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Texto publicado em 07/04/2004* - 09:19, quarta-feira.por Prof. Darli Alves
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 8 anos!
A Carta de Pero Vaz de Caminha Para o rei português D. Manuel I
O texto abaixo é uma adaptação da Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei português D. Manuel I, em 1500. Baseado no livro “A Carta de Pero Vaz de Caminha”, de Sílvio Castro, é feito uma aplicação dos principais trechos.

O texto abaixo é uma adaptação da Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei português D. Manuel I, em 1500. Baseado no livro “A Carta de Pero Vaz de Caminha”, de Sílvio Castro, é feito uma aplicação dos principais trechos.

O texto da carta de Pero Vaz de Caminha escrita ao rei português D. Manuel I possui uma linguagem rica e de expressões claras. Revela ao rei uma terra cheia de graça, mágica, paraíso terrestre...Um novo mundo “rico em cores, calor, árvores, frutos, pássaros, cantos, frescura. A terra é ampla, imensa na linha do horizonte. Nela a vista penetra nos arvoredos por léguas e léguas. O céu limpo; os portos seguros. As águas são ricas em peixes e a caça é fácil e alegre”.

A carta contém 27 páginas de texto e uma de endereçamento. Caminha conta, nos mínimos detalhes, a viagem da expedição de Pedro Álvares Cabral – a saída de Belém, Lisboa no dia 09 de março de 1.500; a passagem pelas Canárias no dia 14 de março e por São Nicolau de Cabo Verde no dia 22. Narra também os longos dias de navegação até aquela inesquecível tarde de 22 de abril, quando os marinheiros avistaram o Monte Pascoal. Escreveu como foram os primeiros contatos dos portugueses com os índios na manhã do dia 23, a ancoragem tranqüila das doze embarcações no Porto Seguro e a mudança das naves para a Baía Cabrália onde Caminha pode desembarcar pela primeira vez. A partir daí, Caminha faz uma narração ainda mais direta e densa, uma relação cotidiana até o dia 1º de maio, véspera da partida da carta em direção ao destinatário privilegiado, por meio da nave de Gaspar de Lemos que voltava a Lisboa, enquanto o remetente Caminha, juntamente com os companheiros de viagem, partiam para a meta final de atingir as Índias.

É interessante perceber que o encontro do europeu com o índio se deu de forma pacífica. Muitos portugueses esperavam encontrar selvagens cruéis, no entanto, os nativos parecem se comportar como seres mais evoluídos, se mostrando amigos e de fácil comunicação, mesmo falando línguas completamente diferentes. Caminha registrou em sua crônica “ ...toda via, um deles fixou o olhar no colar do capitão e começou a acenar para a terra e logo em seguida para o colar, como querendo dizer que ali havia ouro”.

Além de ser um documento histórico e de grande importância, visto como a “certidão do Brasil”, essa carta nos conta um pouquinho da história de nossa Nação, como:

Entre as muitas informações oferecidas pela carta, está o primeiro nome de nosso país “Ilha de Vera Cruz”.

A aparência de nosso povo nativo, “...pardos, nus, sem coisa alguma que lhe cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas”.

"A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. A cerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, (...) encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber. Os cabelos deles são escorregadios...”.

Como era a mulher índia, “...ali andavam entre eles três ou quatro moças, muito novas e muito gentis, com cabelos muito pretos e compridos, caídos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam”.

A primeira missa rezada no Brasil, “...no Domingo de Páscoa, pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu, (...) mandou armar um pavilhão (...), e dentro dele foi levantado um altar muito bem preparado. E ali, na presença de todos nós, fez dizer missa pelo padre frei Henrique, em voz entoada e oficializada com o mesmo tom pelos outros padres e sacerdotes. A missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.

O dia que foi plantada a cruz, e rezada a primeira missa dita oficial, “...hoje, que é Sexta-feira, primeiro de maio (...) e fomos desembocar rio acima , contra o sul, onde nos pareceu que seria melhor colocar a cruz, para melhor ser vista (...), plantada a cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiro lhe haviam pregado, armaram ao pé dela. Ali disse missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficializada...”.

A riqueza de nossa terra, presente da natureza, “...enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, passaram alguns papagaios por essas árvores, alguns deles sendo verdes, outros pardos, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra”.

“...As águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!”.

Momento em que fica claro a intenção de Portugal em explorar o Brasil, “...nela até agora não podemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou de ferro”.

Imposição da cultura européia, “...quando saímos do batel, disse-nos o capitão que seria bem que fôssemos diretamente à cruz que estava encostada a uma árvore, junto ao rio, a fim de ser colocada amanhã, Sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e beijássemos para que eles vissem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. E esses dez ou doze que lá estavam, acenaram-lhes que fizessem o mesmo, e logo foram todos beijá-la”.

Diferença cultural, “...mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados”.

“...Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que Adão não seria maior – com respeito ao pudor”.

“...Contudo, melhor fruto dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente”.

Os portugueses citados diretamente são: Cabral, Pero Escobar, Vasco de Ataíde, Nicolau Coelho, Afonso Lopes, Sancho de Tovar, Simão Miranda, Aires Correa, Bartolomeu Dias, Diogo Dias, Aires Gomes, Afonso Ribeiro, João Telo, frei Henrique S. de Coimbra e Jorge Osório. O total de índios narrada ao longo da carta é em torno de trezentos e cinqüenta.

Pedro Álvares Cabral, o Capitão-mor da armada aparece na dimensão total de um grande chefe. Ele tudo guia e dele todos dependem, seja direto ou indiretamente.

Pero Vaz de Caminha se despede do rei D. Manuel pedindo um favor, nas seguintes palavras, “...E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé Jorge de Osouro, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê”.

"Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, Sexta-feira, primeiro de maio de 1500.

Pero Vaz de Caminha”
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OBS: Caminha morreu em Calicute, em 1501, juntamente com 50 portugueses chacinados pelos árabes.

Referência Bibliográfica

CASTRO, Sílvio. A Carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre, L&PM, 1985.

Para saber mais
Zero Hora, 18 a 22 de abril de 2000.

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