Apesar de Gramado ser uma cidade tão encantadora, traz junto com esses encantos um lado nada atraente.
Desde cedo nós, cidadãos gramadenses, fomos educados para receber e proporcionar o bem-estar ao turista. Plantar flores a cada estação, a limpeza impecável das ruas e as casas com suas fachadas sempre cuidadosamente preservadas. Não esquecendo a educação, a maneira de tratar e o atendimento sempre solícito.
Também em datas específicas como Natal, Páscoa e nos principais eventos, a cidade se caracteriza com luxo e originalidade.
Por outro lado esta preocupação excessiva em causar uma boa impressão ao turista acaba proporcionando um certo desconforto aos moradores de Gramado. Como quanto à conservação dos bens municipais, onde algumas empresas sejam elas gramadenses ou não, desconsideram o patrimônio do município, derrubando prédios históricos e ferindo a memória da comunidade.
A perda de identidade do morador, com a sua própria cidade, faz com que as pessoas não se reconheçam nas ruas, tornando-as distantes, o que provavelmente fragilizará os laços da próxima geração.
Cabe aqui o alerta. Onde ficará o meio termo desta questão? Talvez na nossa reflexão diária e conjunta. Talvez na nossa consciência individual ou talvez no próprio andamento do progresso.
Escrito por: Alexandra Tedesco; Cláudia de Morais; Vanderson Corrêa; Vanessa Masotti e Viviane Bezzi (participantes da Oficina Construção de Textos – Centro de Cultura de Gramado).
Junho 2003
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