| | Inauguração da Pira da Pátria com o acendimento do Fogo Simbólico. Ao fundo o prédio que serviu para o Grupo Escolar, Recreio Gramadense e Cinema Brasil. |
Era um local que jamais se pensaria em ser uma praça.
Era uma pedreira !
Mas este local alto, seco e num espaço previsto para a construção da capela católica, era tentador. Tudo em volta era uma grande área de terra cheia de banhados, chamada de “banhado das saracuras” e os tropeiros que por aqui passavam, paravam para descansar, pousar e seguir viagem no outro dia.
Deste local, para o norte e para o sul, dois declives fortes que mais tarde seriam aterrados, marcariam a parceria da Borges de Medeiros.
Por muitos anos , enquanto o povoado tomava forma, aquele local ficou sendo analisado para ser uma praça. Toda a vila tem uma praça... Gramado precisava de uma...
As terras de Tristão José Francisco de Oliveira tomavam todo o centro do povoado de Gramado . Foi dele que Pedro Benetti adquiriu a área que envolve a praça, a igreja, o colégio, sua casa... Quando Pedro Benetti doou suas terras para que a Capela de São Pedro fosse erguida, o espaço da praça fazia parte desta doação.
Com o auxílio de toda a comunidade do povoado, a praça foi tomando forma e até o uso de dinamites foi necessário para desmanchar a pedreira do local.
O Major Nicoletti, envolvido diretamente com a administração do distrito, acompanhou pessoalmente estes trabalhos.
Em 7 de janeiro de 1934, com as presenças do Intendente de Taquara, Cel. Theobaldo Fleck e muitas outras autoridades importantes da época, o próprio Major participou da inauguração. Naquele tempo se podia dar nome ao locais e ruas com as pessoas vivas ainda... Em discurso comemorativo, o Intendente, após cortar a fita inaugural e abrir os jardins para a visitação pública, deu à praça o nome de PRAÇA MAJOR NICOLETTI FILHO, por todo o trabalho desenvolvido por este político, em Gramado, desde seu nascedouro.
Ao som de músicas tocadas pela Banda local “Flor da Serra”, os presentes aplaudiram muito todos os demais que se pronunciaram naquela hora: o Major João Hugo Kroeff, o jovem professor Hugo Daros e o jovem estudante Oscar Bauer. O Major Urbano Benigno dos Santos agradeceu em nome do homenageado.
A praça inicialmente tinha oito grandes canteiros com pequenas cerquinhas de madeira para a proteção das plantas e flores. Uma vegetação arbórea bastante significativa, predominando os ciprestes. Postes de uma suave luz clareavam a noite deste espaço de lazer.
Era toda cercada de arame farpado para evitar a entrada dos animais e das tropas que por aqui passavam. Nos dois lados opostos, haviam rotativas de madeira, para as pessoas adentrarem. A natureza podia vicejar à vontade !
Bancos de ripas de madeira espalhados por todos os caminhos da praça favoreciam as paradas para os diálogos, fazendo com que, desde seu início, esta praça fosse sempre muito tagarela.
A Borges tinha plátanos e o colorido das folhas, já naquela época, era muito bonito. A população zelava pela praça , é claro ! Aos domingos, antes e depois da missa da manhã e antes e depois da matiné no cinema, à tarde, esta praça ficava ainda mais repleta.
Em 1941 a praça recebeu a Pira da Pátria e o Pedestal para a Bandeira do Brasil. Os eventos cívicos terminavam sempre aqui, com homenagens para a cidadania. Todo o povo da vila acorria ao centro para, na praça, acompanhar tudo o que nela acontecia.
Nos anos 60 uma releitura : foram retirados todos os ciprestes e todos os canteiros. A cerca já havia caído fazia muito tempo.
Novos canteiros de formas arredondadas se espalharam. Novos bancos e, bem ao centro, a rosa dos ventos com o nome da Praça Major Nicoletti escrita no chão, com paralelepípedos coloridos. A juventude dos anos dourados de Gramado possuem muitos relatos de suas vivências nesta praça feliz.
No final dos anos 70 um aumento significativo aconteceu quando ela se esticou até a esquina da rua Cel. Diniz, hoje Avenida das Hortênsias. Ocupou o espaço em que existiam o antigo Hotel Fisch e a famosa Casa das 3 Pontas, da família Abdala. A cidade havia crescido: a praça precisava crescer também... Recebeu o prédio da Central de Informações Turísticas e os banheiros públicos, facilitando o diálogo com os visitantes e uma consciência maior de lazer. Um chafariz, um lago, ponte e o seu nome marcado em placa de ferro. Onde havia a antiga travessa do cinema, ficou o “Largo Cláudio Pasqual”.
Com a transformação da rua Madre Verônica em Rua Coberta, nossa praça faceira ficou mais faceira ainda !
Os eventos que foram se sucedendo nos anos seguintes se encarregaram de colocar e retirar adereços, fazendo com que a praça mudasse freqüentemente de aspecto.
Quantos eventos, quanto desfiles, quantas alegrias ela vivenciou...
Quanto charme e quanta simplicidade ela fez nascer...
Quantas gerações nela se encontraram...
Quantos romances ela animou...
Hoje, 70 anos depois de sua inauguração, ela continua a acolher o carinho de nosso povo e a curiosidade de convívio dos visitantes.
Hoje, ela recebe uma cascata, um coreto, nova forma de paisagismo, sombreamento de flores suspensas e uma iluminação especial. Banco, muitos bancos... e muitos locais de repouso.
Hoje, ela recebe o Busto do Major Nicoletti que marcará para a posteridade o quanto ele representou para Gramado, em todos os tempos.
Hoje, você é a testemunha de uma nova história que, completando esta que contei, garante que a vida continua e que novas crianças, jovens e idosos poderão conviver sempre nesta terra saudável que é a nossa Gramado.
Hoje você também é responsável por ela, zelando por sua história e por suas belezas.
Pesquisa : Marilia Daros
Texto lido por Silvia Zorzanello no dia 21 de dezembro de 2003, abrindo as comemorações do Cinqüentenário de Emancipação de Gramado. |  | |