O grau de eficiência de cada um desses suportes está intimamente ligado com a personalidade e a verdade individual de quem acessa ou pretende acessar o conhecimento e a sabedoria - e eu confesso que se puder aprender sem ter que passar pelas experiências (falo especificamente das doloridas), tanto melhor. Então nem é preciso dizer que sou uma ingênua mas bem intencionada devoradora de livros, filmes, manuais, sites, enfim, tudo que pode assinalar para uma vida mais feliz e realizada, desde as interpretações mais populares até as mais complexas.
Outro dia, exercitando meu vício e prazer pela leitura, li algo que assinalava para três únicas possibilidades de resposta, diante de qualquer fato da vida. O autor defendia a idéia de que sempre somos influenciados por duas forças, a do bem e a do mal, gerando cada uma a respectiva decisão para o fato, que poderiam ser somadas à terceira, que seria composta pela nossa posição em escolher uma das duas anteriores.
Gosto muito das simplificações cartesianas para a vida. Escolher entre o bem e o mal parece algo bastante prático, especialmente àqueles que tiveram uma formação religiosa desde a infância. As dificuldades em fazer escolhas na vida a partir desses dois princípios começam na própria relativização dos conceitos. O que é bem pra um pode não ser pra outro e aí o que importa? O que é bem pra mim ou para o outro?
Aqui entra outra chave cartesiana para resolução de problemas na vida. Alguém comentou certa vez que estamos sempre oscilando entre o egoísmo e o altruísmo. Em nossos atos, pensamentos e sentimentos, ou beneficiamos o outro ou beneficiamos a nós mesmos, com raras exceções conseguindo conjugar as duas coisas.
As soluções cartesianas são mais numerosas. Existe outra, um pouquinho mais lógica, que diz que podemos dar respostas conforme o meu eu-humano ou o meu eu-animal. Exemplo: em um acidente de trânsito em que ninguém saiu ferido e portanto tem energia, raiva e disposição pra uma briga, a resposta do eu-animal seria sair do veículo, sair xingando e ao mesmo tempo ser xingado porque o outro motorista reagiu como você. Uma resposta conforme o meu eu-humano seria sair do veículo, perguntar se o outro motorista se machucou, chamar civilizadamente o guarda de trânsito, acertar os trâmites para o pagamento das despesas e se despedirem.
Tenho mais uma fórmula cartesiana. Ela diz que, diante dos fatos da vida, podemos dar respostas segundo o eu-divino ou segundo a nossa personalidade. Segundo o eu-divino, seria algo como pensar no amor e bondade absolutos, tudo aquilo propagado e inspirado por Deus ou pelo universo, e adequar nosso comportamento a esse preceito, não importando o quanto sofremos e, de certa forma, até prejudiquemos nossa personalidade. A personalidade, aqui, é compreendida como tudo relacionado ao mundo, como conquistas materiais, títulos, poder, status, etc... As respostas segundo nossa personalidade seriam todas vinculadas à preservação do eu pessoal, prevendo-se também a vaidade, o orgulho, etc.
Simples, não? Pelo menos teoricamente...