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| Texto publicado em 12/11/2008* - 18:28, quarta-feira. | por Lisete Heidrich | | *Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 3 anos e 6 meses! |  Adornando nosso pinheiro natalino As imagens natalinas estavam por todos os lados anunciando a chegada do Natal.
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 As vitrines eram decoradas com enormes sinos coloridos e pendentes. No enorme rádio de meu pai ouviam-se os tradicionais jingles natalinos incentivando as vendas nos comércios da capital. Na televisão p&b a propaganda mais esperada era da Coca-cola . Até as cartas recebidas pelo correio continham um selo com imagem de árvore natalina. As ruas se enfeitavam com lâmpadas coloridas e as pessoas se cumprimentavam com um alegre:”Feliz Natal”!
Como todos os anos, meu dever e o de minha irmã, era providenciar os adornos para a nossa árvore natalina e para o presépio que seria montado embaixo dela.
Ao meu pai cabia buscar o pinheiro. Primeiro encomendava a árvore com pessoas que faziam disso um comércio na época natalina. Marcava um dia e, sem nenhuma consciência ecológica, derrubavam a escolhida e “plantavam-na” numa lata com pedras, água e 6 comprimidos de Melhoral dentro da sala de estar.
Então, acompanhados de nosso pai, íamos ao mato para colher musgos e plantas que usávamos para compor o cenário do presépio. O local escolhido para a “colheita” era sempre perto de um riacho com muitas pedras de onde raspávamos os musgos e cuidadosamente colocávamos numa caixa para não se decomporem. Lá voltávamos nós para casa a fim de montar o nascimento de Jesus.
Primeiro pedras e tocos eram dispostos embaixo do pinheiro para dar volume e compor um cenário de relevos. Após, preenchíamos os espaços com lona e sobre esta eram colocados os musgos formando então “planaltos e vales” onde desenhávamos com areia trazida da praia a estradinha que levava os três Reis Magos até a manjedoura onde estavam as figuras da Sagrada Família.
A árvore esperava por seus adornos
Bolas coloridas, grandes embaixo e menores mais para a ponta e nesta, a estrela guia, brilhante e imponente saudando o Natal. Rodeando a árvore, correntes prateadas feitas com rolinhos de papel que um a um enfiávamos num cordão formando metros que dariam várias voltas no pinheiro. Então o algodão branquinho que colocávamos de punhado em punhado simbolizando a neve que conhecíamos apenas por fotos e nos filmes da televisão.
Faltava mais um detalhe para que a árvore ficasse pronta.
Hoje considero que esta era a parte mais importante. As velas que simbolizam a luz de um novo renascer. Eram velas pequenas e coloridas presas em suportes próprios nos galhos da árvore, acesas aos domingos de advento natalino, terminando suas vidas úteis na noite de 25 de dezembro quando toda a família se reunia ao redor deste símbolo natalino para celebrar o nascimento de Jesus.
Recordo com saudades desta “tarefa” lúdica e tão importante na nossa formação religiosa e cultural.
Muitos leitores desta descrição, com certeza, hão de se lembrar e até acrescentar passagens ainda mais ricas de seu natal-criança.
Os tempos mudaram e tudo se modernizou. Os pinheiros não são mais abatidos para se transformarem em pinheiros de Natal e isto é muito positivo. Os enfeites não são mais confeccionados artesanalmente em casa, tudo agora se adquire e por preços que competem com nosso tempo disponível. Tudo é rápido, comercial e até banal. Valores se perdem em detrimento de um cotidiano superficial e preocupante.
Não tem como voltar, mas, no coração e nas lembranças ainda temos como recuperar.
Texto escrito por: Lisete Heidrich |  | |
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