A separação entre o mundo da economia e social caracteriza a atual situação local e mundial

Economiaenegocios Artigos 20 Fevereiro / 2018 Terca-feira por Padre Ari

Estes dão a devida sustentabilidade aos diversos setores societários. Tal conduta, além de não criar as famosas bolhas artificiais econômicas, tem as condições de convergir a um objetivo que contemple a todos. Em outras palavras se quer dizer não tratar-se de priorizar uma economia abstrata e, sim, para uma ecologia humana, ambiental e que possui sustentabilidade no crescimento.

Todo o processo unidimensional tende a alimentar a fragmentação da vida e, este é o combustível mais premente para a desconstrução de qualquer civilização que queira se perpetuar na história, daí atitudes concretas que tenham deem fundamento teórico e prático para o equilíbrio de todos os ecossistemas.

“...o homem moderno (sobretudo, o homem ocidental) está profundamente doente, pelo fato de viver no estado de separação {...} o homem rompeu os laços que o uniam aos seus semelhantes e ao mundo. A sua consciência deixou-se encarcerar na prisão do ego. Esta alma esclerosada e mutilada é o grande doente”. (LACROIX, Michel – A ideologia do New Age – Instituto Piaget – p.42).

É visível a decadência da civilização, mormente ocidental, e isso desafia o bom senso e a determinação de buscar e analisar as razões que retratam essa degradação. A verdade é que falta uma visão de conjunto da nova sociedade em pauta a ser edificada. O imaginário das elites dominantes ainda não teve uma apurada consciência de que tal sistema de gerir o tecido social é algo que já deu o que tinha que dar. O esgotamento é algo real.

“O respeito às minorias nas sociedades contemporâneas nos obriga, hoje mais do que à época, a falar de um direito geral de viver segundo as normas e os princípios estrangeiros àqueles da maioria: Ora, tal direito não pode ser fundado senão num princípio universal”. (TOURAINE, Alain – Após a Crise – Vozes – 2011). E segue:
“Segue como for, a separação completa entre o ator e o sistema é a definição mesma da situação pós-social. Ela destrói todos os vínculos que uniu a história econômica e história social”.
O grande problema no contexto politico socioeconômico pode-se analisar tal realidade duplamente: Por um lado, os donos do capital ainda se sentem numa posição confortável, e, portanto, parecem não estarem interessados em mudanças profundas dos paradigmas até então vigentes. Por outro, como forma de ceder às pressões sociais e a busca de mudanças sistêmicas, é feita apenas com reformismos medíocres e superficiais em relação aos problemas mais candentes da população, e, não estão percebendo que o resultado a médio e longo prazo poderá desencadear uma tragédia política social e econômica sem controle, mormente o Brasil.
“...precisamos compreender bem que uma crise grave, mesmo quando é limitada pela intervenção eficaz de um Estado, pode bloquear o movimento de entrada de um novo tipo de sociedade ou dar-lhe a forma de uma ruptura completa. O acaso de um passado não garante o nascimento de um futuro. Inversamente, reformas limitadas e técnicas são insuficientes para mudar as representações e para mobilizar aqueles que aguardam que uma nova sociedade os liberte”. (TOURAINE, 2011).

O tempo passa, no entanto diante da complexidade do contexto dessa cultura vigente discriminatória, pesada e desigual é perceptível que organizações transnacionais e outras que permeiam os bastidores e não fazem sequer questão de tais mudanças no quadro sócio político e muito menos econômico. Na prática o elemento que deveria impulsionar com atitudes concretas falta total interesse. Por exemplo, ao se falar da educação como prioridade e agente de mudança. É vergonhoso afirmar e cada vez mais fica explícita que jamais as novas gerações terão acesso a um ensino de qualidade que produza mudanças. Por quê? É cada vez mais explícita que esses pontos chaves de mudanças, estão nas mãos de organizações poderosas com ideologias contrárias à qualquer mudança de paradigma.

É bom relembrar que entre tantos temos o Banco Mundial, o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento. (BID), que: “...inicia e desenvolve um programa de alcance mundial, propondo, induzindo e orientando a reforma dos sistemas de ensino de primeiro, segundo e terceiro níveis.

Percebam: O Banco Mundial tem sido o agente principal para a definição do caráter “economicista”, “privatista” e “tecnocrático” da reforma dos sistemas de ensino nos três níveis. Isso desde os anos 50 do século XX e entrando pelo XXI. Com que objetivos?
“Reduzem-se ou mesmo abandonam-se os valores e os ideais humanísticos de cultura universal e pensamento crítico, ao mesmo tempo, em que se programam diretrizes práticas, valores e ideais pragmáticos, instrumentais e mercantis”. (IANE, Octvavio – Capitalismo, Violência e Terrorismo – Ed. Civilização Brasileira – 2004). E segue:
“...tudo o que diz respeito à educação passa a ser considerado como uma esfera altamente lucrativa de aplicação do capital; o que passa a influenciar decisivamente os fins e os meios envolvidos; de tal modo que a Instituição de ensino, não só privada como também a pública, passa a ser organizada e administrada segundo a lógica de empresa, corporação ou conglomerado”.
Diante do quadro acima exposto pergunta-se: Para onde vamos? O que nos resta fazer? Acomodar-se diante de tal situação que se arrasta há anos? E pior: a força da comunicação de massa são agentes poderosos do ponto de vista cultural e que influenciam decisivamente a educação e a socialização.

O contexto não deve ser de desânimo e desmotivação para alcançar as mudanças que urge em nossas comunidades sejam locais ou mundiais. Mas desafiam mestres idealistas que ao lado das grades vazias e obsoletas de cunho oficial, haja pessoas corajosas, pensadores perspicazes e conscientes de conduzir um processo de desconstrução paulatino, sem pressa nem guerra, mas conscientes de que é preciso relativizar a oficialidade das grades curriculares oficiais e trabalhar estrategicamente com as novas gerações ao mostrar aos mesos que é com valores e virtudes além da oficialidade que se faz a diferença. As novas gerações sentem que precisa de inovações para a sociedade local e mundial excluindo a corrupção, os conchavos, o roubo, a violência, enfim o encontro com desenvolvimento e progresso fundamentado em valores que proporcionam a verdadeira paz.

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