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A confusão dos sexos na modernidade
A mulher gosta daquele homem sentimental que chora de soluçar quando assiste “Diário de uma Paixão” e o homem gosta daquela mulher independente que conquistou seu espaço de destaque no mercado de trabalho.

Guilherme Drago
por Guilherme Drago
Texto publicado em 02/07/2008 - 08:30, quarta-feira. (126 acessos)
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A confusão dos sexos na modernidade
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Será que existe alguma relação entre “a confusão dos sexos na modernidade” com o “Mito do Amor” descrito por Platão nos diálogos de “O Banquete”? A resposta é simples: existe muita relação!
Segundo tal mito de Platão, existiam seres esféricos, fortes e vigorosos tentando galgar o Olimpo (a montanha sagrada onde moravam os Deuses Gregos). Esses seres que almejavam o poder possuíam dois sexos ao mesmo tempo, quatro mãos, quatro pernas e duas faces idênticas opostas.

Diante de tal perigo, o chefe de todos os Deuses, Zeus, decidiu cortar ao meio os andróginos. Ao enfraquecer o homem e a mulher, assim criados, Zeus condenou cada metade a buscar a outra, o desejo extremo de re-unir-se e curar a angustiada e ferida natureza humana.

Podemos afirmar, todavia, que não foi em “O Banquete” que se iniciou a preocupação da humanidade com a androgenia.

Se perguntarmos a um biólogo o que é androgenia, ele irá responder que se trata de um ser que possui os dois sexos ao mesmo tempo.

Todavia, se analisarmos sob o prisma social, a androgenia possui um caráter eminentemente cultural. Ela nada mais é do que a inversão de papéis socialmente catalogados e pré-estabelecidos. Androgenia não tem nada a ver com bissexualidade ou homossexualismo. O que importa é o papel desempenhado pelo indivíduo no meio social em que vive.

Querem exemplos de androgenia? Podemos citar o caso de um homem que não tem vergonha de chorar e expor seus sentimentos. Querem exemplos de mulheres? Podemos citar mulheres que pagam a conta da janta e que assumem o sustento da casa.

Lógico que a diferença de sexos diminuiu com a bem-vinda entrada da mulher no mercado de trabalho, principalmente em posições de destaque.

Na verdade a emancipação feminina veio em muito boa hora. Eu, particularmente, sou um fã das mulheres no mercado de trabalho, assim como no meio acadêmico. Aliás, as mulheres estão tomando conta dos bancos acadêmicos há muito tempo. É muito maior o número de mulheres cursando Mestrado e Doutorado nas universidades. Não existe, para elas, aquele velho tabu de que “isso é coisa de homem ou de mulher”. Talvez essa frase ridícula tomou voz no Brasil em decorrência do movimento feminista norte-americano, que fincara suas raízes no conservadorismo de fachada.

Na verdade falta para o homem sensibilidade e tranqüilidade para executar atributos do sexo oposto! Mesmo assim acho complicado “o masculino” e “o feminino” serem levados à risca. É menos sexy! A mulher gosta daquele homem sentimental que chora de soluçar quando assiste “Diário de uma Paixão” e o homem gosta daquela mulher independente que conquistou seu espaço de destaque no mercado de trabalho.

Há uma qualidade que seduz em Marlene Dietrich e Greta Garbo que vem em parte da sugestão de virilidade lá no fundo de suas personalidades.

Como eu disse antes, a androgenia é uma questão cultural. Na Alemanha da década de 20, os cabelos curtos usados pelas mulheres era uma contestação ao ideal feminino pregado pelos nazistas, que pensavam nas mulheres como robustas valquírias de cabelo longos e loiros. À época, vestir-se como homem, pensar e agir como um marxista de carteirinha era ser mesmo muito contra!
Atualmente concordo com a opinião de Carlos Byington, um psicanalista paulista que escreveu “Dimensões simbólicas da personalidade”. Ele diz que o “dinamismo da alteridade consiste na interação igualitária das polaridades”. É como se o homem recuperasse seu lado feminino sem virar gay, e a mulher o seu lado masculino sem se tornar uma lésbica!
Temos muitos andrógenos no Brasil, seja em épocas de festas como no meio musical e político! Querem um exemplo de uma festa andrógena? O carnaval. O carnaval é a maior expressão de androgenia, onde o homem adora se vestir de mulher e o rico adora se vestir de pobre! Querem um exemplo no meio musical? Escutem Ney Matogrosso e seu grupo “Secos e Molhados” da década de 70. Querem um exemplo na política? O nosso Ministro Gilberto Gil! Ele cantou a androgenia em “Superhomem”: “Um dia/vivi a ilusão/de que ser homem bastaria/...que nada/minha porção mulher/...é poção melhor”.
   
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