| 21/11/2008 22:23:19 | ||||||||||
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Mesmo com este resultado recorde, há uma sinalização de desaceleração da economia a ser vista nos dois últimos trimestres do ano, como se segue: 1- Houve um forte crescimento no consumo da famílias no segundo semestre de 2007, principalmente no último trimestre do ano. 2- Neste ano, as famílias estão consumindo menos não por conta do aperto monetário realizado pelo Banco Central, com o aumento da taxa de juros, mas por conta da aceleração da inflação. A alta na taxa Selic sempre tem um tempo para surtir efeito na economia, aproximadamente seis meses. Então, não é isso o que está interferindo. O problema está no aumento dos preços que têm gerado maior inflação, reduz a renda disponível das famílias, e por conseqüência consomem menos do que antes 3- O PIB do primeiro trimestre não mostra apenas ter havido uma redução no consumo das famílias, mas mostra também a influência do cenário externo. As compras externas de bens e serviços, que vinham com taxas positivas desde o terceiro trimestre de 2006, registraram queda de 2,1% no primeiro trimestre de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior. A diminuição das exportações pode estar na atual situação financeira por que passa os Estados Unidos nos últimos meses. Também ajudou a queda nas exportações do primeiro trimestre, a greve dos auditores fiscais em março, embora a paralisação tenha começado só no final do período. O importante mesmo foi a desaceleração econômica dos Estados Unidos, que é o grande parceiro comercial do Brasil. 4- Por outro lado, as importações de bens e serviços por parte do Brasil se mantiveram elevadas no primeiro trimestre deste ano, configurando o 18º crescimento seguido desde o quarto trimestre de 2004. As importações no Brasil continuam em expansão e isso entra como sinal negativo no cálculo do PIB, pois tudo que é comprado por brasileiros, que não foi produzido no país, é considerado ruim para as contas nacionais. 5- Assim, os juros altos que irão ter impacto no crédito, inflação que reduz a renda das famílias, em ritmo mais acelerado, mais os cortes no orçamento, seja para fazer poupança para criar um fundo soberano, seja para fazer recursos para a Dívida Pública Interna, irão ter impacto na economia neste ano de 2008. É uma desaceleração que vai refletir não só o cenário internacional mais conturbado, mas também postergar os investimentos dos empresários brasileiros, impactando negativamente na demanda agregada. (1). Os números de 2007 não deverão serem repetidos, e o crescimento do PIB de 2008 não ultrapassa 5%, contra os 5,4% do ano anterior. (1) Demanda agregada é a soma das despesas das famílias, do governo e dos investimentos das empresas. Consiste na medida da demanda total de bens e serviços numa economia. |
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