| | Influência portuguesa também está presente na arquitetura |
Era inevitável que ao longo do processo dos descobrimentos e da colonização, os portugueses levassem para as “terras d’além”as suas formas de produção, os seus instrumentos de trabalho, os seus costumes e o seu estilo de vida.
Assim sendo, dois séculos e meio depois, foi novamente Portugal que indiretamente financiou o começo da revolução industrial. A despeito das mudanças provocadas, muitas dessas técnicas continuaram a ser seguidas e mantém-se até hoje. A máquina não destruiu o trabalho manual e nem a habilidade e a inteligência do artesão.
Graças a este pioneirismo dos portugueses, cá estamos nós a eles ligados bem como às suas tradições.
Juntamente com o contributo dos índios e da raça negra, é nos legados portugueses que encontramos a base formativa da nacionalidade brasileira. Desde a língua até os costumes, da organização jurídica à estrutura administrativa.
Com o artesanato não foi diferente, em suas diversas manifestações. Mesmo sofrendo a influência do meio e dos elementos sócio-culturais, bem como do tipo de vida da população, é evidente que no choque de uma civilização superior com outras, deu-se uma permeabilidade geradora de novos acervos e de novos equipamentos.
Os indígenas já trabalhavam a cerâmica e faziam tramas para seus instrumentos, bem antes dos portugueses chegarem. Mas no convívio com as missões e os mestres de ofício, muitos deles aprenderam e se aculturaram, refletindo nos próprios objetos que a partir daí foram produzidos.
Esta influência e herança portuguesas ainda estão vivas na cultura brasileira, nos bordados, nas rendas, no crochê, nos tapetes, na cestaria, na cerâmica, na escultura popular, nas embarcações, na tecelagem de pedal.
A herança das rendeiras portuguesas e açorianas, desenvolvida principalmente nos núcleos ilhéus que se implantaram no Ceará e Santa Catarina é prova incontestável de influência lusitana. A arte da renda é presença infalível em quase todos os aglomerados litorâneos de pescadores.
É interessante notarmos a semelhança geográfica entre esses aglomerados, o que determinou a repetição do modo de vida açoriana: mulheres bordando nas portas das casas de vilas, enquanto seus maridos pescam.
Segundo um velho adágio português “onde há redes há renda”. Dos núcleos de pescadores nos vem, também um tipo particular de cestaria em vime. Feitos para poder resistir à ação da água do mar, tais produtos apresentam um entrançamento fechado e esteticamente mais rude.
Os toques de cor e decoração, quando ocorrem, são confeccionados em fios de lã coloridos rebordados no trabalho já pronto.
Como em nenhum outro ofício tradicional, na arte da renda de bilros observa-se uma perfeita continuidade nos modelos, técnicas e esquemas de trabalho, desde a época de sua introdução na Colônia. Transmitida de mãe para filha pela observação direta, conserva-se à margem do sistema econômico. A rotina da pobreza, do isolamento, o analfabetismo, concorrem para a repetição do aprendido, na tentativa de obter com sua venda, um ganho extra.
Os tapetes arraiolos chegaram ao Brasil trazidos pela corte de D. João VI e, desde então, são confeccionados praticamente sem inovações, em uma corrente de aprendizagem passada de geração para geração. Com o decorrer do tempo, esta forma de artesanato se espalhou por diversas regiões do Brasil e, com o posterior desenvolvimento de novas técnicas e desenhos, deu origem a outros tipos de tapetes e até mesmo a manifestações artísticas.
PS: Texto adaptado de A. Gomes da Costa, de 1989, ligado ao movimento artesanal e ao centro de estudos e pesquisas artesanais no Rio de Janeiro.
Se tivermos a preocupação de olharmos para as pessoas a nossa volta, artesãos domésticos, de diversas culturas, veremos o quanto são verdadeiras as afirmações acima. Hoje é muito difícil definir a arte de uma determinada etnia e isto, realmente, é uma pena, no sentido de que tiramos muitas conclusões erradas sobre os valores de nossa raça.
Por outro lado, a aculturação fez com que a globalização, tão apregoada atualmente, já se fizesse bem antes, nas misturas que geraram o povo que ora somos.
Negar a identidade é um sacrilégio. Negar suas raízes, é mais do que negar-se a viver. Então, aonde quero chegar?
Quero que procurem buscar, com verdades, todos os detalhes de sua herança cultura e dar a elas a verdadeira identidade, para que entenda de quantas raças você é composto. Talvez assim, possa colocar na balança seus próprios valores e possa garantir um entendimento mais ético de seus filhos para com as raças que convive.
Se tenho tantas ramificações, então, preciso olhar-me melhor no espelho. O sol nasceu para todos no passado e renasce para todos, todos os dias. Tudo é uma questão de como o recebemos e como nos despedimos dele todos os dias. |  | |