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Guia de Gramado RS - Serra Gaúcha - Brasil

Gramado RS - Serra Gaúcha

/ Cultura
Marília Daros
Texto publicado em 28/07/2005* - 00:09, quinta-feira.por Marília Daros
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 8 anos e 8 meses!
Maria Eunice Müller Kautzmann, minha amiga
Maria Eunice Müller Kautzmann - minha amiga
Subindo o Quilombo para Gramado, em meio ao verde do vale que quase se perde hoje e onde os imigrantes vindos da mae Taquara caminharam suas esperanças.
Esta é uma amiga de longa data, mas daquelas que a gente encontra de vez em quando, mesmo não se encontrando pessoalmente. Porque o melhor da amizade, é quando a gente se encontra na música, na poesia, na arte, nas ruas, nos jardins, nos saberes e fazeres de raiz. Quando a gente se encontra dentro de um livro ou num debate sobre nossa história.
Dedico a ela esta semana, pois ela, além de ser Taquarense de nascimento, é uma das melhores escritoras e historiadoras que já convivi. E aguardem, pois ela está escrevendo muito ainda, especialmente, sobre Taquara, nossa terra mãe.

De seu livro RAÍZES, escrito em 2000, uma mensagem sobre colonização.

COLUNA
Maria Eunice Muller Kautzmann

a marca no rosto o sangue do morto
o cheiro do chá recendido da carne que cova exalou
em cruz este grito conto e meu verso é sagrado
e ungido de bênçãos distante no gesto da dor dorida
e andada o primeiro o que veio antes e aqui aportou
passa a coluna e a passo eu passo e ando o andar
que foi do pai do meu pai o filho do filho que abriu o caminho
o homem loiro o corte na ramaria
a carga na canga da carne o dia cresceu
hoje eu falo ontem não sei por dentro ulcera
o bojo doirado cadenciando a hora amarga chegança
eu rezo meu ato é de fé não quero a voz o choro do além
meu rosto é de paz meus olhos claros
escorrem em céus a chuva a gota,
o maná o pasto aberto crescido ali na montanha
e pedra partida o sulco a vida germinando d
esce o dia em raios e chispas viajo nas patas dos animais
hoje o asfalto queimou a marca dos pés
na fome das bocas secas quero o alimento negado
a terra sem cerca encherei este quarto
a sala e a cozinha o cheiro do pão recém brotado
da planta entre o tronco e o vermelho do fogo
na chama e coivara que vara e traz o milho
a paçoca e o feijão a carne queima e arde parto
o maná à margem do rio escorrente e puro o dia
nasceu em sóis bordou meu vestido tecido à mão
os olhos da mata sorriem ao verde medido e fechado
o relicário abro o baú e sento o cansaço a velhice
do tempo no tempo que a vela soprou sou o oceano ondulado
acalmo este canto o pássaro azul voa em ti
velho guerreiro de barbas compridas creio no tudo
e a coluna segue na tarde chuva e sol deixo a casa
coberta há água na fonte o bafo morno aquece a fera
que salta o rancho aberto ao estalo da folha
a pata ao compasso da morte a dor e o medo
a garra amarelo e preto nascer e morrer o grito selvagem
atravessa a mataria em arcos e flechas
tomba o cavalo na poça de sangue grita a batalha,
a guerra forçando a porteira no braço o abraço e
o homem vagueia
passa a coluna a bandeira frente à tropa
o sangue teuto tombado não sei da casa mulher
e filho o homem que bem è inimigo do sol
a coluna passa a enxada sem mão de novo
a criança mal querendo andar sobre o chão relvado
ali a botina a porta a tranca a colher de pau
o porongo a cancela rangindo o cipó amarrado
o minuano cortando o papel que não chega
a vontade de ser o tifo o freio sigo a esperança é verde
a coluna passa o brado é de fé na marcha pausada
o gosto de ser a gente o chamado à vida
hoje amanheço na hora única de ser e dizer
o verso que não pára e cresce e flui quebrada
à luz que não ilumina
a coluna passa o verbo verte o arco-íris em fitas
e festas nas manhãs sofridas da terra arroteada
trago nas mãos o terço e nos pés
a corrente todos os dias o pai reza ao pai do pai
marcas na terra a gadaria o arreio o poncho o relho
e as aspas descendo de cima da serra onde a água brotou
no caminho das araucárias eu bebo na fonte
o tropeiro tropeando a vaca mugindo
a onça espreitando no pasto a perdiz na toca o tatu
e a andorinha que trouxe o verão a chuva se abriu
em mar e alagou a terra mansa
a coluna passando a cerca de pau o homem ajoelhado
pedindo que a enchente deixe o guinhão
a água arrastou a casa de pau à pique
e cipó e folha e barro molhou a gente suada outra vez
o pão a água grande inchou no peito do homem
o som não se ouviu o desespero a fome da pátria
chegou ele chorou na mata o abandono de mãos
o socorro sem som quebrado a ferro
o filho não viu e mal soube andar disse a palavra salgada
na fila dos réus culpado ou não o enterro
na mata rezado a coluna passa quem fala sou eu
nasce a flor ali ao entrechoque das terras
o amor é segredo eu amo e parto esta noite no mastro
a bandeira verde-amarela cantarei o canto ao sorriso do ipê
o sabiá-laranjeira desperta
– olho o céu atrás a fumaça a torre o ponteiro
a escola a folha ainda verde que cai amarela
no debrum da picada a água escorrente dos versos
derramando-se enquanto
a coluna passa verbo e sangue bebo a paixão
que não era espero o sol e desato o nó da garganta
e esmago o coração repartido ergo a criança
entre o chão e o sol o muro é de pedra
o grão é de ouro na cova brota a semente
eu berro num sono de fé ando nas rodas a vapor
a espaço sou a luz e o som eu sou
a coluna passa a mulher e o filho o homem morreu
o sol voltou cinza o canto esqueceu a botina
ao lado na caixa o documento amarelecido
mofou a arca não tenho esperanças
a coluna passa um brado de fé a marcha pausada
o gosto de ser a gente chamando à vida
amanheço tarde o muro é de ferro o grão na fundura
apodreceu berro a palavra de lá não sei a palavra de cá
trota o cavalo na debandada a coruja no tronco
a lua no céu quem sou e o grão se espalha à flor
das folhas rejuvenescido arfante enquanto a toada da viola
embala a bota que calça o chiripá que veste
e o mate amargo de boca em boca
contando a história segue a coluna vermelha
verde e amarela na ponta da lança e o verso chora
e o sorriso se espalha no ar puro da querência
eu quero a estrada maus curta a divisa
mais perto não posso não sei o ar saturou
me leva a outra casa a cancela presa no couro cru
o gado não sai é verde a planta é azul
o céu é amarela a espiga
a coluna passa o tronco na estrada a madeira
na ponte meu canto não chora agora contigo
à vida a data marcada em festa
e tamanco em roda e som a coluna de louros
mãos entrelaçadas no colo a criança
entôo a canção que é hino e guardo na curva a picada
o galho a fonte de pedra em raios de luz
auroras de idas e vindas o imigrante a pomba
o João-de-barro na hora agora
enquanto a coluna passa e a fumaça esvoaça
piso a terra o sangue meu passo
um passo sou a veia a corrente
o som do imigrante eu sou brasileiro.

Maria Eunice nasceu em Taquara em 1924, professora, escritora, poeta, historiadora. Pertence a dezenas de entidades culturais e literárias no Brasil, destacando-se a Academia Literária Feminina do RS, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Associação Gaúcha de Escritores, Círculo de Pesquisas Literárias, Instituto de Genealogia do RS, Academia de Letras dos Municípios do RS. Possui uma literatura em publicações. Muitos prêmios, medalhas, diplomas e títulos.
Muito me honra ser sua amiga tanto tempo, se não em convívio, mas em afetos pelas letras e artes que fazem a nossa história.
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