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Texto publicado em 08/04/2004* - 09:41, quinta-feira.por Prof. Darli Alves
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 8 anos!
Brasil 504 – “Cabral e a viagem do descobrimento”
Este texto informativo foi escrito com a finalidade de refletirmos os 504 anos de descobrimento ou invasão do Brasil levantando alguns questionamentos, tais como: o que temos para comemorar? Quem foi o descobridor do Brasil? Qual foi o destino dos descobridores? Como serão os próximos 500 anos?

Este texto informativo foi escrito com a finalidade de refletirmos os 504 anos de descobrimento ou invasão do Brasil levantando alguns questionamentos, tais como: o que temos para comemorar? Quem foi o descobridor do Brasil? Qual foi o destino dos descobridores? Como serão os próximos 500 anos?

Com a finalidade de instalar feitorias na Índia estabelecendo o lucrativo comércio de especiarias e artigos de luxo nessa região do Oriente, D. Manuel, rei de Portugal, organizou uma poderosa esquadra formada por três naus e dez caravelas, com uma tripulação de aproximadamente 1.500 homens, sob a liderança do fidalgo Pedro Álvares Cabral. Essa expedição contava com experientes navegadores, como Bartolomeu Dias, Nicolau Coelho e Pero Escolar. Iam também a bordo das embarcações, religiosos como o Frei Henrique Soares de Coimbra e o escrivão Pero Vaz de Caminha, além de 1.200 homens de armas, intérpretes, degredados entre outros.

A esquadra de Cabral partiu do Porto do rio Tejo, na praia do Rastelo, em Lisboa no dia nove de março de 1.500. Deveriam seguir a mesma rota marítima percorrida por Vasco da Gama dois anos antes, mas primeiro era necessário tomar posse do Brasil, terra espionada por Duarte Pacheco Pereira a serviço da Coroa portuguesa em 1.498 (além do português Duarte P. Pereira, os historiadores estão em busca novas informações que provem que os espanhóis Vicente Yañez Pizón e Diogo de Leppe e o italiano Américo Vespúcio estiveram no Brasil antes de Cabral).

Depois de 44 dias de viagem, os homens de Cabral puderam gritar “Terra à vista” ao avistarem um monte, o qual deram o nome de Monte Pascoal, pois era quarta-feira, 22 de abril, poucos dias depois da Páscoa.

O primeiro contato com a terra deu-se no dia seguinte. Pelas 10 horas da manhã o veterano das índias, Nicolau Coelho, foi até a praia num bote e lá fez o primeiro contato de forma amigável com 18 nativos tupiniquins “pardos, nus e com arco e flechas nas mãos”. Nicolau deu-lhes um gorro vermelho e uma carapuça. Pouco tempo depois aquele local foi batizado com o nome de Ilha de Vera Cruz. Ao perceberem que não se tratava de uma ilha, o nome foi mudado para Terra de Santa Cruz, hoje Brasil.

Na sexta feira, a esquadra que ainda não tinha ancorado próximo a terra devido a baixa profundidade, rumou 70 Km ao norte a fim de encontrar um lugar seguro para ancorar suas embarcações (daí o nome Porto Seguro-BA). O local que recebeu as naus e as caravelas denomina-se hoje cidade Santa Cruz Cabrália.

No domingo, 26 de abril, Frei Henrique S. de Coimbra, rezou a primeira missa no Brasil aos olhos atentos e pacíficos dos índios, rezada no Ilhéu da Coroa Vermelha. Ao longo desse dia, grande foi a festa e alegria dos portugueses. No dia 1º de maio, foi celebrada a segunda missa no Brasil. Uma procissão ergueu uma enorme cruz e Cabral tomou posse da terra em nome do rei de Portugal.

No dia 02 de maio a caravela de Gaspar de Lemos regressou para Portugal levando ao rei a célebre carta de 28 páginas escrita por Pero Vaz de Caminha, onde o escrivão relata toda a aventura do “descobrimento”, a fauna e flora brasileira, os primeiros contatos dos portugueses com os índios, seus usos e costumes. As outras onze embarcações seguiram para a Índia (uma das naus, comandada por Vasco de Ataídes afundou com 150 homens antes de chegar ao Brasil), onde cumpriria a missão comercial a que se destinava.

No dia 23 de maio, quando a frota se aproximava do Cabo da Boa Esperança (ex-Cabo das Tormentas), desencadeou-se uma terrível tempestade levando o desespero aos tripulantes que viam as naus de Aires Gomes, Simão de Pina e Luís Pires com mais de 300 homens naufragar. Ali afundou também a caravela de Bartolomeu Dias com 80 tripulantes, “cujos corpos serviram de alimento para os peixes”.

Reduzida a sete embarcações, a armada chegou às Índias no final do mês de agosto. Cabral obteve permissão para fundar uma feitoria, mas em 16 de dezembro o estabelecimento foi atacado, o fidalgo e seus homens reagiram bombardeando Calicute por dois dias, provocando grandes estragos.

As seis embarcações restantes (a embarcação de Sancho Tovar encalhou e Cabral mandou incendiar o navio, ele não queria que outros povos estudassem suas embarcações), repletas de especiarias e a tripulação sobrevivente, cerca de 500 homens, iniciaram sua viagem de volta, sendo recebido pelo rei português no dia 23 de julho de 1.501 depois de 500 dias longe de seus lares.

Segundo registros históricos essa foi a primeira e última viagem de Pedro Álvares Cabral. O “grande descobridor do Brasil” caiu na desgraça da Corte quando ao se desentender com o rei sobre uma futura viagem às Índias em 1.502 foi substituído por Vasco da Gama. Retirou-se para Santarém, lá morreu em 1.520 aos 53 anos.

Pobres e esquecidos

Morrer pobre e esquecido, parece ser o destino desses “descobridores”. Em 1.506 aos 55 anos morria Cristóvão Colombo (“o descobridor da América”) em situação semelhante a de Cabral. Muitos outros morreram de forma horrenda como Bartolomeu Dias, que se afogou nas proximidades do local que ele batizara em 1.488 de Cabo das Tormentas ao descobrir o extremo sul da África, e Fernão de Magalhães, assassinado nas Filipinas na primeira viagem de circunavegação da terra. Seria um castigo de Deus por esses homens terem praticado tanta barbárie no “Novo Mundo?” Não dá para esquecer que milhares morriam de fome, freqüentemente a alimentação era reduzida à serragem de madeira e até mesmo ratos eram deliciados como um saboroso banquete. O escorbuto, doença pela falta da vitamina C, inchava as gengivas até desaparecer os dentes provocando hemorragias. Ao serem rasgadas as carnes podres das gengivas, a boca ficava muito mal cheirosa levando as vítimas à loucura e a morte em menos de três meses.

Mas com certeza, a desgraça maior bateu-se contra os índios, verdadeiros descobridores do Brasil, que aqui chegaram há mais de 40 mil anos. “Os homens de cor de mandioca descascada” ou “caras pálidas”, trouxeram a morte e a destruição aos “homens pardos” ou “pele vermelha” (mais conhecidos como índios, apelido dado em 1.492 por Colombo, por pensar que estes seres de cor diferente fossem indianos). Hoje a população indígena no Brasil é inferior a 500 mil habitantes, quando há 500 anos atrás estima-se que havia entre 2,5 a 5 milhões de nativos.

Descobrimento ou invasão

Nesses 504 anos de descobrimento ou invasão, é necessário refletirmos profundamente a nossa história. O Brasil poderia comemorar várias datas: do homem Pré-Cabraliano, da chegada dos portugueses em 1.500, da vinda dos africanos (não como imigrantes), alemães, italianos, japoneses, judeus e assim por diante..., pois somos uma nação formada por várias etnias, mas não podemos esquecer que acima de tudo somos brasileiros, um povo multicolorido devido a fusão de “raças”, temos um sangue multirracial, uma mistura das várias etnias. Precisamos repensar o Brasil, redescobrir nossa Pátria, buscando construir um mundo mais digno e justo e, quem sabe, daqui a 500 anos, os brasileiros sintam orgulho de sermos todos irmãos... brasileiros.



Para entender melhor

Feitorias: grande depósito de mercadorias nas colônias portuguesas (África, Ásia e Brasil). Esquadra: conjunto de navios.
Caravelas: tinham cerca de 20 metros de comprimento. Não dispunham de cesta de observação no alto do mastro e usavam velas triangulares. Velozes e fáceis de manobrar, eram ideais para as navegações costeiras. Mas eram pequenas e fracas para o alto mar. Levavam 25 a 100 homens. As caravelas não possuíam banheiros e havia poucas camas, as necessidades eram feitas no porão do navio ou dentro de um balde de madeira, muitos se abrigavam-se no relento agrupados no convés ou nos poucos espaços internos dos navios.
Naus: tinham o dobro do tamanho das caravelas. Usavam velas quadradas e tinham cesto na gávea, onde os marinheiros vigiavam o horizonte. Algumas chegava abrigar 700 tripulantes. Pedro Álvares Cabral comandou a Nau Capitânia.
Fidalgo: indivíduo que pertence a nobreza portuguesa.
Escrivão: pessoa encarregada de escrever vários tipos de documentos entre eles o diário de bordo.


Referência Bibliográfica
BUENO, Eduardo. A viagem do descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. 160 p. (Coleção Terra Brasilis; 1).

BUENO, Eduardo. Brasil: Terra à Vista! A Aventura Ilustrada do Descobrimento. L&PM. Porto Alegre, 2000. 112p.

BUENO, Eduardo (Coord.). História Ilustrada do Brasil. Zero Hora. Porto Alegre, 1998. p.17-24.

CAVALCANTI, Pedro. Colombo: Herói (ou vilão?) do Novo Mundo. Superinteressante, nov/1991.

LISBOA, Fernando Valeika de Barros de. O navegador dos lusíadas.Superinteressante, jul/1997.

WAGNER, Oliveira de. As descobertas do Brasil. Galileu, fev/2000. p.58-69.

Globo Ciência, abr/1997. O verdadeiro descobridor do Brasil. P.30-34.

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