Gestor público por amor à Pátria ou Poder pelo poder?

Economiaenegocios Artigos 06 Junho / 2017 Terça-feira por Padre Ari

Jamais se deve confundir como sinônimo “igualdade social” com “igualitarismo”, pois isso não coaduna com uma verdadeira e autêntica visão antropológica. Essa clareza conceitual é importante na medida em que colocada na prática poderá gerar uma disfunção, pois atinge a dignidade do ser humano.
Cada ser humano é único e irrepetível, afinal cada um tem seus próprios talentos.
A visão paradigmática que se fundamenta a organização social sempre é com a preocupação de gerar justiça, respeito mútuo, idoneidade ético moral para todo o cidadão.
Por outro lado, na praticidade irá depender muito de um autêntico processo educacional, que leve em consideração a totalidade do humano.
Na educação dos novos cidadãos é preciso ter em conta o conhecimento de ciência tecnológica, embora sempre em harmonia com os valores e princípios que regem e formam as condutas de todos os cidadãos, não significa o enquadramento do humano num paradigma educacional que tolha sua liberdade e responsabilidade, ainda mais por intermédio de ideologias que não contemplem a identidade na diversidade.
A complexidade desse imaginário sempre corre o risco do enquadramento a interesses alhures à dignidade do ser humano. Por outro lado, ao se tratar de cidadãos que são eleitos para gerir a “Coisa Pública” devem fazê-lo com firmeza e sobriedade, aquilo que pertence a todos e prescindindo da ideia que estão fazendo favores ao tecido social.
Não fazem mais que o dever para com aqueles que o elegeram para administrar a “Coisa Pública em favor do bem comum. Por outro, se vive no momento histórico presente, uma crise profunda dos valores que devem nortear o administrador do serviço público para o bem do tecido social.
Partindo do pressuposto situacional que vive-se atualmente, isto requer um repensar criticamente o papel e a responsabilidade do homem público frente à nação, e, de modo especial os que têm o dever, ao serem eleitos, de conduzir esse processo com equidade, honradez e patriotismo.
O Brasil é uma nação quase continental por si só, e hoje essa realidade vive num processo de transformação, pois “...quando uma sociedade deixa de constituir um tecido descontínuo de trabalhadores rurais, e passa a viver numa pirâmide complexa de vilas e cidades, começa naturalmente a se organizar em torno dos “espaços locais”, do “local de residência, ou seja, espaço de vida”. (DOWBOR, Ladislau – Descentralização e Participação – As novas tendências – Vol. III – Vozes – 2003).
E segue: “O impacto político da formação deste terceiro eixo de organização da sociedade em torno dos seus interesses, o eixo comunitário, marca a evolução de uma sociedade governada por “representantes” para um sistema no qual a participação direta do cidadão adquire um peso muito mais importante”.


A CRISE MUNDIAL E DO BRASIL

Um olhar mais globalizado percebe-se na crise generalizada em todos os continentes, cujo Brasil, principalmente, não é exceção.
Tudo o que está acontecendo em nosso País, não deixa de ser um retrato explícito de sistemas políticos ultrapassados ou alguns que necessitam de ajustes para o momento histórico da pós-modernidade. Muitos sistemas já não têm mais legitimidade, pois a sociedade mostra cansaço, desconfiança, insegurança, medo e irritação frente a paradigmas distorcidos, que não proporcionam um futuro confiável e de paz.
O caso particular do Brasil tem mostrado com tristeza os desvios administrativos dos gestores públicos, que, mediante condutas de corrupção, troca de favores são efetivados para permanecerem no poder sem escrúpulos de consciência.
Essa realidade trágica do ponto de vista da confiança nos representantes dos cidadãos mostra a necessidade de pressão para mudanças profundas.
É preciso tirar as teias de aranha espalhadas no poder central, estatal, municipal e nas diversas organizações, também religiosas.
É preciso deixar entrar um ar puro e refrescante com a entrada de gente de cabeças mais arejadas, políticos novos e idôneos tanto na política, na sociedade como nas diversas organizações que viciaram e se petrificaram no “jeitinho brasileiro” de conduzir o tecido social.
A mídia, aliás, que também tem sua parte de culpa neste processo e que tem seus interesses em manter o “status quo”, por ironia do destino e de forma indireta tem ajudado a fazer com que o cidadão seja mais politizado ao exigir sua participação nas decisões. Tudo indica que “...uma visão política, de que participar na construção do seu espaço de vida, mais do que receber presentes das “autoridades”, constitui uma condição essencial da cidadania”. (DOWBOR, 2003).
A pergunta que se faz nesse estágio da política brasileira é: Por que inúmeros gestores públicos cuja conduta não tem a lisura necessária para atuar, persistem em se manter no poder?
E não são poucos! Será que é falta de humildade, coragem para admitir os erros e que precisam abandonar a representatividade, pois não são mais reconhecidos com legitimidade pelos cidadãos?
É vaidade pessoal? É a sede do poder pelo poder? Por que alguns tentam obstruir a justiça, se de fato são inocentes?

E pior: Os conchavos continuam nos bastidores, ou seja, antes adversários ideológicos, agora são parceiros.
Daí infere-se que: “... se necessita de uma visão institucional menos centrada nas “pirâmides” de autoridade e mais aberta para a colaboração, as redes, os espaços de elaboração de consensos e os processos horizontais de interação (...) finalmente, numa visão centrada no homem, na qualidade de vida, na felicidade do cotidiano, e um pouco menos nas taxas imediatas de retorno”. (ibidem). É momento de pensar e refletir se o cidadão hodierno está exercendo sua cidadania ou esquivando-se dos problemas da nação. É preciso participar e exercer com firmeza e determinação a cidadania.
Fique atento!

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