Os dados ruins começaram pela leitura da ata da 136ª reunião do Copom que mostrava que o Banco Central iria usar de toda a sua força para conter a elevação da inflação. A sinalização mostrava que os juros continuariam subindo, fechando 2008 com uma Taxa Selic de 14,5%.
Afinal ainda acontecerão mais três reuniões neste ano.
A Bovespa não deixou por menos em apenas nos dois primeiros pregões do mês a queda foi de 6,55%, ficando o resultado no ano negativo em quase 13%.
Os efeitos maléficos do eclipse pareciam serem verdadeiros, como crêem os chineses e outros tantos neste planeta.
Razões aqui no Brasil para grandes temores existem, afinal o mercado acionário brasileiro ocupa o terceiro lugar entre os que tiveram as maiores perdas na América Latina em julho, segundo o Morgan Stanley Capital Index (MSCI) LatAm, que mede o desempenho na região.
O MSCI Brasil caiu 10,48% em julho, ficando à frente apenas do MSCI Argentina, que perdeu 19,31%, e do MSCI Peru, com desvalorização de 16,30%.
Parece que surgiu uma dúvida no mercado sobre um eventual estouro da bolha das commodities, onde a Petrobrás e a Vale são os principais destaques. A queda da Bovespa foi comandada pelos investidores estrangeiros que começaram a retirar suas aplicações nestas ações na bolsa de valores.
Mas, não há uma fuga generalizada de capitais do país. Parte do dinheiro oriundo da venda das ações de fato saiu do país, mas foi para cobrir posições negativas em outros países.
Boa parte ficou aqui mesmo no país e foi direcionada para as boas e altas taxas de juros que começaram a serem praticadas pela elevação da Taxa Selic.
Outro dado interessante é que as reservas brasileiras que no dia 31 de julho estavam em US$ 203.562 milhões, subiram para US$ 203.933 milhões no dia 1º de agosto e no dia quatro já estava em US$ 204.211 milhões.
Outro dado é que embora tenha havido quedas no Ibovespa, principalmente em função das ações da Vale e da Petrobrás, o volume do valor negociado tem sido entre 25% a 30% menor do que das médias anteriores. Ou seja, não existe um “estouro da boiada”, estão todos aguardando uma reviravolta a acontecer.
O Ibovespa encontra um suporte no nível de 55 mil pontos dificultando a continuidade da retração dos preços. Mesmo havendo uma sinalização de elevação na Taxa Selic para este ano, esta não deverá trazer uma queda rápida na atividade econômica, como aconteceu entre 2003 e 2005.
Afinal os números da atividade econômica de 2008 tem sido robustos. Apenas para citar exemplos recentes, os dois maiores bancos privados do país apresentaram lucros no primeiro semestre, superiores a R$ 8 bilhões.
A indústria ainda não mostrou sinais de desaquecimento, aqui no Rio Grande do Sul cresceu 7,8% no período. As filiais brasileiras das grandes montadoras trabalham com números em azul, que só a luminosidade dos bons lucros pode produzir.
Ao contrário das suas matrizes no exterior. Enfim, de volta a bolsa de valores, um dado para ser refletido para temerosos investidores. Em dezembro de 2002 o dólar chegou a ser cotado a R$ 4,00, na ocasião o índice Bovespa, medido na moeda americana representava 2.000 pontos. No dia quatro de agosto, mesmo com a Bovespa em queda, a pontuação em dólares, era de quase 36.000 pontos. Enquanto a moeda americana caiu 61% a bolsa subiu 1.800%, no mesmo período. É na adversidade dos tempos é que se ganha dinheiro.