decidir, de fazer escolhas e de assumir responsabilidade pelas escolhas feitas.
Que exercitem a sua liberdade, reconhecendo suas limitações e possibilidades, sem sofrer coação: é necessário que sejam soluções democráticas.
Que possam mudar a realidade sem se submeter a ela, pois qualquer dessas opções é um ato individual de cidadania e de liberdade. Mas, acima de tudo, de responsabilidade pela sua opção.
Importante destacar que, para fugirmos da responsabilidade de nossos atos, não basta afirmarmos nossa ignorância a respeito de sua natureza e conseqüências. É preciso comprovar que não somos responsáveis por nossa ignorância, ou seja, que não podíamos e não tínhamos a obrigação de conhecer aquele fato, aquela norma, lei ou regra.
Estou convidando vocês a se engajarem numa política de direitos humanos, ampliando o processo participativo e agregando os desejos da maioria.
Assim, estarão sendo éticos.
Dignos das pessoas que esperam ética na nossa política, que acreditam no nosso trabalho.
Com ações que contribuam para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade como um todo.
Com responsabilidade de administradores do “bem comum”, planejando, buscando atingir objetivos prioritários, com competência em suas iniciativas.
Que todos vocês saiam engrandecidos, sentindo-se realizados de um trabalho público ético, comprometido, sadio.
Que suas relações e ações públicas não tenham sido vazias.
Que tenham sido dignas de suas comunidades. |  | |