O Eclipse da Transcendência na Cultura Pós-Moderna

Economiaenegocios Artigos 26 Novembro / 2018 Segunda-feira por Padre Ari

Por outro lado, tem-se conhecimento de que muitos ousam afirmar de que isso foi criado pelo homem e, portanto, é algo estrutural para dominar os povos. A marca do “ser religioso”, aliás, não significa a instituição “religião”, e sim, o que define o humano como alguém que possui dignidade exatamente por ser criado com muito amor por Deus. “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. (Gn 1,27).
O homem à medida que foi tomando consciência de sua capacidade de criar, de ser inventivo em relação à natureza, e, se facilitou a própria vida humana, por outro, consciente e/ou não, infelizmente o homem e a mulher foram se tornando autossuficientes, voltando-se para si mesmos e se enclausuraram na imanência do tempo e do espaço. Essa é uma conduta que jamais possibilitará o desejo que cada ser humano seja feliz e realizado.
“...o eclipse do sentido de Deus e do homem conduz inevitavelmente ao materialismo prático, no qual prolifera o individualismo, o utilitarismo e o hedonismo”. (João Paulo II, papa – Carta Encíclica Evangelii Vitae – Sobre o Valor e a inviolabilidade da vida humana – Paulinas – 4ªed. – 2005 – n. 23 p. 47).
De forma curiosa percebe-se que a vida na atualidade histórica com seus paradoxos, contradições e confusão repete o episódio bíblico da “Torre de Babel”, ou seja, ninguém mais se entende. O resultado prático retrata a postura humana de virar as costas ao Criador.
Sobre esse símbolo da “Torre de Babel” do hoje, paira uma nuvem espessa que não permite avançar nos novos inventos com segurança e tranquilidade, pois uma das características da cultura no momento presente, embora com uma tecnologia sempre maior e fascinante, parece que mesmo assim emerge o medo, a insegurança, a ansiedade e tantas outras disfunções sociais que respiga na saúde das pessoas como paralisa as mesmas pelas incertezas frente ao um futuro desconhecido. A sociedade em seu conjunto sente de que algo não está bem e que há uma urgente necessidade de repensar a história.

“...como não procuraram ter de Deus conhecimento perfeito, entregou-os Deus a um sentimento pervertido, a fim de que fizessem o que não convinha”. (Rm 1,28). E, desta forma os valores do ser ficam substituídos pelos do ter.
A insistência na necessidade de refazer os paradigmas da história vivida até então, significa urgência para uma visão mais aberta e fundamentada nos valores que edifica qualquer grupo humano. Prescindir da fé é sinônimo de autodestruição e não de progresso e desenvolvimento em todos os setores da vida. É importante a essa altura da história saber que aquilo que nos tem conduzido a esta “...Torre de Babel” é que:
“...o único fim que conta, é a busca do próprio bem-estar material. A chamada “qualidade de vida” {que} é interpretada prevalente ou exclusivamente como eficiência econômica, consumismo desenfreado, beleza e prazer da vida física, esquecendo as dimensões mais profundas da existência, como são as interpessoais, espirituais e religiosas”. (EV, 23).
Nota-se hoje na mentalidade técnica científica da cultura contemporânea é que essa: “...nega a ideia mesma de uma verdade própria da criação que se há de reconhecer, ou de um desígnio de Deus sobre a vida que temos que respeitar. E isto não {é} menos verdade quando a angústia pelos resultados de tal “liberdade sem lei” induz alguns à exigência oposta de uma “lei sem liberdade”, como sucede, por exemplo, em ideologias que contestam a legitimidade de qualquer forma de intervenção sobre natureza como que em nome de uma sua “divinização”, o que uma vez mais menospreza a sua dependência do desígnio do Criador”. (EG, 22)
O grande sonho da humanidade foi e é viver uma cultura de paz, inclusão, respeito mútuo, liberdade e com bom humor, embora respeitando sempre as diferenças da cultura de cada povo, mas para isso urge mudança do imaginário incrustado e petrificado no pensamento dessa cultura vigente.
“...o surgimento do niilismo {...} precisa ser banido para dar lugar a uma cultura da igualdade social, solidariedade e inclusão {...} o retorno da sociedade hodierna chega ao hoje da história, num limite entre o sentido e o vazio niilista {...} a superação se concretizará quando o critério norteador do comportamento humano estiver sintonizado com a busca da verdade”. (SILVA, Ari Antônio – A Ética nasce quando encontro o rosto do outro – Ed. Nova Harmonia – 2018 p.133).
Portanto, tudo o que se fecha sobre si mesmo de forma egoísta, algum dia tende a “implodir”, seja quando se refere a qualquer organização, Estado Nação e/ou pessoas. O segredo sempre é estar aberto ao um novo horizonte que nos conduz ao futuro do sentido e da realização que é Deus.

É bom pensar!

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