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Texto publicado em 05/07/2010* - 10:21, segunda-feira.por Padre Ari
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 22 meses!
A sintonia entre Razão e Fé purifica a Política e a Economia dos interesses
A cultura contemporânea terá que repensar os critérios com os quais quer avançar na tecnologia e no desenvolvimento como um todo sem levar em conta uma concepção antropológica em que, acima de tudo, o ser humano é respeitado na sua dignidade, como o meio ambiente.

No bojo da civilização atual que se encontra numa confusão de princípios, esses têm expressiva influência na vida das pessoas, inclusive na forma de educar as novas gerações.
Ainda estão presentes na essência da atual cultura os ranços do iluminismo do século XIX, quando as ciências fragmentaram o conhecimento e a razão, declarando-se como infalível.
Nesse processo, o homem tem o mesmo fim. A religião é uma realidade que está presente na sociedade e, de acordo com o último artigo publicado sobre o futuro da mesma, segundo vários estudiosos, essa jamais será erradicada da vida humana, mesmo que certas crenças tragam elementos discutíveis. Contudo, o avanço da ciência não é incompatível com a religião, desde que a mesma dê passos significativos sob a égide da ética e da moralidade, pois somente assim há sustentabilidade e equilíbrio para um futuro saudável e seguro, enquanto depender da atividade humana. “Desenha-se, na cultura, uma tentativa de superação dos preconceitos mútuos entre o neoiluminismo e religião: O neoiluminismo deverá ler um pouco mais de teologia, a religião deverá ponderar um pouco mais a condição humana” (MARCHIONI, Ética – A Arte do bom, Vozes, 2008, p.32).

A IGREJA SEMPRE DEFENDE O BINÔMIO “CIÊNCIA E FÉ”

Às vezes, falta à cultura contemporânea um pouco de memória histórica consciente ou não, pois foi a Igreja quem criou a universidade desde 1100, com centenas de eclesiásticos cientistas e pesquisadores.
Trata-se da maior instituição cultural dos tempos até hoje. Em Roma, existe desde 1603 uma Academia Pontifícia das Ciências, criada pelo papa Clemente VIII.
Entre seus membros estava Galilei, e ela inspirou o nascimento da Royal Society em Londres (1662) e da Academia Francesa das Ciências (1666).
A Igreja atual convive tranquilamente com a teoria da evolução. A ciência questionada pela religião não é a ciência em si, mas a ciência transformada em ideologia e fetiche.
A ciência é ideológica quando, exorbitando de sua competência sobre o fato físico, luta contra a existência de Deus, que não é físico, ou quando endeusa e mitologiza o cientista, ou justifica formas de racismo e eugenismo pelo manuseio indiscriminado de genes (fonte: ibidem).
É interessante observar o filósofo e teólogo Antonio Marchiori, quando aponta as patologias da religião como as da ciência. Ex: as guerras religiosas, a intolerância intelectual, os excessos no poder temporal, a ganância de ministros no culto, as incoerências na prática diária, as neuroses etc. Por outro lado, ele aponta as patologias da razão nos dois últimos séculos, ou seja: guerras mundiais com milhões de mortos, holocaustos atômicos, campos de extermínio, ditaduras fascisto-nacionalistas e comunistas; estresse, loucuras, infelicidades familiares, sociais, injustiças, criminalidade econômica, deterioração do ambiente, etc.
Diante de tudo isso, só nos resta dizer que precisamos reerguer nosso mundo decaído em todos os segmentos. Entretanto, um dos elementos fundamentais para solucionar as aberrações da atual civilização é a educação das novas gerações para a virtude, aos valores e ao cultivo de uma fé madura, sem fanatismos, pois são fatores decisivos na mudança de paradigma em que haja um comprometimento de todos, começando pelas famílias, escolas e universidades (sejam confessionais ou não), através da disciplina como meio e não como fim. Esse deve ser um trabalho conjunto do Estado, das religiões e todas as organizações vivas em vista de um mundo novo, fraterno e em que se possa respirar paz e sentido de vida.

CONSTRUIR UMA NOVA CIVILIZAÇÃO SEM DEUS É UM FRACASSO

Na tarde do dia 5 de Junho de 2010, em Nicósia, no Médio Oriente, o Papa Bento XVI fez uma importante afirmação ao sugerir a forma de constituir uma única família humana, tendo presente o bem comum. Então, focou três pontos para abrir caminhos de paz e realização para um mundo que vive fragmentado em todos os setores:

a) agir com base no conhecimento dos fatos reais;

b) desestruturar as nefastas ideologias políticas que semearam tragédias no século XX;

c) fundamentar tudo isso sobre princípios éticos da lei natural (L’Osservatore Romano, nº24, jun/10, p. 9).
A lei natural é uma semente de fé que faz parte da essência humana; portanto, não é algo que se inventou e por isso não se suprime no decurso da história, mas algo que nos aponta que nós somos muito mais, enquanto humanos, do que estamos rodeados na temporalidade histórica.
A marca do Altíssimo está por toda a parte, embora o homem contemporâneo, embebido pelo mundo das coisas, perdeu a capacidade de ver, sentir e experienciar a beleza e a presença de “ALGUÉM”, que no misterioso silêncio nos ama e se deu a conhecer através da inserção de Jesus Cristo na natureza humana, sem deixar a natureza divina. Não esqueçamos que: “Quando o homem é enquadrado na humanidade, a humanidade na Vida e a Vida no Universo, é o conhecimento que avança”(BARTOLI, A Economia a serviço da vida – Crise do Capitalismo uma Política de Civilização, p.182). Ainda estamos em tempo para uma profunda mudança histórica sem prescindir do Senhor da História.

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