É o reflexo de uma civilização que criou maravilhas sob o ponto de vista tecnológico, riqueza, conforto e encurtou distâncias através dos meios de comunicação. Contudo, estampam rostos de insatisfação, incertezas e insegurança que, em geral, desembocam na conhecida depressão patológica. Analisando a realidade a partir da globalização fica patente que a tecnologia direcionou o desenvolvimento a serviço do lucro como fim em si. A riqueza hoje é algo simplesmente fantástica. Por outro lado, “(...) cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumenta as desigualdades. Nos países ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas. Em áreas mais pobres, alguns grupos gozam duma espécie de superdesenvolvimento dissipador e consumista que contrasta de modo inadmissível, com perduráveis situações de miséria desumanizadora” (cf. Bento XVI. Caritas in Veritate. nº22). Essa não diminuiu nem combateu a miséria, a fome, o desemprego cuja estrutura global acabou num descontrole social e massivo em toda a humanidade. A problemática não é uma questão apenas nacional, mas uma realidade internacional, já que a economia e a política hoje giram numa esfera mundial, pressionadas pelo fenômeno da globalização.
HÁ UM PODER PLANETÁRIO INVISÍVEL NA CONDUÇÃO DE UMA NOVA ORDEM POLÍTICA SÓCIO-ECONÔMICA?
Essa é uma pergunta que muitos fazem. Quem comanda o todo da atual sociedade, movida por um processo tecnológico nunca antes visto? Qual a força que permeia nos bastidores da política internacional, que trunca o desenvolvimento integral de todas as nações? Para onde caminhamos? O que queremos diante de um quadro que não apresenta referencial algum que seja confiável e seguro? Nas mãos de quem estamos? “Isso nos obriga a pensar uma resposta eficaz para essa crise que ameaça principalmente os mais fracos e desprotegidos, e estamos convencidos de que ela não pode deixar de ser uma resposta política” (cf. Doc. Por um Estado com Participação Democrática. 91. nº5. p.10). E continua: “Não basta fazer o diagnóstico da atual crise; impõem-se também uma tomada de decisão, e esta é uma decisão política” (cf. ibidem). O Documento é muito objetivo quando afirma que precisamos construir consensos políticos justos e assegurar sua implantação a partir de instituições bem alicerçadas, ou seja, que tenha consciência da emergência de um mundo novo e justo. Contudo, as atuais estruturas políticas, os Estados-nações, e até a ONU, parece que perderam o fôlego ante o anarquismo e a falta de rumo da atual civilização. Pergunta-se: Quais valores que defendemos e quais princípios estão nos orientando? Essa realidade necessita ser repensada, e exige um sério comprometimento de todos os segmentos da nossa sociedade. Está aí em nosso país um novo pleito a ser efetivado. Que podemos esperar? “Não há como discutir o Estado, sua estrutura, seu funcionamento e os agentes que lhe dão a configuração humana, se não refletirmos a forma como ele é preenchido por esses mesmos agentes: a Democracia Representativa que também está em crise, não mais respondendo aos novos sujeitos históricos que exigem uma mais ampla participação na construção e na ação do Estado” (cf. ibidem. nº9. p.12).
A CRISE ECONÔMICA REFLETE UM ESTADO-NAÇÃO FRACO SOB A ÉGIDE DO CAPITAL GLOBALIZADO.
A Encíclica “Caritas in Veritate” faz uma afirmação importante à sociedade como um todo e de maneira particular a economistas que tem a visão correta do fim último da economia. “Atualmente, o Estado encontra-se na situação de ter que enfrentar as limitações que lhe são impostas à sua soberania pelo novo contexto econômico, comercial e financeiro internacional, caracterizado nomeadamente por uma crescente mobilidade dos capitais financeiros e dos meios de produção materiais e imateriais. Este novo contexto alterou o poder político dos Estados” (cf. Caritas in Veritate. nº24). E o documento continua: “Os poderes públicos do Estado diretamente empenhados a corrigir erros e disfunções, parece mais realista uma renovada avaliação de seu papel e poder, que devem ser sapientemente reconsiderados e reavaliados para se tornarem capazes, mesmo por meio de novas modalidades de exercício, de fazer frente aos desafios do mundo atual”. A sociedade civil precisa despertar para uma consciência crítica em relação a essa estranha realidade que perpassa nossa civilização a nível local e global, através de mecanismos organizativos onde podemos exercer a cidadania. A solução da atual crise exige uma educação das novas gerações solidificadas por princípios éticos e consciência do seu próprio “Eu” e não diluídas em movimentos religiosos intimistas, individualistas que se arrastam como serpente a uma lavagem cerebral, com a perda da sua identidade de cidadão. A ausência de uma introdução ao pensar crítico, gera homens passivos e conformados com a situação. Esse é o desafio no processo educativo das novas gerações. Precisamos de gente que pensa, reflete, analisa, escreve a história e não deixe se moldar pelos muitos movimentos que circulam em nossa sociedade com o objetivo de nos fazer massa de manobra. Esse é um desafio para o modelo educacional atual! |  | |