Entretanto, o ativismo da cultura contemporânea é que nos prende de tal forma que esquecemos até de nós mesmos, da família, de viver e desfrutar das coisas que a tecnologia com seu vertiginoso desenvolvimento nos proporciona a cada dia que passa. Se por um lado, o homem com a inteligência dada pelo Criador fez com que criássemos maravilhas fascinantes, dão conforto e bem-estar, por outro, sentimos que isso também tem um preço se não tomarmos consciência que estamos inseridos na temporalidade que se expressa pela finitude do tempo. O grande sonho do homem foi sempre a descoberta do segredo para a longevidade, que sem margem dúvida, é uma realidade gostosa que cada vez mais se concretiza. Hoje é comum pessoas com mais de 100(cem) anos. No Brasil há hoje uma população superior a 20.000(vinte mil) pessoas centenárias, que por outro lado, afeta a economia dos cofres públicos, dada a cultura das famílias em ter um, dois ou no máximo três filhos, acaba dificultando a manutenção de uma população longeva que precisa ser mantida. Daí a preocupação dos governos em aumentar a faixa etária para a aposentadoria a fim de manter esse quadro. Essa é uma vitória da ciência, embora haja seu preço na estruturação da sociedade, principalmente, quando a humanidade perde a razão e o sentido principal da vida. Fomos criados para sermos felizes, entretanto, precisamos ser gratos para com AQUELE, que nos deu a vida: DEUS PAI!
Usufruir, desfrutar e viver a vida consciente da finitude existencial é um dom e uma arte “Construir o futuro significa viver o presente” (Saint-Exupéry). Na verdade esse autor frisa uma relação que nos induz pensar o tempo e vivenciá-lo a cada minuto que passa. É comum dentro da correria dos afazeres expressões como: “não tenho tempo”. Anselm Grün, no livro “A Administração Espiritual do Tempo”, nos aponta alguns exemplos curiosos: “Algumas pessoas decidiram-se, fundamentalmente, por viver mais tarde, no futuro. Creem que mais tarde – nas férias, depois da aposentadoria, ou quando tiverem alcançado isto ou aquilo -, estarão bem, e, então a vida começará”. E continua o autor: “Poder-se-ia escrever algo sarcástico sobre a lápide desta pessoa: QUERIA VIVER MAIS TARDE”. Essa é a cultura que rege a vida de muitos, que, aliás, vivem tristes, amargurados, azedos e sempre de mal com a vida, pois, não vivem e não conseguem viver o tempo presente, vivem fora da realidade do tempo presente. Eles são felizes sempre lá onde não estão, e eternos infelizes.
O tempo à luz dos ensinamentos de Jesus Cristo Encontra-se entre muitos cristãos e de outras crenças uma preocupação com o futuro. Normalmente, são pessoas inseguras, ansiosas, estressadas, que facilmente desanimam e deixam de viver o tempo presente. Jesus em suas pregações tem textos muito próprios para refletirmos sobre essa realidade. “Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois, o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal” (Mt.6,34). Jesus objetivo e realista, quer nos dizer que precisamos do “pensar correto”: Em outras palavras: não nos sobrecarreguemos com preocupações relacionadas ao futuro. Urge substituir isso pela virtude da “confiança”. A preocupação de Jesus está em nos abrir a consciência de que tudo o que se relaciona com a temporalidade são efêmeros, porque o foco da nossa atenção deve ser viver bem o tempo “presente”. O defeito maior da cultura contemporânea é o apegar-se às coisas materiais esquecendo a finitude do tempo e da história. Os cristãos inseridos nesse contexto se perderam na efemeridade da vida acumulando coisas, queimando neurônios dia e noite, quando tudo vai virar cinzas. O espírito que precisamos vivenciar no final de mais um final de ano é ter consciência da efemeridade das coisas, o desapego, viver a simplicidade, a frugalidade, usufruir ou até se quiserem, consumir, embora sempre tivermos diante nós, critérios, valores, princípios que nos direcionam a vida para o sentido último das coisas e da vida como um todo, pois, o tempo de Deus não coincide com o tempo do homem. Em Lc 12,33 vemos: “Vendei vossos bens e dai esmolas. Fazei bolsas que não fiquem velhas, um tesouro inesgotável nos Céus, aonde o ladrão não chega nem a traça rói. Pois onde está o vosso tesouro, aí estará também vosso coração”. Quando Jesus nos fala do Reino de Deus, se refere a um lugar espiritual, uma consciência na qual o tempo não tem nenhuma validade, e não há efemeridade. Até hoje o tempo para os cientistas é um enigma. Newton dizia: “O tempo absoluto, verdadeiro e matemático passa-se sem nenhuma relação com um objeto exterior” daí que ele postulava a teoria da relatividade, “que o tempo não passa de forma absoluta, mas relativamente à velocidade” (GRÜN, p.15). Desejo a todos os leitores um FELIZ E ABENÇOADO ANO 2011! |  | |