A virtude da honestidade e da transparência sempre é benéfica e próspera para a economia

Economiaenegocios Artigos 30 Outubro / 2017 Segunda-feira por Padre Ari

A cultura contemporânea mostra cada vez mais os sinais da decadência, pois perdeu os limites e os valores que proporcionam sustentabilidade e sentido.

A construção da nova sociedade no início desse século frente ao caos em que se encontra vai exigir de todos os setores do tecido social um profundo exame de consciência, pois é bom frisar de que progresso e desenvolvimento jamais são retilíneos e infinitos, mas limitados e situados na temporalidade.
Recompor a história hoje significa voltar o olhar para os princípios que norteiam o equilíbrio em todas as dimensões. Portanto, sempre é bom lembrar que a “natureza não dá saltos”, mas segue passos paulatinos no processo de construção e maturação.
O câncer dessa ideologia subjetivista e individualista está cada vez mais conduzindo a história ao isolamento dos próprios humanos, pois os mesmos deixam de serem os protagonistas das mudanças para se tornarem servos dos próprios impulsos instintivos, aliás, que lhes nega a dignidade de ser pessoa feita à imagem e semelhança de Deus. O pensamento do homem e da mulher da pós-modernidade tornou-se narcisista e, consequentemente dobra-se sobre si próprio anulando-se como ser pensante e de significado.

Vergonhosamente o Brasil nessa semana próxima passada viu uma das cenas mais patéticas de sua história através de seus representantes no poder político, salvo sempre as exceções, de um despudor sem igual. Imagina em que nível chegaram os gestores do poder público. É o retrato mais explícito da decadência ética e moral dessa conjuntura política socioeconômica de nosso país. A concordância para colocar abaixo do tapete escândalos dos que deveriam ser os protagonistas da lealdade e da decência. Não há nenhum argumento que justifique o acontecido. Estadistas com tal conduta não representam a nação e não dão a tão propalada governabilidade.
Por outro lado, é um retrato fiel da indecência e desconfiguração de algo tão sério que é gerir um Estado de Direito, mas uma postura marcada pela mentira e o poder pelo poder.
Veem-se por outro, também muitas instituições em franca decadência, salvo exceções, seguindo o mesmo caminho. Pergunta-se: O que a nação com tais gestores da “Coisa Pública”, como tantas instituições em nível civil, político, social, familiar e religioso têm a legar às novas gerações? Que perspectivas de mudanças se têm pela frente? Que cenário que os meios de comunicação nos passam diariamente?
O noticiário diário reproduz o quadro real e trágico de uma sociedade sem princípios, decadente e sem critérios: Violência generalizada, aliás, que não é fruto do acaso, e, sim efeito cascata que parte do exemplo das maiores autoridades do país, recheada de cinismo, deboche e com celebração pela impunidade.
Tomemos um exemplo atualmente em evidência nos meios de comunicação. O sistema carcerário do país. É um triste retrato de políticas sem pudor e muito menos de respeito à dignidade humana. No entanto, o que mais entristece é ver que grande e significativo número dos presos é jovem. E mais: não são apenas da classe pobre, e, sim da classe média e alta envolvidos em crimes hediondos. Isso mostra o fracasso de nosso sistema educacional. Portanto:
Não basta criar novos presídios, mas investir pesado numa educação de qualidade, com mestres bem pagos e onde os valores da veracidade sejam prioritários no processo de formação do caráter e da personalidade de nossas crianças e jovens adolescentes.

Honestidade e veracidade são princípios norteadores que se aprende em primeiro lugar na família, reforçado posteriormente na escola. Uma nação que se preza sempre tem a preocupação de uma formação integral, ou seja, não apenas na formação tecnológica, mas também na área das humanidades. Sem a dimensão humana corre-se o risco do humano se tornar uma mercadoria.

Ser verás significa: “...uma atitude do ser humano em relação a si mesmo. Verdadeiro é quem está de acordo com sua essência interior (...) diz a verdade e em todo o seu comportamento expressa que pode confiar nele, que ele pensa da maneira como diz e se comporta. Veracidade é a condição para que nossa humanização dê certo. É a virtude que nos leva a sermos completamente nós mesmos, a sermos autênticos”. (GRÜN-ZIETZ, 2012). E segue:
“Veracidade também é condição de uma comunidade resistente. Pela mentira se destrói a comunidade. Em longo prazo, uma empresa somente pode existir se enfrentar a verdade, se buscar viver internamente aquilo que defende externamente. Tal veracidade produz um sentimento de confiança”.

Sempre é bom lembrar de que a pessoa que é verdadeira no seu agir, é também sempre digna de confiança para todos. Entretanto para se chegar a esse patamar há todo um processo que inicia na família seguida da escola, embora tendo sempre presente as virtudes cardeais como as teologais como parâmetro de educação. É preciso refazer nossa linguagem usual, aliás, empobrecida por neologismos “vulgares e ideológicos” que não constroem nenhum paradigma, mas que edifiquem na totalidade a sociedade em todas as suas dimensões.

A TRAGICIDADE PRÁTICA DA CISÃO ENTRE ECONOMIA E DINHEIRO

Um dos aspectos preocupantes no contexto do construto político socioeconômico é o distanciamento cada vez maior de uma economia monetária que paulatinamente vai se tornando independente da atividade econômica. Por quê?

Em termos de sustentabilidade o resultado será sempre problemático, pois não ajuda em nada para uma atividade econômica saudável, pois em vez de arrumar a casa cria uma disfunção que desregula toda a economia e elege o capital financeiro e/ou especulativo desvinculado do seu objetivo essencial para a sociedade. Daí se percebe que muitas instituições bancárias caminham de forma paralela da autêntica atividade econômica. Portanto:
“Hoje muitos bancos especulam no mercado financeiro independentemente da atividade econômica (...) com suas especulações eles podem levar economias nacionais inteiras a ruína em compelir mercados numa direção que no fundo não beneficia ninguém, somente os especuladores”. (GRÜN-ZIETZ, 2012).
É bom frisar que o contexto atual infelizmente gira em torno do dinheiro como valor prescindindo do que seja o verdadeiro valor. Urge recolocar o dinheiro no seu devido lugar. Ele é necessário, embora deva ficar claro que o dinheiro deve servir, e não governar. Esse é um pressuposto “sine qua non” para uma nova “era” tanto para a sociedade nacional quanto mundial.

É bom pensar!

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