Na avaliação sobre o mês de junho, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, o comércio registrou uma variação positiva de 7%. O varejo cresceu nesse período 5,6%, enquanto que o atacado registrou uma variação de 8,6% no seu volume de vendas. “Percebe-se que o comércio está respondendo muito positivamente ao cenário inflacionário que se apresentou nesse início de ano. Ainda assim, temos no atacado os melhores resultados, uma vez que a boa fase da agricultura reflete diretamente nas vendas”, destaca o economista da Fecomércio-RS, Eduardo Merlin.
No varejo, explica Merlin, a maior elevação ocorreu no setor de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (36,4%), e a maior queda nas vendas de livros, jornais, revistas e papelaria (-7,5%). Entretanto, o economista sinaliza que algumas quedas aconteceram naqueles setores em que o consumidor percebeu maior reflexo da inflação e por esta razão segurou o consumo. Foram os setores de Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (-6,39%), e Artigos Farmacêuticos, Médicos, Ortopédicos, Perfumaria e Cosméticos (-2,39%).
No atacado, em sua avaliação mensal, Merlin pontua que os setores focados na formação de bens de capital tiveram os melhores resultados. Foram os casos de Veículos, Motocicletas, Peças e Acessórios (20,24%); Material de Construção (14,68%); e Máquinas, Aparelhos e Equipamentos (48,89%).
Já na relação do acumulado do ano houve uma pequena desaceleração frente ao ano passado, quando o comércio cresceu 7%, ou seja, ficou 1,3 ponto percentual abaixo de 2007 (8,3%). “Há uma reacomodação do consumo. As pessoas estão substituindo produtos e, principalmente, existe um planejamento das compras. A inflação não fez com que o consumo apresentasse uma queda geral. As pessoas passaram a enxergar a crise de outra forma, buscando uma maior negociação de taxas de juros, por exemplo”, analisa Merlin.