Entrelivros

Cultura Artigos 26 Abril / 2018 Quinta-feira por Juarez José Cognato

Lançamentos

INSÔNIA - Graciliano Ramos. Coletânea relançada reúne, entre outros, alguns contos produzidos no período em que o autor esteve preso a um leito de hospital e durante o Estado Novo. A obra revela a capacidade do autor de mergulhar na própria dor, de encontrar a do outro, de enxergar a de muitos semelhantes, impossibilitados de expressão, e de criar uma forma de transmiti-las, em insônia e arte.

NOITES FLORENTINAS - Heinrich Heine. A cuidadosa edição da Editora Carambaia ilumina outros aspectos dessa obra multifacetada: o erotismo, a ironia e uma humorada crítica ao culto à arte, ao mito da Itália como berço da cultura, aos costumes e ao fetichismo dos salões e dos intelectuais. A mescla de gêneros, a oscilação entre sublime e grotesco, a atitude irônica e negativa diante da arte e da vida, situam o autor como um importante desbravador de caminhos da literatura moderna.


Miscelânea
Trechos de uma crônica de Machado de Assis: “Desde criança, ouço dizer que aos condenados à morte cumprem-se os últimos desejos. Lí até, que um condenado à morte, perguntando-se-lhe, na manhã do dia da execução, o que queria, respondeu que queria aprender inglês. Há de ser invenção, mas achei o desejo verossímil, não só pelo motivo aparente de dilatar a execução, mas ainda por outro mais sutil e profundo. A língua inglesa é tão universal, tem penetrado de tal modo em todas as partes deste mundo, que provavelmente é a língua do outro mundo. O réu não queria entrar estrangeiro no reino dos mortos.”
Epigrama de Marco Valério Marcial (38-104 a.c) – “O que faz a vida mais feliz, Marcial, são coisas assim: grana não suada, mas herdada, terra produtiva, fogo sempre aceso, longe de leis, livre de toga, mente quieta; vigor natural, corpo com saúde, franqueza prudente, amigos afins, fácil convívio, mesa modesta, noite sóbrias, sem preocupações, cama pura sem ser pudica; um sono bom que abrevie as trevas: aceitar o que se é e não ter medo do último dia, nem ficar à sua espera”.


Livro
“O livro como objeto não vai desaparecer, é insuperável, tal qual a roda ou o martelo. Você pode levá-lo para sua banheira sem ter medo de morrer eletrocutado, pode ler numa ilha deserta, enquanto o pobre Robinson Crusoé não saberia o que fazer com as baterias descarregadas de um e-book. Este livro em papel sobrevive mesmo que o deixemos cair do 5º andar de um prédio, mas tente fazer o mesmo com um livro eletrônico”. (Humberto Eco).

Castro Alves
“Oh! Bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar! O livro caindo na alma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar.”

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