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Texto publicado em 20/11/2007* - 16:12, terça-feira.por Guilherme Drago
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Democracia à brasileira
Na nossa democracia se permite que a população fique sem saber quem votou em quê; permite o segredo em votações de caráter público; permite que acordos individuais se sobreponham a interesses coletivos de toda a sociedade.

A absolvição do senador Renan Calheiros foi um acontecimento que não era para ter causado nenhuma surpresa para a sociedade brasileira. Aliás, será que algum brasileiro, em sã consciência, acreditou que o senador Renan Calheiros seria absolvido numa votação secreta?

Quem acreditou nisso certamente acredita em ética na política brasileira. Todavia, atualmente é mais fácil acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa do que em ética na política do nosso país.
Uma votação desse tipo só existe em um país como o nosso, cicatrizado pela permissividade e pela corrupção na política. Vivemos num país onde existe uma democracia de fachada, que deixa passar ao largo os anseios sociais para supervalorizar o acordo de compadres em busca da perpetuação de poder.

Num tom carregado de deboche, o senador absolvido afirmou que a referida votação acabou por valorizar a democracia. Ele estava certo. De fato, o conceito de democracia no Brasil é diferente.

A nossa democracia favorece o compadrio, a troca de favores, sendo que o “rabo preso” de alguns parlamentares fala mais alto na ocasião de uma votação desse tipo. Afinal, como colocar o dedo na ferida se muitos ajudaram a criá-la?

Para cassar o senador Renan Calheiros, os outros senadores deveriam ter, no mínimo, moral para isso. Mas como exigir moral do Senado da República se a maioria de seus membros sequer sabe o que é isso?

Se o senador Renan foi absolvido é porque grande parte de seus pares se coaduna com as atitudes tomadas por ele. Se assim não fosse, a cassação seria caminho irrefutável.

Na nossa democracia se permite que a população fique sem saber quem votou em quê; permite o segredo em votações de caráter público; permite que acordos individuais se sobreponham a interesses coletivos de toda a sociedade.

Como a moralidade e a política andam por caminhos diametralmente opostos, e pelo visto continuarão a andar dessa forma por um longo período, devemos nos vacinar contra esse tipo de conduta característica da democracia brasileira, posto que situações como essas são absolutamente normais no Brasil.

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